O coqueiro e o tombo

A pesquisa da Folha que indica um salto nas expectativas otimistas com o Governo Bolsonaro  deveria ser um motivo de preocupação em lugar de significarr regozijo para os que vão assumir o poder.

Preocupação porque o otimismo, neste caso, o otimismo não vem de fatos objetivos, da esperança na continuidade e aprofundamento daquilo que se tem, mas apenas do que se espera ter.

Não é preciso ir além da história recente para lembrar do que diziam nossos avós: quanto maior o coqueiro, maior o tombo. Dilma Rousseff bateu seu recorde de popularidade em março de 2013, segundo as pesquisas. Sic transit gloria mundi, despencou a menos da metade em junho, depois das manifestações que, para que se fiasse em números de pesquisas, seriam inimagináveis três meses antes.

A questão essencial é, portanto, se e o quanto a administração que começa em nove dias corresponderá a estes números, daí o fato de serem eles preocupantes.

É claro que não se pode fazer previsões absolutas em matéria de comportamento dos mercados mundiais – ainda mais com Donald Trump na presidência dos EUA – mas os dados que se tem – embora até possam levar a impressões exageradas – são o de um inicio de 2019 cheio de turbulências e dificuldades nas finanças internacionais e – de novo como aconteceu na ascensão de Michel Temer ao Governo, em 2016 – e é lá que estão as esperanças de aportes de investimentos para fazer nossa economia girar com mais intensidade.

Porque, internamente, gordura não há para queimar: há deficit público alto, o crédito via BNDES foi minimizado, as pequenas bolsas de energia para alimentar o consumo (como as do FGTS e do PIS, que Temer queimou) já não existem e a compressão dos gastos públicos, feita pela “PEC do Teto” já está bem próxima do “máximo caótico”.

Todas as evidências ão de que o que resta é “chutar a santa” das reservas internacionais, a nossa grande âncora de redução dos riscos da economia brasileira diante da confusa e revolta situação do dinheiro no mundo.

Por incrível que pareça, só uma possível hesitação política de Jair Bolsonaro funciona, neste momento, como proteção contra aventuras econômicas e traz dúvidas quanto à repetição de reedições do período inicial de Fernando Collor.

Que, curiosamente, também apresentava índices imensos de popularidade (71%) no momento de sua posse, contra apenas 4% de pessimismo com o que viria. Números que haviam caído para menos de um terço um ano depois e, na condenação ao presidente, se multiplicado por oito.

Nada que desminta a história do coqueiro, que Billy Blanco traduziu nos versos de Banca do Distinto: “A vaidade é assim, põe o tonto no alto, retira a escada/Fica por perto esperando sentada/Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão”.

 

 

 

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20 respostas

  1. Parece que nem o efeito positivo meramente estatístico depois de três anos de recessão e depressão econômica parece minimizar os danos provocados pela “política de terra devastada” dos Golpistas e dos Saqueadores.
    Eles devem se preparar agora para “colher o deserto” que será todo deles. Podem contar com a credulidade das sempre voláteis e volúveis massas que os apoiam e com o equilíbrio instável das gangues no poder. E principalmente com nosso silêncio, com nossa apatia e nossa falta de foco, unidade e organização. Esse será o combustível do novo bloco de poder.

    1. Policarpo, 65% dos brasileiros (segundo o Datafolha) acham que “as coisas vão melhorar no próximo ano”. Conversei com colegas, amigos e parentes (gente da classe média), e o otimismo era total.Entretanto, se existe algo que coloca as coisas no seu devido lugar (e acaba com as melhores ilusões), são as implacáveis leis economicas. Não há malabarismo que dê jeito de tapeá-las (ainda mais quando o governo anterior já esgotou o arsenal de truques)…..Vai daí, por incrível que pareça, estou otimista: como povo precisamos passar por um período educativo. Ninguém aprende nada na facilidade e na zona de conforto (isso vale principalmente para a esquerda e para os setores progressistas).

      1. O mesmo ocorreu em 2015. Os “economistas” e os “empresários” que anunciavam um céu de brigadeiro depois do impeachment, são os mesmos que agora anteveem tempos de recuperação e bonança. A grande imprensa faz a segunda voz desse coro alegre e irresponsável. Mas de fato não há nenhum sinal real de que o consumo e menos ainda o investimento vá se recuperar. Estamos e vamos colher o deserto que foi plantado com a política de terra devastada pelos Golpistas. O período econômico do 2º FHC, do Governo Ilegítimo e Golpista de Temer e de Bolsonaro, o breve só serviram e vão servir para um fim: pilhar o Estado e a sociedade.

      2. Cara Ana:
        O grande problema é que esses 65% de brasileiros que acham que “agora vai” não parecem muito apoiados na razão e sim na emoção. É recorrente. Einstein costumava dizer que a loucura consiste em se repetir seguidamente algo que não tem como dar certo, na esperança ingênua que da próxima vez “será diferente”. Eu concordo plenamente com ele. E você?

  2. Temos mais que um Iraque para reconstruir, reservas bilionárias e os gringos não gastaram uma bala de 38. Só isso já é suficiente pra subir o PIB nos primeiros meses. Só que depois viramos Puerto Rico.

  3. Houve um governo bem agradável para os menos favorecidos. A mídia conseguiu transformá-lo no pior do mundo. Não será impossível transformar o pior do mundo no mais agradável.

    Esqueçamos a razão. É hora de comemorar os efeitos das sensações(forjadas)…

  4. Maior o coqueiro maior é o tombo do coco afinal todo mundo é igual. Quando o tombo termina com a terra por cima e na horizontal ????

  5. Sabemos que é uma pesquisa manipulada . Sabemos que o jogo do neoliberalismo brinca com as informações. Essa turma joga e bem com o movimentos sociais. Tonto é quem acredita.

  6. Imaginemos por um instante não haver manipulação na pesquisa,que isso representaria ? ESTAMOS NUM PAÍS DE DOENTES MENTAIS.
    Não existe lógica alguma nisso,quero acreditar nos empurrâozinhos “da mídia amiga “,me nego a acreditar num resultado das eleições sem que tenha havido manipulação,as raposas cuidavam das galinhas (pela nossa imovilidade),todo é possível quando a imoralidade não tem freio,e no Brasil de hoje não tem.
    O óbvio,o lógico,é que os IMBECIS racharão a cara com o ASNO FASCISTA,E FINALMENTE OS CÃES TREINADOS PELO TIO SAM MOSTRARÃO AS CARAS.

  7. É autêntica a percepção das pessoas e a esperança. Acreditam que livraram o país do “comunismo” (os que encaram a corrupção como endêmica falam em alternância de poder) e estão dispostas a pagar pequenos preços, mas mantêm a esperança de que (pelo menos) a própria situação melhore. Mas não é um coqueiro alto, é um voo de galinha!

  8. Mas o q impressiona Brito é a burrice e a demencia q acometeu tantos brasileiros. Terao de fato o q plantaram com tanto esmero… rsrsrs

    FELIZ NATAL, BRITO. CORAGEM E SAUDE PARA ENFRENTAR 2019. BOAS FESTAS A TODAS E TODOS.

  9. Essa pesquisa não captou a expectativa e, sim, a torcida para o País melhorar. Quem seria louco de torcer contra? Os 37% que não acreditam nessa melhora são, infelizmente, realistas céticos que, como eu, não acreditam no neoliberalismo distribuindo renda e fazendo investimentos públicos,medidas anticíclicas necessária para sairmos desta crise.

  10. Como venho dizendo, a decepção é aliada de primeira hora da Revolução. É melhor o Jair já ir se preparando.

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