No meio da crise, o país sem governo

A “proposta” do presidente da Câmara, Arthur Lira, de dar “uma garfada” no ICMS dos estados sobre combustíveis é, evidentemente, um improviso e uma maneira de burlar a vedação constitucional de que deputados alterem impostos estaduais, mostra como o país está falto de governo em geral, e muito mais, em matéria de economia.

Neste caso, um duplo erro: deixar de arrecadar e, com isto, cortar gasto social dos estados, que vira renda e consumo – e criar uma “média de preços”que, se baixa o preço em aguns centavos agora, é obvio, o aumentará em outro tanto mais adiante.

Tudo o que se propõe – ou “que se inventa”, pois seria uma expressão mais adequada – atende à regra do improviso e de criação de despesas públicas sem receita regular, mas ao sabor de circunstâncias arrecadatórias fundadas, elas próprias, na aceleração inflacionária e com a protelação de despesas inevitáveis, como os precatórios.

E, claro, a venda ou concessão de ativos públicos, para ganhar umas migalhas do “trilhão” que Guedes prometeu no início do governo.

Estamos eu uma situação de paralisia, esperando que a crise se resolva sozinha. Pode até acontecer, em uma mudança de humor no mercado internacional que nos alivie, mas é exatamente o contrário disso que temos no horizonte.

Por isso é que a blindagem (inclusive a midiática) sobre Paulo Guedes não tem condições de funcionar, porque sua gestão da economia abalou sua sustentação moral, agora que se viu exposto em sua offshore nas Ilhas Virgens.

O dilema a ser resolvido na economia – auxílios são meros paliativos, ainda que necessários – é investimento, emprego e renda.

Para isso, porém, não se conte com as “invenções” econômicas, destinadas apenas a “fechar contas” até o final do ano.

2022 já está logo ali e as contas de botequim não chegam até lá.

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