Os generais que se rebaixam

A anunciada decisão dos comandantes militares de deixarem seus cargos antes da posse do presidente eleito, para que não tenham de bater continência a Lula, é – espera-se – o último episódio da aventura suicida em que as Forças Armadas se lançaram desde que acharam que Jair Bolsonaro seria o caminho para uma impossível volta ao mando que tiveram sobre o país durante a ditadura.

Nem tanto pelo destino dos comandantes – que deixam os cargos, rumo a uma confortável aposentadoria, livre dos limites impostos aos civis – mas pelo mau exemplo que dão aos seus comandados, que veem seus chefes, por razões de ordem meramente político-ideológica, recusarem-se à disciplina e à fidalguia indispensáveis a quem deveria ser o espelho de suas tropas.

E de quem, por honra e lealdade às suas corporações, deveriam pretender para elas a normalidade institucional e o profissionalismo como condição permanente.

Revela que, ao sentirem-se na posição de “derrotados” – e nem esta justificaria seus atos – assumiram que assumiam-se não como subordinados, mas “sócios” de Jair Bolsonaro.

Não por méritos da carreira militar do ainda presidente, que só através de arranjos escapou da expulsão, e certamente não pelo seu desempenho à frente do país, marcado pelo morticínio da Covid e por um desempenho econômico-social que é generoso chamar de pífio.

Mas é, sobretudo, um sinal de pequenez o que sinalizam, ao fazerem, à sua maneira, a mesma negativa de passagem da faixa que o ainda presidente prepara.

Igualam-se a Jair Bolsonaro, sem a dignidade de colocar a disciplina, a lealdade e seus deveres à frente de suas eventuais opiniões políticas.

Deixam evidente que não dão golpes na legalidade não porque isso repugna às suas obrigações constitucionais e às suas consciências mas, simplesmente porque não podem dá-lo.

Impossível, mesmo aos que têm respeito e boa-vontade com as Forças Armadas, deixá-las de fora do bolsão antidemocrático de alucinados que se amontoam às portas de seu quartel.

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