Não se dá asas às cobras

Amanhã, dia 8, completa-se um ano que as sentenças de Lula na 13ª Vara Federal de Curitiba, eram anuladas por incompetência de foro, o que a se reconheceu como suspeição de Sergio Moro.

Dois dias depois, no dia 10, saía a primeira pesquisa, da CNN, com Lula de novo elegível: ele tinha 21% dos votos, contra 31% de Jair Bolsonaro.

Bolsonaro, portanto, comemora estar no mesmo patamar de intenção de votos que há um ano, no primeiro turno. À época, empatava no segundo turno, no qual perde hoje, com folga.

Sim, é prova que a política e eleições quase nunca tem resultados pré-determinados, mas também é a de que tendências eleitorais se constroem passo a passo e que, a partir de certo ponto, deve-se evitar o que “chacoalhe” o quadro, sobretudo quando se tem favoritismo, não se tem o apoio da mídia e quando o fanatismo maniqueísta está à flor da pele, excitado por gente fascista, capaz de manipular até o nome de Deus em seus slogans eleitorais.

Como em 2018, quer se levantar uma “pauta de costumes” para substituir o que antes se chamava de “direitos civis”, como quando até 40 anos atrás se proibia o divórcio neste país em nome da “indissolubilidade do matrimônio”, pondo em seu lugar o tal “desquite”, palavra que os jovens nem conhecem mais, mas muito viva para quem tinha de carregar o estigma de “filho da desquitada”, sempre suspeita de devassidão.

E vai por aí, com drogas, sexo, vacinas e o que mais puder ser usado.

É o que lhes resta depois de serem um fracasso na economia, um fracasso na retomada do desenvolvimento, um fracasso na Educação, na Saúde – com os quase 700 mil mortos da pandemia – no combate à fome, ao desmatamento – agora esta vergonha de militares da ativa dirigindo perfis fake contra ambientalistas – na diplomacia e em quase tudo o mais que se observar.

Lula já foi candidato a Presidente cinco vezes e em nenhuma delas sua posição diante da questão do aborto não foi diferente. Até o jornal direitista Gazeta do Povo, ontem, fez um apanhado das declarações do petista desde 1994, que pode ser resumido numa fala de 2007, depois reiterada várias vezes:

“Eu disse em todas as eleições da qual participei, em 1989, 1990, 1994,1998, 2002, 2006, e vou dizer agora: eu tenho um comportamento como cidadão, sou contra o aborto. Agora, como chefe de Estado, acho que o aborto tem que ser discutido como uma questão de saúde pública”.

Portanto, o que há – porque são só estas coisas às quais podem apelar – é exploração fundamentalista e vazia, até porque nada há mais distante desta gente do que o “amai-vos um ao outro”.

Não é desejo de debater ou até de se contrapor, é apenas uma oportunidade de querer levar o adversário à fogueira.

Cair nessa conversa é colocar em risco uma caminhada que, como se começou dizendo, mudou o horizonte do país. Não é deixar de defender suas ideias, é não fazer com que esta defesa sirva às ideias antípodas e ao terrorismo ideológico.

Como se dizia na gíria carioca, é não dar asas às cobras.

 

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