Militares ‘vestem a carapuça’ do genocídio de que Gilmar falou

É um autêntico “vestir a carapuça” a iniciativa do Ministério da Defesa de pedir que a Procuradoria Geral da República se pronuncie sobre uma ação judicial contra o Ministro Gilmar Mendes por ele ter dito que a imagem das Forças Armadas estão sendo prejudicadas pela usurpação da área da Saúde, colocando um general à frente do Ministério da Saúde e que isso faz com que o Exército seja associado a um genocídio.

É que a nota da Defesa, além do esperado protesto contra as expressões fortes do ministro do Supremo – o que seria natural – levanta uma questão que demonstra a preocupação da cúpula militar com o fato de que genocídio é “um crime gravíssimo, tanto no âmbito nacional, como na justiça internacional, o que, naturalmente, é de pleno conhecimento de um jurista”.

Sinal de que há temor de que os governantes brasileiros – e muitos militares estão associados a ele – podem vir a ser responsabilizados em tribunais internacionais, sobretudo se Donald Trump perder as eleições norte-americanas.

Há previsão no Estatuto de Roma, que tem força de lei brasileira desde o governo Fernando Henrique Cardoso de que são crimes contra a humanidade atos que “afetem gravemente a integridade física ou a saúde física ou mental” (artigo 7°, 1, e) e que podem ser responsabilizados perante o Tribunal Penal Internacional as pessoas que, “no caso de crime de genocídio, incitar, direta e publicamente, à sua prática”.

Convém lembrar que, com a designação do general Hamilton Mourão e a criação de uma “Operação de Garantia da Lei e da Ordem” para uma suposta preservação da Amazônia, o mau-humor mundial para o com o Brasil e seus militares está nas alturas.

Com medidas “geniais” como a de demitir a responsável pela análise de dados de satélite sobre as queimadas amazônicas, repetindo a dose do ano passado, quando o diretor do Instituto de Pesquisas espaciais, Ricardo Galvão, não há dúvida de que estamos na fogueira perante a opinião pública mundial faz tempo e, quem sabe, nossos militares, pela ambição de uma cúpula que viu em Bolsonaro seu passaporte para o poder, acabem saindo mais que chamuscados.

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11 respostas

  1. Gilmar Mendes tatuou “GENOCÍDIO” na testa desta gorilada fascista que assaltou o poder. Não há maquiagem ou tratamento a laser que apague a marca.
    Gilmar fez mais, abriu a porta, não só politicamente, mas também juridicamente, para que estes genocidas (incluidos os milicos) sejam levados a um tribunal internacional por crime de genocídio.
    Faz tempo que o bozo e sua gangue estão com passaporte pronto para serem julgados por crimes contra a humanidade. Com as últimas medidas relativas à forma como estão lidando com nossos povos originários em relação ao coronavirus (somados à políticas de devastação ambiental desde o início do governo) estão enterrados até a goela na tipificação de genocídio, com a participação ativa e de larga escala dos militares na exposição dos aborígenes ao coronavírus, à falta de medidas protetivas e ao uso de práticas charlatanescas de tratamento.
    A resposta nada responde, apenas mostra medo e desespero pela tipificação do crime de genocídio e das consequências disto. Sim, apesar de achar que estejam blefando, podem tentar em derradeiro desespero, aprofundar o golpe e partir para uma quartelada escancarada. Só vai piorar a situação deles, que já é muito ruim.

  2. Deveriam é estar emitindo nota de repúdio ao secretário de defesa dos Estados Unidos que além de mostrarem sua traição ainda debocham deles, mas chefe é chefe.

  3. A corte internacional tem um vício muito comum, julgar crimes de países do terceiro mundo, dos USA podem passar batidos porém dos africanos e latino americanos é a lei que vale.

  4. Boa, FB! Os milicos “vestiram a carapuça” mesmo ao ficarem tão raivosos a ponto de pedir ao PGR se pronunciar sobre uma ação judicial contra Gilmar Mendes. Vá em frente, Gilmar! Como vc disse: tem que colocar o “dedo na ferida” dos militares. Não pensem os milicos que vão repetir o que fizeram na década de 70 em relação à epidemia da meningite. Vai ter reação!

  5. miliquinhos dando piti ??? São tchutchucas com o olavo do ca*alho e tigrinhos com o gilmar menTes… São e sempre foram GENOCIDAS, sim… E os indios mortos junto com os combatentes no Araguaia ? E os civis chacinados na Ditadura e na guerra do Paraguai ? E o Rio Centro ? E as torturas de indefesos capturados e rendidos ? Agora, com a pandemia, não vai dar pra fugir do Tribunal Internacional !!! Além de tudo são cobardes, omissos e incompetentes !!!

  6. Uma boa síntese das “veias abertas da América Latina”. Nossa trajetória histórica sempre exposta a uma dominação externa de exploração econômica e de ingerência política desestabilizando nossa democracia. Só o nosso capitalismo periférico é capaz de criar Villas Boas, Fernando Azevedo e Silva, Ajax Porto Pinheiro , Augusto Heleno, Mourão, Moro, Dallagnol, Carlos Fernando, Pozzobon, Fachin, Carmen Lucia, Fux, Barroso, Bolsonaro, Aécio, os três patetas do TRF 4, Felix Fischer, FHC, Temer, Maia, Cunha, Merval, Mainardi, Vera Magalhaes, Edir Macedo, irmãos Marinho, Silvio Santos, Bonner, Ali Kamel…

  7. “genocídio é definido por lei como ‘a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso’ (Lei nº 2.889/1956)”
    É exatamente o que estão fazendo com os Povos Indígenas. Os índios que vivem em reservas não têm anticorpos para se defenderem de doenças menos grave, que são comuns no nosso dia a dia, imagina a contaminação por um vírus que em 120 dias já matou 72 mil brasileiros, e 600 mil no resto do mundo. É general, o Gilmar tem razão: o genocídio é de um grupo étnico. E tem o apoio do Vice presidente Mourão. já que ele apoia o Ministro Salles.

  8. Em 4 anos Bolsonaro vai indicar 15 ministros para a cúpula do judiciário, inclusive 2 no STF e 2 no STJ. Ou seja, um miliciano ligado ao crime organizado vai fazer essas indicações. Isso que as forças armadas estão sustentando. Um cenário altamente preocupante.
    As vagas que devem surgir são: Duas no STF (Supremo Tribunal Federal) Duas no STJ (Superior Tribunal de Justiça) Três no TST (Tribunal Superior do Trabalho) Quatro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Quatro no STM (Superior Tribunal Militar).

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