O capitão do mato e os índios

Estarrecedora a reportagem do Estadão sobre a proibição da Funai a que seus próprios funcionários visitem áreas indígenas ainda não demarcadas.

Pior ainda a justificativa de que métodos “marxistas” e “trotskistas” estariam sendo usados para a “retomada” de terras pelos índios.

Pior até do que fazia o ditador admirado por Bolsonaro, o General Emílio Médici, que, em 1973, sancionou lei dizendo que cabia à Funai assistir indígenas independente de que suas áreas de terra fossem homologadas ou não.

Lei, aliás, em pleno vigor.

Como em vigor a Constituição, esta esquecida, que fala, no artigo 231, que “são reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”.

Falando em leis, é bom lembrar que a Funai está sob o comando do Ministério da Justiça. Portanto, a responsabilidade final é do sr. Sergio Moro, que deve responder por este tipo de atitude bizarra, a menos que os povos indígenas “não venham ao caso”.

Falta só o capitão (do mato, ao que parece) aparecer dizendo que é a favor dos índios tornarem-se “cada vez mais seres humanos”, mas que é preciso terminar com essa balbúrdia de que muitos deles “andem peladões, lá no mato, numa pouca vergonha total, talquei?”

Por sinal, já está nomeando um pastor evangélico para cuidar das tribos isoladas, quem sabe para lhes ensinar a vida sem pecado da sociedade moderna…

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13 respostas

  1. Este é o resultado de ter-se deixado os militares isolados da sociedade por tanto tempo. Eles ficaram de um jeito que só acreditam neles mesmos.

  2. Escárnio total. A FUNAI cada vez mais se torna o antigo SPI – Serviço de “Proteção” ao Índio que vendia as terras com os indígenas dentro deixando a cargo do comprador resolver o “problema” ao seu modo.

  3. Sou do Amazonas, tenho um amigo indigenista muito experiente, sempre me contou situações graves que ocorrem quando tentam se aproximar de tribos isoladas, qq vacilo é fatal, e olha que eles são treinados para o ofício. Me contou que um de seus colegas, que trabalhava na aproximação dos índios Korubos por muitos meses, se achou seguro e deu uma cochilo na área que eles dizem de segurança, não acordou até hoje, os Korubos esmagaram todo o corpo com suas bordunas. Então Evangélicos, podem ir tranquilamente tentar aproximação, levem a Bíblia TAOQUEI, não esquecendo que dentro da cultura indígena seus Deuses não são esses que vocês acham que conhecem. Bom trabalho e até nunca mais.

    1. problema é que se isso ocorrer hoje, tal qual no passado, tudo indica que os indígenas serão massacrados pelo glorioso exército do BOZO que alegará que eles deram motivos pra tanto.

  4. aonde esta o Congresso, Judicia´rio e FORÇAS ARMADAS que não fazem nada ?
    Não tem inocente nessa história ..BOZO e MORO apenas representam toda essa escumalha

  5. Parece que tudo o que é sensato, politicamente correto ou razoavelmente científico é considerado por este governo como sendo “marxista”, “trotskista” ou simplesmente “comunista”. Este é o resultado da doutrinação que o Steve Bannon e seu discípulo Olavo de Carvalho fizeram com os recém-empoderados ignorantes do Brasil. Foi assim que eles, além de se convencerem de que a Terra é plana, ainda por cima ficaram muito orgulhosos de tamanha saberia. . .

    1. Bolsonaro acaba de assinar um decreto que permite a mineração e a exploração de minérios em territórios indígenas. E também de projetos de geração de energia elétrica, e por isso o decreto se chama “Luz para todos os índios”, ou coisa assim. Ele discursou, e falou que os índios merecem isso que ele fez, porque são, ao contrário do que pensam os ambientalistas, “pessoas humanas exatamente como nós, que merecem ser tratadas exatamente como nós”. No fim, está claro que vão tomar tudo dos índios, inclusive suas vidas, já que “são gente como nós”, porém extremamente vulneráveis.

      1. Ele finge desconhecer as peculiaridades dos indígenas, zomba do que vão dizer os ambientalistas, vistos por ele como idiotas (ou otários?) que desconhecem os verdadeiros caminhos do progresso, e abre seus territórios para a invasão de cruéis gananciosos. Mais uma demonstração de que voltamos aos tempos da República Velha, em que bugreiros (matadores de índios) agiam livremente a mando de quem desejava tomar suas terras. Entre outras coisas ruins, este governo é uma mesquinha vingança da atrasada República Velha contra a Revolução de 30, e os avanços civilizatórios e desenvolvimentistas de Getúlio Vargas.

      2. Ele finge desconhecer as peculiaridades dos indígenas, zomba do que vão dizer os ambientalistas, vistos por ele como idiotas (ou otários?) que desconhecem os verdadeiros caminhos do progresso, e abre seus territórios para a invasão de cruéis gananciosos.

        Mais uma demonstração de que voltamos aos tempos da República Velha, em que bugreiros (matadores de índios) agiam livremente a mando de quem desejava tomar suas terras., diante de um Serviço de Proteção aos Índios completamente ineficiente. Entre outras coisas ruins, este governo é uma mesquinha vingança da atrasada República Velha contra a Revolução de 30, e os avanços civilizatórios e desenvolvimentistas de Getúlio Vargas.

        Não devemos esquecer que a Marcha para o Oeste, decretada por Getúlio para ocupar os territórios do Mato Grosso, Pará e Amazonas, que eram perigosamente cobiçados por estrangeiros, levou para o desbravamento ninguém menos que o Marechal Rondon e os Irmãos Villas Boas e, se plantou a semente de inúmeros municípios hoje grandes e progressistas, também plantou a aproximação respeitosa, cordial e cientificamente embasada com os povos indígenas.

        Esta aproximação resultou, entre outras importantes providências em benefício dos índios, na implantação das bases daquele que viria a ser o atual Parque do Xingu, hoje obviamente ameaçado, e que foi apresentado pelo ministro Gilberto Gil como candidato a patrimônio ambiental, histórico e cultural da humanidade pela Unesco.

  6. Nos anos 1990, o envolvimento de pastores evangélicos com comunidades indígenas do Centro-Oeste teria desencadeado uma o da de suicídios, inclusive de crianças indígenas na faixa de onze anos, devido às ideias de pecado estranhas às culturas indígenas impostas por esses pastores.
    Sob o pretexto de levarem os indígenas ao caminho do “paraíso” transformaram a vida de muitos deles em verdadeiros infernos!

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