O mundo vacina pouco; o Brasil, nem isso

Um mês depois de começada a primeira campanha de vacinação em massa – dia 8 de dezembro, na Inglaterra – é francamente decepcionante o alcance da vacinação contra a Covid 19 no mundo: 0,17 da humanidade (ou 17 pessoas em cada 100 mil seres humanos) já recebeu a primeira dose do imunizante.

E a conclusão óbvia é a de que não há disponibilidade de vacinas, porque as aprovações dos órgãos sanitários se multiplicam a cada hora.

O Brasil, porém, enfrenta uma situação inversa: temos no Butantan cerca de 10,8 milhões de doses da chinesa Coronavac, não muito menos do que se aplicou no mundo inteiro até agora, e zero de pessoas imunizadas.

Há várias constatações neste informação.

A primeira é a de que era possível conseguir vacinas antecipadamente, tanto que São Paulo as obteve.

Segundo: a quantidade de vacinas necessárias aos países de grande população torna indispensável a produção local do imunizante: é o que fizeram EUA, China, Rússia, Alemanha, Reino Unido e Índia. Nos países da União Europeia, a proximidade e a integração econômica encarregam-se de reduzir este problema.

Mas a produção por licenciamento não foi um problema para o acordo Butantan-Sinovac e nem para a Atrazêneca/Oxford, tanto que estamos tentando a compra de suas vacinas de um produtor licenciado indiano, o Serum Institute, aliás uma empresa privada, que tem hoje 60 milhões de doses prontas?

Por que, então, não houve o mesmo aqui? Questões técnicas (quais?) ou financeiras?

Há mais: Porque foram suficientes as informações fornecidas pela Oxford/Astrazêneca para a agência sanitária inglês (além de outras, como Índia e México) e não são para a Anvisa? O que falta? O que está provocando dúvidas?

No caso da vacina obtida com os chineses é evidente a má vontade (ou o receio da má vontade) do governo brasileiro com sua liberação. Ou se pode achar diferente se o próprio presidente da República disse que “essa o Brasil não compra” e fez o Ministério da Saúde recuar na intenção de contratar seu fornecimento?

Com a quantidade de doses que São Paulo diz ter estocada e a aprovação de sua eficácia, poderíamos esta imunizando todos os trabalhadores da linha de frente da área de saúde e os brasileiros com mais de 70 anos, idade onde o risco de morte pela doença é mais alto.

E não há dúvida que a negociação da China com um país do porte do Brasil se daria em condições mais vantajosas que as de um acordo com apenas o Estado de São Paulo, inclusive no acompanhamento do desenvolvimento e testes do imunizante.

Estamos, porém, com todas as fichas na “vacina de Oxford” e só o que há para apressar a sua entrega seria o interesse de Jair Bolsonaro em evitar que João Doria saia de escoteiro vacinador.

Não é uma questão de achar que o Brasil pouco se lixa para a vacinação: são os fatos que o mostram.

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