O desemprego que a taxa oficial não contabiliza

A taxa de desemprego convencional (a de quem está procurando emprego) chegou a 13,3% , equivalentes a 12,8 milhões de pessoas. Mas esta não é a taxa de pessoas que perderam suas ocupações, que quase dobre, se a estas forem acrescentadas as pessoas que, desde o início da pandemia: quase nove milhões.

A disparidade dos números é explicada, claramente, pelo fato de que não há condições de procurar emprego formal.

O caso dos empregados domésticos (ou empregadas, a imensa maioria de mulheres) é especialmente dramático: no final do ano, eram cerca de 6,3 milhões (contados apenas os empregos sem carteira) e, no último trimestre, pouco mais da metade: 3,3 milhões.

No comércio, 2,1 milhões de postos de trabalho foram fechados; na construção civil, 1,1 milhão. No setor de bares, hotéis e restaurantes, 1,3 milhão.

Apenas 47,9% dos brasileiros que compõe a força de trabalho possível estão ocupados, seja com carteira (o menor número da historia recente), no trabalho informal, na “viração” do trabalho por conta própria.

Mesmo com a reabertura do comércio e algum nível de retomada das atividades econômicas, há pouca esperança de que a taxa deixe de subir, porque muitos dos contratos de trabalho suspensos serão, com a crise, encerrados.

O próprio o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, admitiu, dias atrás, que “em setembro, os índices de desemprego vão dar um repique grande.”

O fundo do poço ainda está longe.

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