Muito longe da “retomada” e perto de mais crise

Nos últimos anos, a palavra mais usada – e desgastada – pelos que recusam a ideia de que o desenvolvimento brasileiro depende de um Estado que interfira, de forma ativa, na economia.

A manchete da Folha, neste momento – Real ganha status de moeda tóxica com aversão a riscos fiscal e político – é uma evidência de que o “plano” de Paulo Guedes (e até agora, do Governo Bolsonaro) para o pós-pandemia é, literalmente, nenhum.

A ideia de que afluxos de capital estrangeiro – lembra daqueles que viriam logo com a derrubada de Dilma Rousseff? – virão recuperar a nossa economia é, no meio da mais profunda crise econômica vivida pelo mundo desde 1929 (senão maior) não é apenas um engano, como antes, mas uma rematada tolice, e tolice desastrosa.

Todas os indicadores econômicos que se tem, hoje, estão longe de revelar a retração da economia. Ao contrário do que ocorre com o vírus, a doença e a morte das empresas não vem de forma aguda, porque sempre há gordura para queimar por dois ou três meses.

A questão é que, depois deste prazo, o que haverá de demanda para seguir com atividades que permanecerão deprimidas – e muito deprimidas – durante um largo tempo e, agora, sem estas reservas e com o peso de créditos bancários tomados durante a pandemia para sobreviver.

A interrupção do auxílio emergencial, claro, vai causar tombo imenso no consumo naquilo que ele não tombou estrepitosamente ainda: no setor de alimentos, remédios e artigos de residência. Os que já haviam despencado, sobretudo os de bens uráveis e semiduráveis, seguirão longos meses em banho-maria, em fogo muito brando.

É evidente, até para economistas conservadores, que não se poderá pretender quer uma pequena recuperação sem que o Estado a alavanque, mas isso é tabu para a equipe econômica de Guedes. É por isso que o valor de mercado de Paulo Guedes caiu muito mais do que os papéis do mercado financeiro.

Bolsonaro o cozinhará por algum tempo, mas sua cabeça será mais uma a ser cortada, como todas as que se alinharam e se humilharam ao seu projeto autoritário.

 

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12 respostas

  1. Fora da pauta louvo os legalistas do Rio Grande do Sul que estão colocando os fascistas pra correr.
    Se nenhuma “otoridade” nada faz para barrar esse genocida em seus atos e palavras os gaúchos nos ensinam o que se urge fazer.
    Na ausência escandalosa de defensores da liberdade e do direito cabe a nós sairmos do conforto e repudiar cara a cara as manifestações golpistas cotidianamente no Brasil.
    As vivandeiras pregam abertamente uma guerra civil e se não reagirmos a essa farda podre, onerosa e golpista teremos sim de enfrentar ou nos submeter a nova era de trevas.

    1. Em 1936, enquanto Churchil dava parabéns a Hitler e a Mussolini por suas “coragem e determinação”, o fascista britânico Oswald Mosley iniciou sua marcha sobre Londres com uma tropa de camisas negras, protegidos pela polícia londrina. Quando dobrava uma esquina, ele se encontrou com 100.000 antifascistas de vários grupos políticos, diversos partidos e sindicatos. Correram em desespero, e nunca mais o fascismo levantou a cabeça na Inglaterra. Independente de seus por vezes fortíssimos apoiadores, o fascismo e sua variante nazista perderam todas as batalhas.

  2. Fico aqui imaginando como aconteceria a retomada milagrosa, na cabeça dos libelóides. O deus mercado deles vai atrás do lucro e o único lucro a se ganhar com crise é comprar barato pra revender mais caro no futuro.
    Mesmo supondo que “empreendedores” arrisquem retomar atividades que geram riqueza, como produzir bens (que horror!), vão sofrer na mão dos bancos e demais abutres que vivem às custas do Estado e das empresas.

  3. Fico aqui imaginando como aconteceria a retomada milagrosa, na cabeça dos libelóides. O deus mercado deles vai atrás do lucro e o único lucro a se ganhar com crise é comprar barato pra revender mais caro no futuro.
    Mesmo supondo que “empreendedores” arrisquem retomar atividades que geram riqueza, como produzir bens (que horror!), vão sofrer na mão dos bancos e demais abutres que vivem às custas do Estado e das empresas.

  4. Não se iludam!
    Entendo que, para Paulo Guedes cair, deveria haver um “ser pensante” no governo, com uma mínima intenção de fazer algo de bom pela sociedade.
    Este “ser”, não existe neste governo.
    Qualquer um com esta característica, “pensante”, ou não se aliou ou foi expurgado.
    E, enquanto Paulo Guedes bradar que quer vender as “porras” das empresas e bancos públicos e destruir com os todos os servidores públicos, haverá quem o sustente no Ministério…
    Ainda é um canalha que serve!

  5. O Guedes tá vendo que o fim está próximo e se desespera para vender qualquer coisa, nem que seja o Banco do Brasil, que ele já tinha prometido entregar para o Bank of America. Parece que os fascistreguistas vão passar e não vão entregar nada.

    1. Entregaram a previdencia, que era o prato principal e exigencia dos larapios do rentismo podre pelo apoio e financiamento do golpe…..ele será celebrado durante muito anos…de quebra, reduziu o salario do funcionalismo com a novas aliquotas e impos um congelamento desnecessário, porque não há ambiente ou condições economicas para aumento salarial…..ainda tem as varias empresas subsidiarias que vendeu na bacia das almas,……é um héroi da classe parasita…..

  6. Mas nos últimos dias o BB se lançou no mercado do dolar/real visando e conseguindo uma redução. Até quando?

  7. Não se iludam!
    Entendo que, para Paulo Guedes cair, deveria haver um “ser pensante” no governo, com uma mínima intenção de fazer algo de bom pela sociedade.
    Este “ser”, não existe neste governo.
    Qualquer um com esta característica, “pensante”, ou não se aliou ou foi expurgado.
    E, enquanto Paulo Guedes bradar que quer vender as “porras” das empresas e bancos públicos e destruir com os todos os servidores públicos, haverá quem o sustente no Ministério…
    Ainda é um canalha que serve!

  8. O Guedes é um psicopata que teve o cérebro detonado lá pelo início dos 80. Ele ficou emparedado no plano furado neoliberalista dos Chicago Boys, que arrebentou o Chile do assassino Pinochet e outros países.
    A fala dele na reunião dos DC(dementes compulsivos), quando o “presidente da república” passou o tempo todo dizendo palavrões, e na qual afirmou entre outras baboseiras, que o Brasil iria bombar a partir do segundo semestre, demonstra claramente que o cara deveria ser internado imediatamente, junto com os outros todos que estavam na Festa da Loucura.

  9. Na verdade, quem se dispuser a fazer uma análise da trajetória dos países que atingiram níveis mais elevados de desenvolvimento vai se deparar com algo que os contadores da história oficial e vastíssima propaganda fazem de tudo para esconder.

    Algo claro, inequívoco, indubitável. Não há um só desses países que tenha chegado lá sem que contasse com um Estado forte a ditar o rumo das coisas, ao mesmo tempo em que destinava fartas quantias dos fundos públicos para otimizar os negócios capitalistas.

    E, à parte a avalanche neoliberal, que já vai para meio século de infestação pelo mundo afora, e sua monumental propaganda de demonização total do Estado, a toada segue a mesma. Na verdade, só recrudesce, pois os capitalistas mamam cada vez mais nos chamados fundos públicos.

    O eminente economista canadense/estadunidense, John Kenneth Galbraith, já dizia: “tire-se o Estado da economia e o capitalismo não dura um dia sequer”.

    Creio que o Estado capitalista age de maneira muito semelhante à loteria. A loteria coleta uma imensa quantidade de dinheiro entre um monte de gente e redistribui a maior parte dela para um pequeno estrato dos que “contribuíram” na formação do bolo.

    O Estado capitalista recolhe impostos de todo mundo – de quase todos, na verdade, pois, em muitos casos os ricaços não pagam – e acaba por destinar a maior parte dessa arrecadação à otimização dos negócios e prosperidade de uns poucos.

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