Miriam Leitão e a “economia do semiaberto” de Lula

Nunca acredite que alguém desceu tão baixo que seja impossível afundar-se mais.

Escrevi, no post anterior, que logo a grande imprensa estaria cheia de gente a dizer que Lula “está obrigado” a ser solto, humilhando-se.

Mas não achava que a primeira voz ia ser a de alguém que, pessoalmente, deveria saber dar valor à resistência.

Miriam Leitão, uma ex-presa política, uma mulher que, grávida, foi submetida a sevícias monstruosas resolveu comentar a recusa de Lula, em nome de sua dignidade, recusar o regime semiaberto.

E com um argumento destes de embrulhar o estômago: o de que sai caro manter Lula preso:

(…)não cabe ao preso escolher ficar na prisão quando a autoridade decide que ele pode sair. Essa é a avaliação de uma fonte política que está acompanhando o caso. O argumento é que há custos com qualquer preso, e isso não pode ser decidido pelo próprio réu.

É isso, então?

Não, não vou entrar em comparações prisionais, nem ofender você por sofrimentos indescritíveis pelos quais passou.

Nem repassar as acusações vis e mentirosas que espalharam sobre você.

Mas não posso crer que você esteja a julgar as atitudes de dignidade de quem está preso pelo preço da marmita que lhe dão a comer, ou da luz que gasta a lâmpada de sua cela, ou ainda do “gasto” com o carcereiro.

Você sabe, melhor que ninguém, o quanto é forte o desejo de sair daquela cela. Sabe o que você faria para isso, e qual o limite da dignidade que a impedia de fazê-lo.

Sabe o que é estar humilhada, ofendida, atingida em sua honra e que isso tem um preço que nem um milhão de “quentinhas” pode pagar.

Ah, Miriam, não faça seus carrascos saírem vencedores, porque levaram a sua alma e a sua humanidade.

 

 

 

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