Maré vazante tornará Bolsonaro mais agressivo

As manifestações bolsonaristas de hoje – é verdade que por um tema árido, como o voto impresso – foram ralíssimas, coisa mesmo de gatos pingados, dezenas de pessoas no Rio e algumas poucas centenas em São Paulo.

É possível dizer que, já minguando, tenham hoje batido o recorde de esvaziamento, mas isso está longe de permitir afirmar que Jair Bolsonaro vá fazer um movimento de recuo para reagrupar suas forças em dispersão.

Como acontece frequentemente aos psicopatas, Bolsonaro se recusa a retroceder, a mudar. Pode, quando muito, fazer negaças . fingir que retrocede, evitar o choque quando ele lhe é desvantajoso, mas sempre preparando o golpe seguinte.

Erra quem acha que o bolsonarismo está desertando como desertas estava a rua em seus atos de hoje.

Ele está entranhado na negação da política, na negação dos partidos, na intolerância, na “lacração”. E no “Centrão”.

Lançar ao mar Ricardo Barros e os evidentes indícios de que ele manobrava aquela operação e outras no âmbito do Ministério da Saúde é fora de questão pela necessidade de ter apoio e maioria, senão no Congresso, ao menos na Câmara, de onde depende para barrar pedidos de impeachment.

Os problemas estão no campo do bolsonarismo e a oposição de esquerda não tem razão para embarcar no jogo de intrigas da direita.

Nosso compromisso, neste momento, é com a aceleração do processo de vacinação, com a criação de mecanismos de assistência que socorram o país do nível de desemprego e perda quase total de renda de um quarto da população brasileira .Contra esta argumentação concreta, real, sentida no cotidiano das famílias brasileiras e visível nas calçadas das cidades brasileiras.

A agressividade de Bolsonaro, que veremos em dobro nesta semana que se inicia, deve ser respondida com uma serena apuração de fatos e com uma atitude de absoluto legalismo.

E, é claro, com a voz política da rua.

Muito mais real que a dos dissidentes do bolsonarismo, sabe lá com que grau de sinceridade que possam ter. se trouxerem para o asfalto o povão que, nas pesquisas, aparece em oposição Bolsonaro por algo que não tem ocupado, na avenida, o espaço que merece: o empobrecimento dramático do povo brasileiro.

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