Justiça seletiva é a banalização do “vale-tudo”

A Lei é para todos, dizia o malsinado filme promocional da Lava Jato.

Vê-se, pela última revelação do The Intercept que não.

Fica nítido que se usam falsas investigações sobre Fernando Henrique Cardoso apenas para dar esta impressão.

E que isso merece a reprimenda de Sérgio Moro não apenas por ‘melindrar’ alguém  ‘cujo apoio é importante’, mas porque as doações feitas ao Instituto FHC eram semelhantes em tudo às feitas ao Instituto Lula, com apenas uma diferença: no caso de Lula as palestras e eventos de fato haviam se realizado.

Mas há algo pior, muito pior do que isso.

É que a imprensa brasileira consegue receber os fatos que estão sendo revelados sem qualquer indignação.

Aceita que o debate seja redirecionado para a fonte da informação e, ainda pior, sobre o caráter e os objetivos do jornalista que lidera a equipe que os está revelando.

Nem falo da canalha estupidificada que recorre a argumentos xenofóbicos ou homofóbicos para isso.

Refiro-me a parcelas da “nata” do jornalismo – inclusive do jornalismo investigativo, este pleonasmo a que só a torpeza da imprensa dócil poderia dar origem – e das instituições, inclusive as judiciais.

A regras, num sistema judicial, não são uma formalidade, são parte da essência daquela afirmação de que “a lei é para todos” indispensável a que não se caia no desvio para a exceção, onde a lei é para alguns, mas não para outros, conforme o arbítrio dos que a aplicam.

Sérgio Moro comparece daqui a pouco ao Senado como “ministro convidado”, não como ex-ministro investigado, o que aconteceria em qualquer democracia digna deste nome.

Porque, antes de julgarem-se culpas criminais – e isso provavelmente nem ocorrerá – está em jogo a garantia social de que os comandantes das máquinas de repressão judicial deste país não a conduzem segundo ódios e favoritismos políticos.

A imprensa, que se moveu também por esta bússola construiu a falsa legitimidade da Justiça do “vale-tudo” que vai sendo revelada.

Aquela onde os ritos, as leis, a imparcialidade, a isenção não vale nada.

 

 

 

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email

15 respostas

  1. Jornalismo investigativo nunca tivemos , mas se tixéssemos onde seria publicado as descobertas ?.

    1. Exato. Todos os donos da mídia seguem atrás das verbas da Secom e de faturar com seus parças do mercado financeiro.

  2. É isso. Judiciário e mídia brasileiros passaram cinco anos sabendo dos truques sujos de Moro e da lava jato. Assim mesmo, ajudaram a transformarem essa corja em “heróis” da nação. Agora fazem de tudo para abafar a importância dos fatos revelados por jornalistas que tem vergonha na cara e honram a profissão. Era previsível, é claro, mas continua sendo ofensivo e escandaloso.

  3. Decepção.
    O que se extraí disto é que reforça o que o outro post mostrou,a liderança do criminoso moro no resto da QUADRILHA de procuradores e o evidente ( conhecido por todos) cuidado que tinha o delinquente em envolver seua parceiros políticos ,os tucanalhas,mas,se esperava algo mais poderoso ,o tempo passa rápido.
    Por que não se debruçar em algo quente mesmo? realizar esse trabalho exaustivo de conferir datas,reportagens,personagens,etc em algo que venha ter um impacto imediato.
    Este nível só ajuda eles, vão criando narrativas esdrúxulas,canalhas e repetindo-as para ganhar tempo e desgastar o ánimo dos deste lado.
    ESTAMOS NUMA GUERRA E QUALQUER OPORTUNIDADE PERDIDA DE BATER PRA VALER NOS DELINQUENTES É TEMPO A MAIS PARA ELES CONSOLIDAREM O SAQUEO DO NOSSO FUTURO.

    —————————————————————————————————————————————-
    Fiz este comentário ontem a noite
    Aquele post de ontem ,se analisarmos friamente foi perda de tempo,e tempo é algo que JÁ ACABOU PARA NÓS.

  4. Sempre percebemos que havia dois pesos e duas medidas. Não via quem não queria acreditar. Super-homem bizarro desmascarado!

  5. Caro Brito, caros leitores,

    O que não dá é para embarcar de corpo e alma nesse jogo combinado entre Intercept e Fraude a Jato, aceitando ser pautado por um veículo financiado por Pierre Omydiar, bilionário franco-estadunidense que é umbilicalmente ligado e a serviço do Deep State estadunidense. Quanto a Gleen Greenwald basta ler o que ele escreveu há 14 anos no blog dele, acerca do Brasil, dos governos progressistas de países latino-americanos e do governo de Bush filho. Recordem-se também que menos de 3% do que Eduard Snowden forneceu ao “interceptador” foi divulgado; investigue o que ocorreu com duas das outras três “fontes” do Intercept/Greenwald e o que aontece e acontecerá com Julian Assange e o Wikileaks.

    Até agora, Greenwald e seu “interceptador” prometeram bombas, mas divulgaram apenas traques. Está evidente que se trata de jogo combinado com a Fraude a Jato, para distrair a patuléia, enquanto as estatais são entregues aos estrangeiros, até mesmo sem licitação. Essas informações sobre a relação promíscua da Fraude a Jato com o PSDB e com FHC são notícia velha e já sabida por todos nós. Notem que o Intercept nem mencionou a compra de votos para a reeleição, a evolução patrimonial de FHC – totalmente incompatível com a renda dele como professor universitário ou político – as diversas fazendas e aptos de luxo que ele possui no Brasil e no exterior (alguns em nome de laranjas), além das doações mais do que suspeitas ao IFH, sem que o “príncipe da privataria” sequer tenha palestrado para quem lhe encheu os cofres.

    Não me conformo com o Tijolaço ir nessa onda, nessa bolha do chamado “PIGuinho vermelho”.

    1. Caro João,

      Vou copiar aqui o comentário que já havia postado outro dia aqui no Tijolaço:

      Contra fatos não há argumentos. É o que se diz, mas Umberto Eco pouco antes de nos deixar publicou um livro chamado “Número Zero”, uma sátira sobre jornalismo e política. O livro descreve o cotidiano da redação de um jornal – “Domani”, amanhã em italiano – que seria lançado num futuro incerto e indeterminado. O jornal é financiado por um misterioso Commendatore com o único fito de chantagear as altas esferas do poder. O livro como Roberto Saviano diz em sua contracapa é um verdadeiro “manual de comunicação dos nossos tempos”. “Domani”, como ele explica, procura se “adiantar” aos acontecimentos a base de suposições, de teorias da conspiração e de muita imaginação, sem cuidar é claro dos limites que separa a verdade da mentira e lançando mão daquilo que Eco chamou da “máquina lama” que consiste na “técnica” de ir lançando uma série de suspeitas e insinuações de modo a desacreditar esta ou aquela pessoa, esta ou aquela informação. Qualquer semelhança de Domani com outros sites e blogs da loucosfera mas também da Grande Imprensa, como vemos, não é mera coincidência.

      Fernando Brito tem sido nestes últimos anos uma ilha de razão, dignidade e generosidade, num mar de loucura, mentiras e ódio que tem contagiado a tudo e a todos. Continue assim nosso exército de um homem só.

    2. está chovendo lá fora. irei me molhar, independentemente de eu acreditar que a água é liquida ou não. preciso desenhar? ninguém está elegendo Glenn como o beato do ano aqui no tijolaco!!!!

  6. A reação de quem acreditar fortemente que Moro era um anjo vingador, ao ver agora que ele era um vigarista desde o princípio, é de completa revolta contra a divulgação da verdade. Depois, de completa revolta contra a própria verdade. Depois, de prostrada frustração. Depois, de lenta convalescença.

    Só no mês de outubro é que haverá um despertar completo. Então, a procura por uma liderança de direita será mais seletiva. Nada de Dórias nem de Hucks, porque a canalhice e o oportunismo estarão em baixa. Poderá haver um renascimento do PSDB, possivelmente com outro nome, que organizará a direita que ainda restar com alguma dignidade intelectual.

    Esta rearrumação será fundamental para o saneamento do estado de direito, da vida democrática brasileira e das instituições em geral. O país não pode prescindir de um grande partido de direita, para acomodar um conservadorismo civilizado.

    Isso, entretanto, só poderá acontecer se nossa democracia doente de malária sobreviver, porque Sua Revendíssima The Olavo já falou que vai partir para o tudo ou nada, e que chegou a hora de fechar o regime ditatorial.

    Ele anunciou com todas as letras que o Congresso Nacional é um obstáculo a ser removido, para que entre o Grande Líder e o povo (?) não exista nenhum outro poder.

      1. Pode ser que a maioria deles não desperte mesmo. Pode ser que entre os políticos não haja mais qualquer desejo de idealizar partidos de direita, e que se entreguem à bajulação da futura ditadura, até serem expelidos cruelmente por ela. O massacre midiático, emoldurando a doutrinação olavista, é um vício muito mais poderoso do que o crack.

        Neste caso, o país estará bem preparado para sofrer o mergulho nas mais imundas águas de um fascismo de novo tipo, um fascismo olavista-lavajatista, de caráter entreguista e anti-nacionalista.

        Só que as máquinas de mentiras midiáticas, essenciais para este transe (não se pode acreditar que as redes sociais já estejam fortes e maduras para operar esta transição), estão exaustas e a ponto de estourar, além de não poderem se antepor ao crescente olhar internacional.

        É impossível esfaquear a democracia no Brasil sem que o mundo inteiro assista e condene vigorosamente isso. As novas autoridades ditatoriais não poderão contar nem mesmo com os americanos, porque a última coisa que o Trump quer é um abacaxi desses em pleno início de sua campanha eleitoral. .

  7. Surreal, um ministro da justiça, INJUSTO. para poupar crimes. Não tem a menor constitucionalidade o MINISTRO acusado, chefiar a policia que poderia estar o investigando, e ainda por cima generais que deveriam proteger o pais na sua constitucionalidade, levantar apoio e relativizar crimes por que gostam do ministro, simplesmente por padrão ideológico em pleno século XXI, não tem o menor respeito por quem pensa diferente e quer justiça para todos e que juntam as gotas de suor para pagar impostos e sustentar a casta militar e do sistema de justiça seletivo e falido do Brasil, o certo é para ter apoio em atrocidades, justiça não é mesmo para todos. O Brasil está tomado por uma casta podre por todos os lados que se olha. VERGONHA o povo conviver com tanta falsidade de homens públicos, bem pagos, aliás muito mais do que merecem para serem tratados como tolos. E STF hein, pianim pianim.

  8. Quando a Lei passa a ser “só para os inimigos”, a credibilidade da Justiça e de seus representantes vai p/a o brejo……Não é a toa que no país, algumas leis são tal qual vacina: algumas pegam outras não. Ou algumas pegam só se o cidadão for pobre, sem dinheiro para bancar advogados e sem amigos importantes…..Aquela regra da magistratura que estabelece a conduta do juiz , por exemplo, não pegou no ex-juiz Moro…..

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.