Moro é fiel, mas só a si mesmo

O Painel da Folha de S.Paulo diz que a pecha de “traidor” seria, para bolsonaristas e para petistas, o rótulo que mais facilmente “cola” no ex-juiz Sergio Moro.

E como “cola” mesmo, não por acaso a nota, que abre a coluna no jornal de hoje, tem o lacônico e expressivo título de “Judas”.

Injustiça com o Iscariotes, penso eu, porque este, em algum tempo, creu em Jesus e, mais por desilusão ou inveja que pelos 30 dinheiros, traiu o Cristo.

Moro jamais acreditou ou admirou alguém senão a si próprio. E nunca traiu suas próprias ambições; ao contrário, tudo fez por elas.

Todo o tempo cuidou de usar sua posição imperial de juiz para promover-se, para alcançar uma posição, ironicamente, de “Mito”.

Aproximou-se de Jair Bolsonaro certo de que, como ‘homem forte’ do Governo que ajudara a eleger , teria ali o casulo que abrigaria sua metamorfose em, no mínimo, Ministro do Supremo Tribunal Federal, situação em que se consideraria mais bem posto, até, que como Presidente.

Não é possível saber se esta posição lhe foi expressamente prometida mas, ao menos, foi-lhe insinuada fortemente, ao ponto de que o fez atirar fora a toda e atirar-se ao cargo de superministro, condição que só se igualava a de Paulo Guedes.

Não pressentiu que Jair Bolsonaro, um recalcado com sua própria ignorância e um tipo cercado de encrencas familiares – das quais Moro sabia antes de assumir o cargo – precisa estar permanentemente humilhando seus auxiliares, para que recolham-se à sua pequenez e deixem brilhar somente ao chefe.

Moro só deixa o cargo três meses antes de abrir-se a vaga que tanto desejava no STF, com a aposentadoria de Marco Aurelio Mello, quando já tina toda a certeza de que Bolsonaro, valendo-se do seu enfraquecimento com as revelações da Vaza Jato, não o indicaria ao cargo.

E poucos dias antes de Bolsonaro tornar público que nomearia alguém “terrivelmente evangélico” para o cargo, cláusula que Moro não cumpria.

Entre e Moro e Bolsonaro, portanto, o caso é de mútua traição ou, se quiserem, a prova de que já não há honra entre bandidos políticos.

Bolsonaro, porém, apela a ela. Logo ele, que tem uma penca de vitimas de seu poder monocrático e autoritário.

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