Kramer x Kramer no MPF

Outra vez, a ótima Cristina Serra, na Folha, faz um resumo, direto e didático, do embate Kramer x Kramer que assola no Ministério Público (e , lembre-se, também a cúpula do Judiciário) no Brasil.

É a guerra na direita, que não é fratricida porque sequer fraternos conseguem ser. É preciso acompanhá-la e entender que, entre ambos os lados, não se deve ficar de nenhum, mas torcer para que sigam assim. Como na matemática, negativo com negativo acaba por dar resultado positivo.

Aras e o aparelhamento do MPF

Cristina Serra, na Folha

O procurador-geral da República, Augusto Aras, abriu guerra contra a força-tarefa da Lava Jato e a hipertrofia dos procuradores federais comandados por Deltan Dallagnol na “República de Curitiba”. Aras e Dallagnol, no entanto, são faces da mesma moeda: a do aparelhamento político das instituições de Estado.

O sempre necessário e importante combate ao crime encontrou na vocação messiânica e na agenda política dos procuradores e do juiz Sérgio Moro terreno fértil para distorções, abusos e excessos da operação que pretendia acabar com a corrupção no país.

Não acabou. E deixou vasto legado de desrespeito a marcos legais. Moro divulgou ilegalmente um grampo telefônico envolvendo a então presidente Dilma, o que mereceu apenas uma reprimenda do STF ao juiz.

Este pediu “escusas” e ficou por isso mesmo. A Vaza Jato, do site The Intercept, mostrou como o juiz orientou os procuradores, tornando-se parte da acusação e violando seu compromisso ético e legal de imparcialidade.

Deu no que deu. A Lava Jato teve impacto decisivo na chegada de Bolsonaro ao poder, trazendo Moro a tiracolo, não por acaso. Como o mundo dá voltas, o candidato que se beneficiou do “lavajatismo” foi o mesmo presidente que deu a rasteira em Moro e agora comanda a ofensiva contra a “República de Curitiba”.

Ao atacá-la, Aras faz um favor ao centrão e ao chefe, que andam de braços dados desde que Bolsonaro entendeu que precisava de um escudo no parlamento, depois da prisão do amigão Fabrício Queiroz. Aras, porém, pode não ter calculado bem um efeito colateral de sua truculência. A perseguição à Lava Jato poderá levar Moro a disputar com o ex-chefe a narrativa do combate à corrupção, acirrando a concorrência no campo da direita nas eleições de 2022.

Há, contudo, uma pedra no caminho de Moro. A Segunda Turma do STF precisa terminar o julgamento, iniciado em 2018, sobre a suspeição do magistrado na condução da Lava Jato. Ao que parece, suas excelências não estão com a menor pressa.

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5 respostas

  1. A suspeição do marreco nos processos de Lula precisa ser pautada imediatamente.
    Sem isso, desistam deste país.

  2. Fernando,
    quero complementar informação sobre contribuição para o site, mas a página de contato do blog – https://tijolaco.net/contato/ – está com erro no formulário ( [contact-form-7 404 “Not Found”] ). Existe uma conta de e-mail para contato?

  3. O ardil LAVAJATENSE foi engenhoso, temos que reconhecer.
    Instrumentalizadas por interesses geopolíticos patrocinados pelos EUA, banca, Forças Armadas de OCUPAÇÃO do Brasil e alguns vendilhões, diversas instâncias judiciárias foram cooptadas a dançar de acordo com a valsa tb..
    ..eis que ao final misturaram-se BANDIDOS de todos os tipos e malfeitos de diversos matizes, estes que HABILMENTE foram enxertados e mesclados com a PRATICA GOLPISTA e a perseguição política, em especial, contra LUIZ INACIO LULA da Silva..
    ..o triste de tudo é que até hoje BOA parte da população mais jovem (35% do eleitorado tem MENOS de 35 anos) não consegue discernir o que foi de REAL e o que era de fantasia, dando de ombros assim, e mandando à merda, nossa incipiente democracia..

  4. Lembram-se daquela história do Habes corpo em que o Favreto concedeu não quiseram cumprir. Agora, o STF com o tofin monte de estrume é desrespeitado em inúmeras vezes, !sto, prova que o tofin monte não manda nada.Ele deveria tomar vergonha na cara e se afastar da Presidência do Supremo, pois ele ainda não mandar nada, nos passa vergonha.

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