O Brasil em quarentena econômica

O capital estrangeiro, como Dadá Maravilha, “fez que vinha, não veio acabou indo”.

Já estava picando a mula antes do coronavírus, que está provocando, no mundo inteiro, uma corrida pela compra de títulos que – mesmo com juros baixíssimos e até negativos, são um porto seguro para o dinheiro.

Aqui, estamos num sinuca.

Baixar mais as taxas de juros implica em subir mais a taxa de câmbio, já ruinosa.

Elevá-las dificilmente trará dinheiro e não deterá os aumentos de preço, inevitáveis, do dólar alto.

O governo esmera-se em autopiedades, como esta invenção – jabuticaba das boas – de que “o PIB privado cresceu”, lançando uma categoria econômica inédita no mundo.

Jair Bolsonaro, no meio de todas as apreensões, diz que “eles [os empresários ] estão felizes com o que está acontecendo com a economia do Brasil. Nunca sentiram tanta confiança no trabalho do governo como um todo no tocante à produção, à economia, a todos as áreas do Brasil.” E arranja um “inimigo”, além da mídia, para dizer que o problema da economia, a Receita Federal: “é impressionante como a Receita atrapalha”!

Nenhum sinal, portanto, de o presidente vá deixar de auxiliar nas besteiras que Paulo Guedes disse serem capazes de levar o dólar a 5 reais.

Vender ativos públicos , sempre a panaceia para crises econômicas, no quadro em que estamos é muito mais danoso do que era há seis meses, pois tudo ficou mais de um quarto mais barato com as perdas cambiais. Ou mais, porque o vendedor tem zero de credibilidade a oferecer em matéria de segurança na administração.

O dever político, neste momento, é fazer o possível para que o isolamento político impeça aventuras de Jair Bolsonaro.

Inclusive, e este não é um temor infundado, a de fazer uso político da epidemia de coronavírus se ela se expandir no país.

A propósito, manchete da Folha logo após escrito este post, com algo em que venho insistindo repetidamente: Estrangeiros tiram R$ 44,8 bi da Bolsa, maior valor da história para um ano —e é só março. Faltam ainda os números, mas é provável, que com as saídas de ontem e hoje já esteja em R$ 50 bilhões.

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11 respostas

  1. Precismos compilar a lista com os “empresários” e “empresas” que apoiam o fascismo! Divulgar nos blogs liberais! Boicotar para todo o sempre esse pessoal da Havan, da Riachuelo, do Madero, e sei lá mais quem. Se ninguém compilar esta lista, vai passar batido! Quero saber quem são os empresários fascistas e quem não são! Agora é a hora de empurrar estas empresas para o abismo da falência!

      1. Obrigado, Leila! Mas, rapaz, que impressionante! Com tudo isso que está acontecendo e esse pessoal orbitando em outros mundos: inacreditáveis os elogios e opiniões registrados nesse encontro. Notar que a matéria é de 05/03/2020.
        Lembra-me a orquestra do Titanic ou o o Baile da Ilha Fiscal.

  2. “fez que vinha, não veio, acabou indo”
    Essa preciso registrar para mandar para os guedistas.

  3. Armadilha da estupidez, labirinto de mentiras, nela estamos metidos desde que uma parcela da sociedade brasileira lançou às favas, uma vez mais, e 50 anos depois, todos os escrúpulos de consciência. O golpismo é nossa única tradição política. Quantas gerações desperdiçaremos neste hospício chamado Brasil ?

  4. Os gringos gostam do BOLSONARO para nós, mas correm dele com suas economias, adoram os imbecis, mas não são.

  5. Só assim ficamos sabendo que existe um PIB que não envolve o país todo, e que se ele estiver indo bem, nada mais importa. Poderia ser chamado de PIB guediano, ou PIB da Guedeslândia. Os habitantes desse lugar, que vivem numa aura diferente da brasileira, nunca antes sentiram tanta confiança nos rumos do país e estão muito felizes com a economia e tudo mais que está acontecendo.

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