Os dilemas do ‘partidão’ da direita

Anuncia-se que está para sair do forno a fusão entre Democratas e PSL, para formar um enorme partido, o maior da Câmara, com cerca de 80 deputados, com um espectro político que, francamente, faria inveja ao MDB dos velhos tempos.

Vai ser menos simples do que parece, assim que surgir um problema: é um sonho destinado a encalhar no primeiro “divisor de águas” bolsonarista que se apresentar na correnteza.

Há de tudo ali em matéria de adoração e rejeição ao atual presidente e muitos, muitos caciques que não estão dispostos, com a popularidade baixa do ocupante do Planalto, tanto quanto há parlamentares que contam com o bolsonarismo mais agudo para terem voto no cocho de ódio que Bolsonaro se encarrega de manter cheios.

É uma salada que vai de Onyx Lorenzoni e Luiz Henrique Mandetta a Joice Hasselman e José Luiz Datena.

Dos 81 deputados das duas legendas, é provável que, dependendo de para onde as coisas rumem, fiquem pouco mais de 50.

Nada disso, porém, influi na equação que importa: recursos do fundo eleitoral e tempo de televisão (que é conversível em dinheiro de campanha, pelas coligações, transferido por quem ficar com a cabeça de chapa), valores que são distribuídos de acordo com a bancada eleita em 2018.

O que importa disso ao atual presidente? Tudo indica que ele seguirá a estratégia da eleição anterior, pois o tempo de televisão extenso é inútil a quem não tem o que mostrar e que não tem carisma pessoal que vá além de seus convertidos.

É curioso que, ao falar à Veja sobre os partidos com quem tem conversado sobre sua possível entrada, Bolsonaro não tenha incluído o “partidão da direita” na lista de possibilidades:

— Sobre o partido, eu não vou fugir de estar no PP, PL ou Republicanos. Não vou fugir de estar com esses partidos, conversando com eles. O PTB ofereceu pra mim também.

Não creio que Bolsonaro vá para qualquer partido mais expressivo, por sua inapetência em administrar conflitos e incapacidade de gerir diversidades. Mesmo no então minúsculo PSL todos viram o estrago que foi capaz de causar.

E para os partidos médios é também vantajoso que o casamento com Bolsonaro seja um negócio, não um casamento de papel passado, para usar metáfora ao gosto do presidente”.

Sem certidão, não há traição.

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