O fim do Ministério da Saúde

Poucos meses antes de completar seus 90 anos de criação – 20 dias depois da Revolução de 30, que pôs fim à noção de que a questão social seria “caso de polícia” – extingue-se, na prática, o Ministério da saúde no Brasil.

Pois o Decreto 14.902, assinado por Getúlio Vargas e Oswaldo Aranha, dizia que era atribuição do órgão estudar e decidir sobre os “assuntos de saúde pública e assistência hospitalar”.

É exatamente o que se acabou de perder com a loucura fascista que está sendo feita com o registro dos casos e óbitos pela epidemia do novo coronavírus.

Não é só a desinformação sobre os efeitos da pandemia. É a erosão, senão a própria demolição, da credibilidade da maior autoridade sanitária do país, responsável por disseminar informações e regras de conduta para toda a comunidade médica e hospitalar.

Do atropelo estúpido com o protocolo da cloroquina pode-se ainda dizer que contou com a cumplicidade inqualificável do Conselho Federal de Medicina. Da censura e manipulação de dados, nem isso: foi o general-ministro, cumprindo ordem do ex-capitão, emprenhado pelas ideias “geniais” do bilionário que iria para a Secretaria de Saúde do órgão de que “morria gente demais” nas estatísticas.

Se fazem isso com o Covid-19, porque não o farão com tuberculose, disenteria, acidentes vasculares ou cardíacos? É a maneira mais fácil de “resolver” qualquer problema sanitário do país: varrer-se para baixo do tapete.

Voltamos no tempo e, nesta truculenta república em que vivemos, mal não se definirá a questão social como sendo caso de milícia.

 

 

 

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9 respostas

  1. Augusto Heleno, o general que baba na farda, e Pazuelo: os sucessores de Washigton Luís e da mentalidade escravocrata brasileira. Diga-se a bem da verdade, o antigo presidente tinha pelo menos a desculpa de ser produto de sua época num Brasil coronelista e de forte pensamento escravagista, embora já pudesse, caso lhe interessasse, ter absorvido alguma coisa do iluminismo. Mas, da caserna, pouco havia o que esperar do ponto de vista intelectual ou humanista nas primeiras décadas do século passado. Já os atuais trogloditas nem desculpa têm para sua ignorância e violência genocida em pleno século XXI. Só medidas extremas poderão punir essa gentalha.

  2. Explosões populares que derrubaram monarquias, repúblicas e exércitos ja aconteceram às duzias e continuarão a acontecer sempre pegando desprevenidos os governos e exércitos, não por falta de avisos de sua desaprovação e impaciência, mas por que sempre se espera que não será uma explosão, mas algo parecido com o encher de uma represa, que dá para sempre monitorar o nível. Tô só avisando…

  3. Pensei que a ordem da CIA aos nossos generais do sub-comando se resumia a entregar nosso patrimônio, vemos agora que é mais abrangente, a ordem é destruir tudo que existe nesse país. Vestidos de fardas pomposas, medalhados até não caber mais dão uma falsa aparência de competência e força, só fachada.

  4. Só lembrando que, há uns 3 meses atrás, o débil mental número 3, Eduardo Bolsonaro, postava em s/ Twitter que “Mais uma vez uma ditadura preferiu esconder algo grave a expor tendo desgaste, mas que salvaria inúmeras vidas”, referindo-se à China. Que idiotice diria hoje o débil mental?

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