Posse de Lula pede cuidado com os ‘Jefferson’

Faz tempo, insiste-se aqui que se vai formando um “fator Jim Jones” na alucinação generalizada nos grupos bolsonaristas e que a tolerância e inação com que são tratados só aumenta o perigo de que isso passe do diagnóstico psiquiátrico para os registros policiais de atos de violência.

Não é paranoia, embora fosse muito melhor que não passasse disso. Os exemplos pululam e, para ficar no mais chocante deles, quem iria acreditar se um personagem como Roberto Jefferson fosse disparar um fuzil e lançar granadas sobre policiais federais?

São, portanto, poucos os cuidados que se tome com a segurança da festa de posse de Lula, que começa a ser organizada agora. Aos que o fazem, seria muito bom lerem o que escreve Janio de Freitas, na Folha.

Fanáticos, maníacos, obcecados, em variadas aglomerações ou sós, hoje são muitos milhões à disposição de manejadores. E a verdade é que o compromisso militar com a ordem constitucional não é confiável.
Lula é aguardado por uma missão gigantesca. Só a restauração do que os jagunços de Bolsonaro devastaram já ocuparia o mandato.
O urgente é muito maior. São 33 milhões passando fome, na contagem que não pode alcançar nem a verdade das favelas, quanto mais os fundões desse país sem fim.
E Lula já recebeu o renovado reconhecimento e a celebração do mundo, postos na sensação de que “O Brasil voltou” na sua volta. Deve ter recolhimento assegurado. Expô-lo e expor-se é de uma irresponsabilidade inominável, mesmo se inconsciente.
Um lema talvez útil para estes e os futuros dias: Lula não foi eleito para ser alvo.

É certo que as condições políticas do país (e as geopolíticas, em plano mais estendido) tornam a hipótese de violência um ato de loucura, mas desde quando nos vêm faltando loucura por estas bandas?

A festa é legítima, justa, necessária e mesmo indispensável para marcar o início de novos tempos. Nem por isso, como adverte Janio, devem seus organizadores ignorar que “fanáticos, maníacos, obcecados, em variadas aglomerações ou sós, hoje são muitos milhões à disposição de manejadores”.

E que têm, nas forças de segurança – que, em tese, deveriam dispersá-los e anulá-los – muitos a dar guarida aos Jefferson disponíveis.

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