O país afunda e eles tuítam

É impressionante o grau de estupidez a que chegaram os dirigentes de nosso país.

Sob a proteção de Jair Bolsonaro, o Ricardo Salles chama o presidente da Câmara de “Nhonho” – personagem do humorístico Chaves – e Rodrigo Maia, dando seguimento à comédia diz que o presidente do Banco Central, Roberto campos Neto, não tem capacidade de dirigir a instituição porque teria vazado para a imprensa um telefonema no qual, ontem, teria dito a ele que sem as reformas de Guedes o país entraria em convulsão financeira.

A internet já os apelidou de “5ª série”, por conta da infantilidade de seu comportamento, mas acho injustiça para com os pobres adolescentes, cujas palhaçadas não inconsequentes, ao contrário das de suas excelências.

Maia parece ter feito o último – por enquanto – movimento da série de patacoadas, soltando um comunicado em que diz que Campos Neto negou ter vazado a conversa – o que teria sido feito por outras pessoas – e que tem “confiança” nele.

Os personagens são todos falsos e risíveis.

Salles, ao reproduzir bobagens de bolsominions. parece estar seguindo a rota de Abraham Weintraub: prestes a sair do governo, depois dos xingamentos a militares e, agora, com a decisão da Ministra Rosa Weber, do STF, de anular a sua absurda resolução de libera manguezais e restingas à predação econômica, joga para a “galera”, quem sabe de olho já nas eleições de 2022.

Campos Netto, em lugar de estar exercendo seu papel institucional de guardião da estabilidade da moeda brasileira, que se derrete de forma inapelável, deveria estar explicando quanto de nossas reservas cambiais está sendo dilapidado numa sucessão de leilões de dólar, inócuos para manter o valor do real, mas um grande negócio para grandes operadores de câmbio que já aprenderam que é forçar para cima, esperar o BC leiloar, vender e recomprar adiante. Sem falar insanidade de manter a Selic negativa em juros reais, mesmo com o Tesouro tendo de pagar no mercado taxas bem mais altas.

Rodrigo Maia, se tem razão ao dizer que o governismo está trancando a pauta da Câmara, deveria estar fazendo isso diretamente, porque o país depende, para o ano que vem, de definições que serão dadas pelo Orçamento público e passou-se o mês sem sequer ser instalada a Comissão que o analisará. Claro, tudo para jogar com a impossibilidade de que o governo faça despesas fora do rotineiro na entrada de 2021 e que o gasto público possa ser materia casada com a eleição (ou reeleição) dos presidentes da Câmara e do Senado.

São coisas, como se vê, que não fariam crianças da “5ª série”.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email