Juros (só em tese) mais baixo, ilusões desfeitas

Restam poucas dúvidas de que o Banco Central corte hoje, outra vez, a taxa de juros oficial, para 4,25% ao ano.

O resultado prático é pequeno, porque o juro real é outra coisa, onde a taxa baixa pouco, não baixa e até sobe. Quem quiser conferir, veja os ótimos gráficos comparativos no blog Minhas Economias e verá que a realidade, exceto para crédito consignado (e nem todos) e financiamento de veículos (bem em garantia) é outra, muito outra.

Outros resultados, porém, serão sentidos e vão impactar fortemente nossa economia.

O primeiro deles é o valor do dólar, que começou com força em agosto passado e já atingiu níveis piores do que os mais pessimistas poderiam supor.

Em janeiro, foram R$ 19,16 bilhões, ou mais de 4 bilhões de dólares que pularam fora da Bolsa de Valores de S. Paulo, que continua sobrevalorizada pelos lambaris do “agora a coisa vai”.

No lado comercial, a coisa também está estranha. Déficit comercial perto de R$ 2 bi e perspectivas complicadas nas exportações e nem se diga que a culpa é das caneladas internacionais do ex-capitão: a Europa parou, a Argentina está em animação suspensa e a China, ameaça um quadro de semiquarentena no comércio e até de pneumonia econômica.

Não se quer dizer que a baixa dos juros, hoje, como é provável, vá fazer o dólar saltar, até porque isso já foi, nos últimos dias, “precificado”, no jargão do mercado financeiro.

Mas vai manter a pressão cambial e o estado de incerteza econômica, que já desmanchou a onda de otimismo do final do ano.

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30 respostas

  1. Antes o Brasil tinha superávit primário, hoje tem déficit.

    A trajetória da dívida bruta era descendente, hoje é ascendente.

    Não obstante, as taxas de juros reais da dívida pública estão mais baixas que naquela época – o que demonstra que o tal mercado é mais “torcedor” do que fundamentalista.

    Lamento muito que o PT tenha dado ouvidos demais à GloboNews, à turma da PUC-Rio, da FGV (que hoje está mais para Carlos Lacerda que Getúlio Vargas).

    Longe de mim defender o Guedes, mas tenho que admitir que nesse ponto ele foi corajoso.

    Num mundo de juros baixos (não é de hoje), é hora de dizer para o capital financeiro: “é pegar ou largar – se não estiverem satisfeitos, que saiam do Brasil para pegar juros negativos na Suiça ou Japão”.

    O PT perdeu muito tempo torrando dinheiro com juros aos rentistas, enquanto sacaneava o trabalhador assalariado sem reajuste na tabela do IR (coisa que continua neste desgoverno).

      1. Sim, mas até o faxineiro do meu prédio já estava com desconto de IR naquela época.

        Com a economia de juros poderia ter investido bem mais na saúde e educação (por exemplo).

        1. Concordo com essa questão do valor mínimo para pagamento do IR, que deveria ser automaticamente atualizado todos os anos.
          É que acho que as críticas ao PT pelas coisas que não fez deixam de levar em conta que o período em que o PT ficou no poder foi curto e que ele nunca contou com o apoio da grande mídia que os governos de direita contam. Se tivessem ido com sede demais ao pote, o jornalismo de guerra dessa mídia contra o partido teria se iniciado mais cedo e muito do que foi feito não teria sido. Por exemplo, as cotas e a PEC das domésticas.

          1. Muita coisa foi feita, isso concordo.

            Mas o PT deveria ter aproveitado o tempo das vacas gordas, mais o apoio que tinha, para aperfeiçoar a comunicação com o povo (e bater de frente com essa turma). Essa de ter dado muito dinheiro ao PIG foi dose.

    1. Mas se os juros caem nao pressiona ainda mais o dolar? Isso nao leva a queima das reservas o aumento futuro com a moeda americana se vender dolar com a promessa de recompra? Como funciona?

      1. Bom senso e observação empírica. Mas vale acrescentar que a economia hoje vive a paz dos cemitérios, não há pressão inflacionária por queda da renda da população.

      2. Sim, é isso mesmo o que você disse.
        Mas essa venda de dólar com compromisso de recompra futura é o tal swap cambial reverso.

        Sobre a queima de reservas nua e crua (sem recompra futura, sem swap), dava para fazer na época porque tínhamos superávit na balança comercial, então havia expectativa de nova entrada de dólares, diferente do que ocorre agora – e neste caso corremos o risco de irmos para o FMI.

        Mas antes de usar as reservas dava para deixar o dólar se valorizar um pouco, botando o câmbio num lugar certo – lembremo-nos que o país já vivia um processo de desindustrialização.

        O efeito do dólar sobre a inflação é superestimado. Tenho um artigo de um economista ( está guardado numa gaveta) que esclarecia isso. Para os céticos, basta lembrar que o dólar dobrou de valor no segundo governo FHC e nem por isso a inflação foi na mesma proporção.

    2. Não custa lembrar que quando Dilma usou os bancos públicos para baixar a taxa dos juros foi taxada de intervencionista! O mercado chiou forte. Por que agora essa complacência dos banqueiros para com Guedes?

      1. Cara,
        A Dilma reduziu a selic até 6,50 a.a. mas também forçou a baixa dos juros para os tomadores de crédito o que reduziu o spread bancário.
        Agora, a selic está até mais baixa que no governo dela, mas os juros para tomadores de crédito continuam na estratosfera.
        Basta ver o lucro dos bancos em 2019.
        Para os bancos este é o melhor dos mundos. Paga uma merreca para os aplicadores de recursos e extorque os tomadores destes mesmos recursos.

    3. A Selic baixou, não foi pq o Guedes é bonzinho com o povo. Baixou pq este é o limite máximo que o Desgoverno pode pagar ao sistema financeiro para rolar a dívida.

      1. Sim, pragmatismo dos rentistas tanto para lucrar (enquanto der) quanto para não perder.

        Esse pragmatismo faltou ao PT (estava com a faca e o queijo na mão), mas entregou a política monetária aos tucanos.

    4. a arrecadação federal caiu muito por causa da crise e não há sinais de crescimento a vista. Eles sabem disso e a globo também.
      Mas eles tê de tapear a população para que não percebam o caos que eles criaram.
      Já tinhamos a PEC dos gastos e prometeram que não aumentariam impostos e até reduziriam

      Para não destruir o país de uma vez restou a ÙNICA alternativa de cortar os juros dos rentistas. Não foi porque são inteligentes, foi porque chegaram a um beco sem saída.
      Não está funcionando e a dívida aumenta rapidamente.
      Ou serão obrigados a aumentar/criar impostos ou irão para cima dos mais fracos, os aposentados.
      Vamos ver quanto tempo demorarão para cortar a aposentadoria de quem ganha acima do mínimo.

  2. Simplificando:
    O Brasil depois de 40 anos mal, com dívida impagável e sem esperança passou para a gerencia do PT.
    Durante 12 anos com o PT o país cresceu, teve superávites e pagou uma dívida antes impagável.
    Mas disseminaram que o PT não servia.
    Era só tirá-lo do poder e as coisas melhorariam muito mais. Automaticamente.
    Removeram o PT. Há cinco anos.
    De cinco anos para agora o país decresce, tem déficites e a tal dívida voltou a impagável.
    E parece que vai piorar. Se for possível.
    Alguma dúvida?

  3. E hoje podia-se ouvir o Sardenberg dizendo que a baixa dos justos vai incentivar o investimento. Agora vai

    1. O cínico que falava na inflação do tomate agora se esqueceu da carne.

      Juros baixos significava leniência com inflação, agora é oportunidade de investimento. Ah, tá.

  4. Não entendo de economia, meu parâmetro principal é o emprego. Se voce está empregado o país vai bem.O PIB, a Bolsa e outras formas de analise são apenas orientações de ten?ências para ganhar sem fôrça.

  5. REFORMA TRIBUTÁRIA

    Do blog do Sakamoto:

    “De acordo com Valente, a oposição está fechada na defesa da taxação de dividendos, grandes fortunas e grandes heranças, em acabar com desonerações e reforçar a máquina arrecadadora para combater a sonegação. Mas reconhece que é difícil esse pacote passar com a composição atual do Congresso Nacional. “Vai ser um teste de fogo. Nós estamos vivendo um momento do Brasil em que todos dizem ser contra a profunda e imoral desigualdade. Vamos ver quem de fato é contra, votando uma Reforma Tributária que mude isso”, complementa Alessandro Molon.”

    https://noticias.uol.com.br/colunas/leonardo-sakamoto/2020/02/05/oposicao-prioriza-taxacao-de-super-ricos-e-isencao-de-trabalhador-para-2020.htm

  6. Você tem toda a razão em destacar os buracos externos que vem se abrindo na nossa economia. Se por um lado o câmbio alto é bom no longo prazo, por outro ele tem um efeito político e econômico ruim no curto prazo. Além de o risco de uma crise cambial mais forte, que seria catastrófica.
    Porém na questão dos juros tem um outro ponto a analisar. Se a taxa pro tomador de empréstimo nao muda, pro aplicador muda radicalmente. Acabou (diminuiu) aquela mamata rentista em cima dos cofres do governo e estimula os poupadores a colocarem dinheiro na economia real.
    O lado da oferta está acertando. O problema é a falta de demanda, que este governo não ataca

    1. A ideia do governo é que a iniciativa privada passaria a investir com essas novas condições. Só que não. Eles não pensam o país. Preferem continuar com as aplicações a investir na economia real, em empregos. Assim essa demanda não virá nunca. O plano do PT era que os investimentos em infraestrutura criariam essa demanda, mas a tucanalha e a Lava Jato se encarregaram de melar.

  7. Li alguns comentários e pondero que não podemos ser tão simplistas assim. Em economia não funciona o esquema de parafuso e rosca. Nem sempre uma volta do parafuso significa a mesma volta na rosca. Pode ser mais ou menos!
    Somente está sendo possível reduzir os juros por 3 fatores que se interagem mas que tem alguma dinâmica própria(que em economia chamamos de variável autônoma que varia independentemente em sua função).
    Vejamos:
    -Imensa liquidez no mercado internacional dado os sucessivos “quantitative easing” dos BC dos países desenvolvidos(estima-se 30 trilhões de dólares);
    -Volume expressivo de reservas internacionais acumuladas nos governos do PT, constituídas exatamente para se contrapor a desvalorização cambial do quantitative easing praticado (dólares chegou a R$ 1,60-e levou os pobres brasileiros pra a disney);
    -Paralisia econômica, demanda interna ainda não retornou a 2014, desde o golpe que inibe o reajuste de preços(no jargão da imprensa brasileira-inflação baixa-quando o correto é:pequena variação no índice de preços).
    O BACEN JAMAIS conseguiria reduzir os juros (principal atrativo na entrada de moeda externa no Brasil), se não estivesse queimando RESERVAS EM MOEDA SONANTE. Em dado momento no passado recente o DELFIM chamou a atenção para que o Trombini estava certo em oferecer SWAP e não dólar no mercado à vista justificando que isso seria dar “carne fresca aos leões”. No atual momento vender dólar no mercado à vista é DAR PICANHA MATURADA AOS LEÕES E TAMBÉM AS HIENAS.
    O BACEN JAMAIS conseguiria reduzir os juros se os juros no RESTO DO MUNDO não estivesse também tão baixo e até negativo em termos reais matando definitivamente a POLITICA MONETÁRIA. Na próxima crise que se avizinha(crise das dívidas públicas e privadas mundial igual ao um PIB mundial) não haverá pra onde correr. Só o ouro físico EM casa salva.
    O BACEN JAMAIS teria condições de reduzir os juros se houvesse alguma atividade econômica mínima porque o INDICE DE PREÇOS(inflação) explodiria imediatamente. Vejam recentemente somente pela perspectiva de ter um (creiam pq eu estou rindo) Black Friday BOM e um NATAL razoável o empresariado saiu louco reajustando os preços (vejam o IPCA foi de 1,15% em dezembro e significou 1/4 da inflação anual).
    Ou seja, não há nenhum MÉRITO NA ATUAÇÃO DO BACEN ou do GOVERNO.
    É sobretudo um indício muito forte de total deterioração da economia brasileira e isso está PRECIFICADO NO VALOR DO DÓLAR HOJE.

  8. Li alguns comentários e pondero que não podemos ser tão simplistas assim. Em economia não funciona o esquema de parafuso e rosca. Nem sempre uma volta do parafuso significa a mesma volta na rosca. Pode ser mais ou menos!
    Somente está sendo possível reduzir os juros por 3 fatores que se interagem mas que tem alguma dinâmica própria(que em economia chamamos de variável autônoma que varia independentemente em sua função).
    Vejamos:
    -Imensa liquidez no mercado internacional dado os sucessivos “quantitative easing” dos BC dos países desenvolvidos(estima-se 30 trilhões de dólares);
    -Volume expressivo de reservas internacionais acumuladas nos governos do PT, constituídas exatamente para se contrapor a desvalorização cambial do quantitative easing praticado (dólares chegou a R$ 1,60-e levou os pobres brasileiros pra a disney);
    -Paralisia econômica, demanda interna ainda não retornou a 2014, desde o golpe que inibe o reajuste de preços(no jargão da imprensa brasileira-inflação baixa-quando o correto é:pequena variação no índice de preços).
    O BACEN JAMAIS conseguiria reduzir os juros (principal atrativo na entrada de moeda externa no Brasil), se não estivesse queimando RESERVAS EM MOEDA SONANTE. Em dado momento no passado recente o DELFIM chamou a atenção para que o Trombini estava certo em oferecer SWAP e não dólar no mercado à vista justificando que isso seria dar “carne fresca aos leões”. No atual momento vender dólar no mercado à vista é DAR PICANHA MATURADA AOS LEÕES E TAMBÉM AS HIENAS.
    O BACEN JAMAIS conseguiria reduzir os juros se os juros no RESTO DO MUNDO não estivesse também tão baixo e até negativo em termos reais matando definitivamente a POLITICA MONETÁRIA. Na próxima crise que se avizinha(crise das dívidas públicas e privadas mundial igual ao um PIB mundial) não haverá pra onde correr. Só o ouro físico EM casa salva.
    O BACEN JAMAIS teria condições de reduzir os juros se houvesse alguma atividade econômica mínima porque o INDICE DE PREÇOS(inflação) explodiria imediatamente. Vejam recentemente somente pela perspectiva de ter um (creiam pq eu estou rindo) Black Friday BOM e um NATAL razoável o empresariado saiu louco reajustando os preços (vejam o IPCA foi de 1,15% em dezembro e significou 1/4 da inflação anual).
    Ou seja, não há nenhum MÉRITO NA ATUAÇÃO DO BACEN ou do GOVERNO.
    É sobretudo um indício muito forte de total deterioração da economia brasileira e isso está PRECIFICADO NO VALOR DO DÓLAR HOJE.

  9. Gente, sei que temos sérias ressalvas contra o Ciro Gomes. Mas temos que prestar atenção numa coisa que ele disse numa entrevista anos atrás, prevendo a queda da taxa Selic. Ele explicava que a dívida pública tem dois tipos de títulos. Os de juros pós-fixados (que são esses que serão afetados pela queda da taxa Selic) mas tem os pré-fixados, que foram adquiridos quando a taxa estava alta – e esses continuam e vão continuar pagando juros altíssimos aos banqueiros. É por isso que a queda da taxa Selic para valores até menores do que a inflação não está dando o resultado prometido de redução drástica do déficit.

  10. Vejo cada vez mais amogos “classe medianos” tirando seu suado dinheiro de fundos de renda fixa e apostando na bolsa. Acho que vao quebrar a cara, pq quando os gringos esvaziarem seus investimentos, a bolha vai estourar

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