O lado cruel da idade mínima: o emprego quase zero para os mais velhos

Ótimo o trabalho de Marcello Corrêa, Ana Clara Veloso e Daiane Costa em O Globo, mostrando que os setores que mais dão emprego aos brasileiros são justamente aqueles menos tolerantes à ideia de aceitar trabalhadores com mais de 50 anos.

Dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2017, os mais recentes, mostram que em 11 de 21 segmentos econômicos há menos trabalhadores com idade superior a 50 anos que a média nacional. Segundo o levantamento, 16,6% dos 46 milhões de trabalhadores com carteira no país tinham entre 50 e 64 anos, mas essa fatia era menor justamente nos setores que mais empregam, como indústria e comércio.
Esses 11 segmentos concentram 60% dos empregos no país. O comércio tinha a menor fatia de empregados com mais de 50: só 9,67% dos mais de 9,1 milhões de funcionários no setor. Na indústria de transformação, que empregava 6,7 milhões de pessoas, a participação era de apenas 12,6%.

Como os brasileiros com idade igual ou superior a 14 anos, considerada pelo IBGE a população em idade  de trabalhar, representam mais de 30% do total – ainda que se deva descontar daí os já inativos –  não é difícil ver que, para eles, o emprego é difícil e um novo emprego, após perder o que tinha, quase impossível.

Isso acentua de forma dramática o que vai representar, se aprovada como está, a reforma da previdência.

Quem perder o emprego que tem – se ainda o tem – com mais de 50 anos vai se verá provavelmente privado de uma aposentadoria minimamente digna.

Perdem, se teriam direito a ela, a aposentadoria antes desta idade se tiverem o tempo de contribuição de 30/35 anos, ainda assim com apenas parte dos proventos, porque para tê-los integrais – e nem assim, com a fórmula de cálculo que se propõe – teriam de alcançar 40 anos de contribuição. Como, se não há emprego?

Pior ainda os que não conseguirem, por este motivo, alcançar o tempo mínimo: vão ter de se aposentar com parte dos proventos, com perdas de até 4o% nos cálculos, ou mais, se feitos da forma madrasta que se quer fazer.

Segundo projeção feita pelo UOL, um trabalhador que desconta hoje sobre R$ 2.240 e que se aposenta aos 65 anos tem proventos de R$ 2.016. Com a reforma, cai para R$ 1.139,  877 reais a menos, ou 46% de perda.

Some agora o fato de que, se aprovado o regime de capitalização – o que é ainda mais inviável para quem tem mais idade – sequer o pouco emprego estará disponível para eles.

Este é o papel criminoso da mídia e dos “economistas” que impedem que a população seja esclarecida do resultado concreto da reforma e a apontam como “salvação nacional”.

Viram cúmplices de u massacre de longo prazo com os mais jovens e de um genocídio social contra quem já tem uma vida de trabalho.

O que hoje já  é um problema transforma-se numa tragédia.

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2 respostas

  1. Os milicianos do mercado, da grande imprensa e do Supremo são imensamente mais perigosos do que os milicianos de rio das ostras ou que os carcereiros das araucárias, eles, e não os últimos, são a linha de frente do Golpe de Estado.

  2. Isso não é uma reforma da previdência – é de fato uma reforma fiscal imposta pelo mercado para salvar os bancos e seus banqueiros e rentistas. Para pagar juros da dívida que de fato precisa de uma CPI.

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