ONS adverte que ‘apagões’ serão inevitáveis

O que se disse, com clareza, aqui, ontem, foi confirmado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) está agora na manchete ou na capa de vários dos grandes sites de notícias.

ONS prevê reservatórios vazios, usinas paradas e alerta para ‘restrições no atendimento’ de energia, diz O Globo, o que repete a Folha: ONS prevê reservatórios quase vazios e ‘perda do controle hidráulico’ no segundo semestre. E no Valor: Em alerta, ONS prevê colapso de oito reservatórios de hidrelétricas até novembro.

Bem, ao menos paramos com as bobagens do tipo “racionamento de energia está descartado”. Racionamento é medida administrativa, pode ou não ser adotado, mas a queda de carga – o apagão – é contingência operacional que não depende de decisão das autoridades energéticas, simplesmente acontecem quando a geração não corresponde à carga ou não se pode manobrar a tempo o consumo na ponta das redes.

E isto não ocorrerá apenas com o colapso total de geração de energia em algumas das maiores usinas de geração do país. Estas oito, que podem colapsar, são apenas parte das muito mais que terão de operar com menor vazão e, portanto, menor produção de energia. Esta depende do número de turbinas que podem ser deixadas em operação com queda da vazão e, até, com a correspondente geração elétrica derivada de uma menor potência hidráulica.

Todas as bacias que contribuem para o Rio Paraná estão com um nível de precipitação acumulada, nos últimos 12 meses, 40% menor que a média de longo prazo, o que se agrava pelo fato de já estarem, em 2020, em um nível muito baixo, que só não foi explosivo por conta da redução de consumo ocorrida nos três primeiros meses da pandemia.

Claro, tudo pode mudar se houver um evento milagroso de crescimento das chuvas no período de seca no centro do país, mas isso é para lá de improvável.

Quem quiser que se recorde da promessa de Jair Bolsonaro de “meter o dedo” no sistema elétrico.

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