Os “e daís” vieram para ficar

A manchete da Folha expõe as contas que fazem a turma da austeridade fiscal se debulhar em lágrimas, as mesmas lágrimas que não lhes arrancam a morte de milhares de “e daís” brasileiros.

Nem vou cometer a indelicadeza de dizer que o valor que estampam ali é menor que o lucro em dois anos dos quatro maiores bancos do país.

Como também não vou lembrar que ao menos um terço disso retorna aos cofres públicos na forma de importo, porque são os pobres os que mais carregam a carga tributária do Brasil.

A pergunta que se deve fazer diante disso é outra: se o presidente já anunciou que não há dinheiro para “manter isso daí” e tudo indica que a duração da crise econômica será bem longa, quem é que vai tirar isso dos pobres daqui a dois meses?

Em julho, agosto ou setembro, quem estará contratando pedreiros, serventes, encanadores? Estaremos lotando os camelódromos, contratando pessoas para organizar eventos, estendendo faixas de “estamos contratando, com ou sem experiência”?

Como isso não vai ocorrer, como deixar uma massa que não ficará aquém de 20 milhões de desempregados sem a cesta básica que está comprando ou vai comprar com este auxílio emergencial?

Será que passa pela cabeça de Paulo Guedes ou pela de Jair Bolsonaro que vai bastar dizer que “acabou e agora é cada um por si?”

De repente, o vírus acabou por incluir os pobres, os desvalidos, os invisíveis no Orçamento do Brasil.

Quem pretender tirá-los que se prepare para ficar maldito.

A resposta para um país ter 50 milhões de miseráveis já não poderá ser “e daí?”

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5 respostas

  1. Infelizmente, o monte-de-merda que ocupa a presidência não está nem aí para os pobres, os desvalidos, os necessitados( até por total incapacidade de entendimento, não há um cérebro pensante por trás daquela cara de asno). Seu compromisso, e de seu incompetente ministro da economia, é com os rentistas, com os banqueiros, com o mercado.

  2. Ano de eleiçao nas prefeituras e com enem agosto setembro e outubro o brasil vai ferver

    Como os prefeitos e governadores vao auxiliar com eleiçao? Vai parecer favorecimento compra de voto etc

  3. Mas, ninguém chora pelos quase 2 bilhões (1.2 de compulsório + 600 bi da PEC 10), que estão sendo liberados pra o mercado financeiro. Vivemos numa plutocracia e o povo não se dá conta. Esse desgoverno está assaltando a nação em plena pandemia.

  4. Não adianta, muita gente vai morrer de fome acreditando que a culpa é do PT.
    Quem sofreu lavagem cerebral não se recupera mais, o cérebro é um órgão que não se regenera.

  5. Eu não vi a Folha dar destaque a uma outra conta, muito mais impactante que essa. Uma conta trilionária, de R$ 1,25 trilhão de dinheiro que o Banco Central já garantiu aos bancos e a seus acionistas.

    Também não vi o jornal que se gaba de ser oposição ao governo do Bozo dar destaque a outra conta, também trilionária, que vai ser jogada sobre os ombros de mais de 200 milhões de brasileiros. Falo da absurda, inominável, compra de títulos podres pelo BC que está para ser aprovada por 80% ou 90% do Congresso Nacional. Congresso que também estaria fazendo oposição ao Bozo.

    Mas, R$ 154 bilhões, que se transformam em uma merreca nas mãos de dezenas de milhões de brasileiros que irão receber, é, para a Folha, uma conta grande demais e que deve ser enfatizada de forma negativa. Portanto, deve ser suprimida o mais rápido possível. É o que, na verdade, a Folha quer dizer, mas não se arrisca a fazê-lo de forma clara e límpida.

    Na verdade, uma mostra a mais, apenas, de quais interesses são defendidos pela pretensamente democrática Folha de São Paulo.

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