O búfalo do Planalto

Não é uma discussão sobre auditagem do voto eletrônico.

O que Bolsonaro pretende com a discussão sobre a impressão do voto é, apenas, criar uma confusão “prévia” sobre uma suposta fraude eleitoral que seria a única forma – apesar e todas as evidências em contrário – para que ele não se reelegesse.

O mérito da questão não é evitar a fraude, mas produzir uma fraude através da imposição, “no grito” de um único resultado que seria aceitável: a sua própria vitória.”Ou eu ou o caos”.

Nada tem a ver com a proposta apresentada em 2009, que previa, esta sim, um sistema de auditagem que envolvia apenas uma amostra das urnas (2%) onde o sistema deveria registrar, no momento do voto, seu conteúdo, que seria impresso e depositado dentro da própria urna.

Aquela proposta, inclusive, não previa que isso fosse implantado para a eleição seguinte (2010), mas apenas cinco anos depois, como forma de expurgar o projeto de qualquer interesse eleitoral partidário.

O projeto da bolsonarista Bia Kicis é para que todos os votos sejam impressos: “é obrigatória a expedição de cédulas físicas conferíveis pelo eleitor, a serem depositadas, de forma automática e sem contato manual, em urnas indevassáveis, para fins de auditoria.”

E isso tem uma dupla função.

A primeira: temendo que seu voto possa ser identificado eletronicamente, o eleitor sinta-se coagido a “obedecer” os donos do poder, da força e das armas. Isso não funcionaria, claro, se só uma pequena parte das urnas imprimissem voto.

A segunda: criar, pelo longo processo de apuração manual de perto de 500 mil urnas usadas em nossas eleições – e não numa conferência de auditoria de 10 mil -, um espaço de agitação política e, dele, à irrupção de golpes contra o resultado das urnas.

Com uma “vantagem”: a de transformar quem se opõe à impressão dos votos em suspeito de pretender fraudá-los.

Tanto é assim que Bolsonaro, ontem, sugeriu que o Supremo Tribunal Federal e seu ministro mais hostil a Lula, Luís Roberto Barroso, na conta dos que estariam pretendendo a fraude como forma dar a vitória eleitoral ao ex-presidente.

Do que se serviu, aliás, para lembrar que sua reeleição vai propiciar a nomeação de dois novos ministros “terrivelmente bolsonaristas” na Suprema Corte, permitindo a ele chegar bem perto do controle do Judiciário, tal como fez com o Legislativo, através do “Centrão”.

Por falta de caráter e, também, de criatividade política, o que faz Bolsonaro é seguir o roteiro de Donald Trump, que desembocou na selvageria da invasão do Capitólio.

Com a diferença de que, por lá, não havia o Exército e as polícias estaduais para respaldarem a arruaça.

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