O que nos espera após a eleição sem sal?

Hipocrisia, em grego, tem o sentido de encenação.

Pois é exatamente uma encenação o que estamos vivendo neste momento, com o país numa situação insustentável na economia, tudo como se estivéssemos a caminho de uma recuperação estrondosa da economia.

Tales Faria, no UOL, com a lucidez de quem acompanha há 30 anos a política brasileira dá, em sua coluna, o nome quase perfeito do quadro brasileiro, ao dizer que estamos vivendo uma situação de estelionato eleitoral.

Digo quase perfeito porque eleitoral parece voltar-se mais para a sensaboria destas eleições para prefeito, nas quais a população, com sabedoria, vê tão pouca importância.

É, mas, para Bolsonaro, tem outra natureza diferente da que tem para os integrantes do Centrão, estes, sim, preocupados em eleger prefeitos.

Para Bolsonaro, entretanto, é a garantia de que o processo eleitoral não possa ocorrer sobre a luz do que seu governo fará em matéria antipopular e antidemocrático.

Nisso, Tales acerta com exatidão:

Entendeu por que governo e o comando do Congresso empurraram com a barriga essa história de reforma tributária, novos impostos, reforma administrativa, cortes de salários e benefícios previdenciários? O acerto é esse: eles se entendem ao máximo agora, planejam tudo e seguram as votações para depois das eleições municipais. Aí, nas primeiras semanas de dezembro, entre o fechamento das urnas e os festejos de Natal e Ano Novo, podem abrir o saquinho de maldades…

Esse é, claramente, o plano.

E planos sempre se acham perfeitos. Há neles, entretanto, o risco da realidade impor-se em rumo diferente.

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