Marun antecipa Janot no “açougue” da CPMI. Dodge vai só assistir?

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A entrevista do chefe da tropa de choque de Michel Temer, Carlos Marun, egresso do “exército do Cunha” a O Globo é um afiar de facas do açougue para onde será levado, a partir da semana que vem, o já então ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot.

A senha “Vamos investigar quem nos investigou” não poderia ser mais explícita sobre o que aguarda Janot.

Vai ser estripado e as entranhas do putrefato acordo de delação premiada de Joesley Batista expostas em praça pública, e não vai demorar.

Como se registra em várias inconfidências a colunistas – a última, hoje, a Lauro Jardim – é iminente a delação de Geddel Vieira Lima e, portanto, é urgente providenciar lama – o chumbo desta batalha imunda – para trocar.

A nova procuradora, Raquel Dodge dá a impressão, quase certeza, que não moverá uma palha pelo ex-colega (colega parece palavra imprópria, quando nem convites para a despedida de um e a posse da outra são feitos).

É inevitável que este confronto ganhe cores mais vivas – talvez, sangrentas – internamente.

Os meninos de Curitiba, príncipes da arrogância, andam extremamente calados mas, não há dúvida, têm a tendência de agregarem-se ao grupo de Janot, pois, como registra hoje, na Folha, Janio de Freitas, ” gozaram sob Janot, na Lava Jato, de liberdade injustificável”, que dificilmente teriam com outro procurador que quisesse evitar “o denuncismo e a voracidade punitiva, incompatíveis com justiça, Ministério Público, Judiciário, moralização e lealdade constitucional”.

O show de Deltan Dallagnol, com aqueles círculos e setas contra Lula tratado como se condenado, foi uma aberração autoritária que manchou para sempre o Ministério Público. Um abuso de poder, inconsequente em dois sentidos: não tinha razão de ser nas obrigações da Lava Jato, por isso não produziu qualquer efeito nas apurações devidas, e nenhuma providência mereceu de Janot, ao menos em respeito aos estarrecidos com a depreciação do Ministério Público.

Como, até por seu comportamento até agora, tudo indica que Dodge vá imprimir um desempenho mais sereno e “low profile”, é inevitável que a turminha dos holofotes e da arrogância dos “ainda somos a esperança do Brasil” de Curitiba tem dúvidas se terão o palco apenas para si ou se seus arroubos serão, pouco a pouco, podados.

O risco, para ela, é aquilo a que se referiu o ministro Sebastião Reis, do STJ, chegamos a uma situação em que “qualquer um que discorde dos [comportamentos dos] órgãos de acusação é taxado como inimigo, cúmplice de bandido e favorável à corrupção”.

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