O motorista da esquina e as vias da “crivelagem” de fato

Na decretação do AI-5, conta a história, o então vice-presidente Pedro Aleixo teria dito que o problema do arbítrio não estava na alta cúpula do Governo, mas no que faria com ele o guarda da esquina.

Quem pode dizer que a agressão sofrida pelo ator Marcello Santanna, de 23 anos, ontem, na Zona Leste de São Paulo não seja a mesma expressão de poder “moral” nos punhos do motorista de ônibus que o agrediu a socos por ter dado “selinhos” em outro rapaz?

O motorista então, parou a lotação e aos gritos pediu pra que saímos da lotação. Me recusei, disse que tinha pago e perguntei qual seria o motivo pra gente sair. Ele então, levantou e na mesma hora resolvi não criar uma discussão e me despedi desse rapaz e da minha prima. Ao descer, levantei as mãos e disse “tá tudo bem, eu vou embora”, ele já veio nos socos, sem ao menos em nem ter tempo pra terminar de falar. O rapaz e minha prima desceram pra me socorrer, o motorista entrou na lotação e foi embora.

Quanto deste ato estúpido não foi provocado pelos que, como o prefeito Marcello Crivela e o desembargador que liberou a apreensão de livros, fizeram com a sua demagógica insensatez? Se eles transformaram, de olho na aprovação pública, seus preconceitos e recalques contra uma simples história em quadrinhos, onde um homem primário e estressado, dirigindo um ônibus, vai achar a noção de que não tem o “direito” de impor à força os seus “valores”?

Claro que a brutalidade covarde do motorista não pode ser atenuada por isso, mas é preciso ver que impor a intolerância, se tem ares de batalha ideológica nas áreas centrais e ricas das cidades, fora delas vira isso: socos e chutes, em lugar de liminares.

Estamos colhendo amargos subprodutos da estupidez de criar-se um novo tipo de demagogia, a demagogia sexual, à qual apelam vergonhosamente os que querem ganhar os votos do preconceito, da discriminação, da criação de um “inimigo moral”.

Quem acompanha este blog sabe da aversão que tenho em tratar de temas de comportamento num espaço de discussão política. O problema é que usar o comportamento para fazer política tornou-se uma abjeta realidade no Brasil.

Que cerceia, agride e fere pessoas e isso, na política, é sinônimo de barbárie.

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29 respostas

  1. Com esses milhares de pastores pregando contra a minoria LGBT’s, o que poderíamos esperar? Que eles oferecessem flores à eles? Frei Beto já disse, em livro, que o capeta vem do Norte: o neopentecostalismo..Prá mim, devido à sua chatice, são neo-pentelhocostais. Talvez uma vacina de pentacaralhato de culhambina ou uma injeção de guascacilina acalme essa gente.

    1. Um dia procurei na Bíblia quantas menções existem sobre problemas sobre LGBs e junto com isto procurei menções sobre magos, falsos profetas e embusteiros em geral, este último grupo de preocupação bíblica supera em muitas vezes qualquer preocupação com sexo em geral, ou seja, se alguém considera a Bíblia como um livro santo, deveria estar mais preocupado com os falsos profetas do que qualquer outra coisa.

      1. Dois em cada três evangélicos dizem que dedicam a vida a Deus e a Jesus e que seguem a Bíblia, mas na realidade dedicam a vida às suas igrejas e obedecem cegamente às “orientações” dos pastores.
        Segundo as pesquisas, dois em cada três evangélicos votaram no representante do anticristo, porque o pastor mandou. .
        Qualquer evangélico que se desse ao trabalho de ler Mateus 23 perceberia no ato que ao falar sobre os fariseus e os escribas Jesus descreve exatamente os pastores midiáticos e homens da lei do tipo de Moro e DD.

      2. a bíblia, que fala de Deus, é o livro que tem mais histórias de corrupção, libertinagem, traições, homossexualismo e vinganças de todo o mundo.

  2. O dia q encontrar um viado bom na porrada esse motorista ta ferrado
    Mas encher o onibus dessa linha de gays e lesbicas e fazerem repetidos beijaços parece tolo ou inocuo mas com tempo tem q aceitar… E claro exigir q o motorista seja demitido

    1. Não só demitido, como acionado pela justiça. Ele cometeu um crime.
      Aliás, acho que é cabível também pedido de indenização à companhia de ônibus. Dessa forma, os donos das empresas se preocuparão em tomar as providências necessárias para que fatos como esse não se repitam.

    2. Demitido ? Agressão física é crime sujeito a cadeia….lá vão dar um jeito na “macheza” dele.

  3. Qualquer semelhança com brigas de torcidas futebolístcas NÃO É mera coincidência. A direita mais atrasada soube instrumentalizar o preconceito e a política virou isso.

    1. Brigas de torcidas não tem nada com a agressão ao Marcello Santanna, brigas de torcida são como diz a palavra BRIGAS, ou seja, alguns corintianos encontram-se com palmeirenses e saem no braço. No caso do Marcello Santanna é uma agressão, não é uma briga, totalmente diferente, faz parte da tradição de torcidas futebolísticas o confronto entre elas, porém como disse é um confronto e fica claro que no caso o rapaz nem estava com disposição de confrontar ninguém.
      Estas bobagens de querer confundir as coisa leva a problemas bem mais sérios do que as brigas de torcida sofrem entre elas por livre e espancada vontade.

      1. Este teu ícone, Rogério, com cara de mau já é um mau sinal, parecendo que está de mal com a vida. Por que será que escolheste esta cara feia? Erras completamente ao dizer que briga de torcidas é uma tradição. Deves ser jovem e sem grande história em estádios. Eu comecei a assistir jogos em 1945 com 5 anos de idade e nunca vi brigas. Deixei de frequentar aí pelos anos noventa quando a televisão se tornou dona do futebol, especificamente a Globo, incentivando as tais torcidas organizadas e tornando aqueles que deveriam ser apenas espectadores em palhaços querendo ser protagonistas e passando o jogo inteiro de pé pulando como idiotas e com gritos imbecis de guerra, como de quartéis (pagando para ver um espetáculo eu deveria ter o direito de vê-lo com tranquilidade, sentado, sem histeria ao meu redor, como qualquer ser civilizado). O futebol, aí então, virou realmente um rinhedeiro, mais ridículo com a chegada dos atletas de cristo, ajoelhados e rezando para o deus deles fuder com o time adversário. Briga é briga, não existe diferença. É sempre uma agressão e um recalque do agressor por não ter a força de argumentos e então apelar para o argumento da força. Circula agora na Internet o trabalho de um sociólogo – parece-me que alemão – demonstrado que quanto menor o Quociente de Inteligência de um indivíduo tão maior é o seu conservadorismo e intolerância; resumindo, quanto maior a oligofrenia (até os graus de idiotia ou imbecilidade) tanto maior é o grau de agressividade. Ler, estudar, conhecer os mistérios do mundo, do universo, do ser humano, é muito mais difícil do que ficar se musculando numa academia; com o aceleradíssimo desenvolvimento das ciências e da tecnologia, cada vez mais é desnecessária a força muscular, tantos equipamentos e aparelhos surgindo constantemente para substituir esforços desnecessários. Então, um oligofrênico acaba sendo “famoso” arrebentado a cara do outro ou fraturando a sua perna numa dessas lutas grotescas que dizem ser esporte. Ou surram mulheres, as suas ou outras que não dão bola para músculos mas para cultura e inteligência. Surram crianças até com porretes quando exercem qualquer função dita de segurança, até de botequim ou de cabaré. No caso de gente que agride homossexuais, até estudantes na primeira semana de psicologia ou psiquiatria sabem que há um nítido mecanismo de defesa da auto estima do agressor, por ter um instinto muito forte para assumir seus desejos homossexuais que é recalcado pela rejeição ainda forte da sociedade, fazendo então com que ele coloque a culpa pela sua covardia naquele que ultrapassou as barreiras do preconceito. Em resumo, Rogério, todo agressor é na realidade um covarde. E briga é briga. Como não entendeste bem a questão, dá uma lida na síntese bem exposta pela Mary Rose, aí atrás.

      2. OK, entendo sua argumentação e talvez não tenha usado o termo mais adequado. Mas é fato que há histórico de AGRESSÕES em que a vítima simplesmente usava a camisa de um time que não era o do agressor, e a vítima também não queria briga. Daí a comparação futebolística. Em suma, pura alienação, baixo nível e barbárie – parte da direita nos últimos anos transformou a politica nisto.

  4. A questão real é o ataque à liberdade e aos direitos de TODOS os cidadãos, não apenas da minoria sob ataque.
    Não podemos entrar na armadilha dos fascistas que querem particularizar e reduzir o debate a uma questão de costumes, afeita somente a um segmento da sociedade. O que os democratas têm que defender não é APENAS os direitos de uma minoria, são as cláusulas pétreas da Constituição que os fascistas querem deletar, são as garantias constitucionais que nos protegem A TODOS contra a tirania. Este deve ser o foco do debate que, infelizmente, muitos não percebem e, por isso, são facilmente vencidos pela força do preconceito.

  5. Tema de comportamento está entrelaçado com política sim! Não podemos fugir de discussões de comportamento e religião! Já ouviram a frase: Não se discute política e nem religião.. Dessa forma você deixa as pessoas sem um contraponto. Existem tantos erros tanto no Velho Testamento como no Novo Testamento que a grande maioria dos Evangélicos nem fazem ideia. Então, são pessoas que estão fora do alcance de analisar a situação, pois não se dialoga com eles! Votaram em massa num miliciano para presidente e mentiroso! Sempre que possível Fernando, traga assuntos espinhosos para debate!

  6. A brutalidade tem um fundo protestante neopentecostal em sua raiz, se formos atrás desse pobre motorista, encontraremos um trabalhador espoliado, humilhado e massacrado pelo sistema que busca em deus e na igreja o lenitivo de tantos dissabores.

    Pois bem, lutar contra essa onda de obscurantismo é fundamental , mas tudo não passa de obscurantismo barato, falastrão, bufonaria pura, pois enquanto se distrai os idiotas e inclusive se distrai gente de boa cepa intelectual com questões de mero costume, sobretudo as que estão ligadas a vida sexual, vão destruindo a nação, nossa soberania, nossa rede de proteção social e qualquer saída para um futuro onde a pobreza e a exclusão sejam passado.

    Claro que ficamos com vontade de socar na mesma intensidade o motorista….mas este traste evangélico não passa de uma besta a serviço do grande objetivo, levar novamente a condição servil nossa classe trabalhadora.

    Vamos socar sim, socar a burguesia.

  7. O golpe continuado perpetrado pelos canalhas nos trouxe “a hora dos monstros” sob a égide da era BOSTAnossaura!

  8. Que notícia mais indigesta. Então qualquer tiozão frustado agora se sente no dever de corrigir comportamentos a partir de sua força física? Onde esse país chegou? Ou lutamos todos os não haverá mais possibilidade de convivência por aqui

  9. Pasmo em ver alguém apanhar de outra pessoa que, em iguais condições, poderia enfrentar. Não sou machão e nem lutador, mas para alguém bater em mim deverá ter alguma vantagem.

  10. Aos fascistas o tratamento não deve ser igual, mas sim pior…. Chega de tratar este tipo de escroto com republicanismo.

  11. É a “normalidade” evangélica de um político que quer se re-eleger; pior, a quantidade e coxinhas que acha isso “normal” é assustadora. A selva é aqui. Só resta uma saída e solução: LULA LIVRE! LULA LIVRE JÁ!!

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