Moro não cabe mais na eleição presidencial

A imprensa especula sobre uma “decisão” que o ex-juiz Sérgio Moro teria de tomar sobre uma candidatura presidencial.

Nunca se sabe o que se passa em mentes megalômanas como a dele – talvez os reveses tenham minorado isso, sabe-se lá – mas objetivamente não parece haver espaço para ele numa eleição nacional, embora, talvez, possa ter sucesso disputando o Senado pelo Paraná.

Primeiro, porque na extrema-direita, apesar de tudo, Jair Bolsonaro deixa-lhe pouca herança dos tempos “gloriosos” de três ou quatro anos atrás. Para esta faixa do eleitorado, Moro é um “traidor” do capitão, alguém que é visto com desprezo, quando não com ódio, o que sobra neste segmento da classe média.

Segundo, porque há mais de um ano entrou num eclipse midiático que é o oposto da nauseante superexposição que teve no passado, além de não ter estruturas políticas a ampará-lo, exceto o Podemos.

E, se tem pouco de onde partir, o caminho para sua candidatura expandir-se é mais que problemático.

Regionalmente, depende de São Paulo e do Sul do país. Neste, enfrenta a presença forte de Bolsonaro; naquele, a disputa com João Doria, com eleitorado semelhante e máquina política.

Doria, que precisa de algo para tirar sua candidatura do marasmo, talvez pudesse lhe dar o lugar de vice – identidade não falta – mas o que isso somaria ao tucano? O esquálido MBL, talvez. E, de novo, a grandes estrela do universo que Moro já se julgou teria de ir para a condição de coadjuvante que já lhe foi tão amarga com Bolsonaro. Quanto a Eduardo Leite, deixaria o candidato a presidente na constrangedora situação de ser apresentado pelo vice.

O fato é que Moro tem duas marcas na testa. A de juiz desonesto, que lhe ferrou a quente a decisão do STF que o julgou parcial nos processos de Lula. A segunda, a de “bolsonarista que se deu mal”, impressa pelo presidente que, como juiz, ajudou a eleger e foi servir, indecorosamente.

Claro que vai haver gente que ficou órfã de Bolsonaro apelando para que ele seja candidato e, assim, ofereça-lhes o “gancho” de serem “candidato do Moro”. Serve, porém, para um ou dois, não mais que isso, ao que se pode enxergar.

Moro, que parece ter pouco a ganhar, aparenta ter muito a perder como candidato.

A começar por surgir humilhado no julgamento popular, perdendo de 5 por 1 para o homem que fez enjaular e impediu de presidir o país.

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