Processo das delações gera promiscuidade entre MP e bandidos

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A revelação de que o ex-procurador Marcelo Miller, então braço direito de Rodrigo Janot, trocava e-mails de aconselhamento e participava do planejamento de gravações dos delatores da JBS mostra um aspecto terrível do que o processo de delação premiada criou no Ministério Público: a promiscuidade com empresários-bandidos, uma vez que, postos a negociar, é de se esperar que os “negócios” resultem em benefícios pessoais.

Afinal, estão em jogo meses ou anos de cadeia para homens ricos e indenizações bilionárias a serem pagas pelas empresas. Qualquer “desconto” tem potencial para render polpudas vantagens para quem os concede.

Talvez seja esta uma boa questão a se pensar para entender porque a Polícia Federal quer também o poder de firmar acordos de delação e porque o Ministério Público quer o seu monopólio.

Ainda mais porque a homologação judicial destes acordos virou mera etapa burocrática e não há senão raríssimas notícias de que algum juiz oponha resistências a concordar com o acerto, exigindo no máximo alguns reparos formais no “contrato de delação”.

Como provar acusações virou coisa do passado, basta que o encrencado aponte o dedo e diga que fulano ou beltrano fez “acertos” que está tudo pronto para a condenação.

As falas da bandidagem da JBS, entretanto, têm um efeito mais imediato, atingível até por quem se limita a pensar “dentro da caixinha” e não percebe que o processo delacional tornou-se, ele próprio, um veneno para a verdade.

É que tornam verossímil o trecho da “conversa de bebuns” onde se diz que, via Marcelo Miller, Janot tinha conhecimento das patranhas que armavam. Miller não era um “bagrinho”, como – em março, bem antes desta história todo – o Estadão registrou apontando-o como o negociador da delação de Delcídio do Amaral e de Sérgio Machado, da Transpetro, ambas com o expediente de gravações subreptícias e participante dos entendimentos com o meganegócio com 77 executivos da Odebrecht.

Já não era crível que o chefe da Procuradoria estivesse  alheio a como se negociava uma megadelação como esta mas, agora, com seu pupilo entrando na lama da JBS até a medula, como acreditar que ele subscreva sem pestanejar um perdão “amplo, geral e irrestrito” a quem confessava ter corrompido dezenas ou centenas de políticos?

A não ser que o Dr. Janot queira nos convencer de que é um parvo, um bobo, um otário a quem dois escroques e um colega “acertado” passem para trás sem cerimônia ou dificuldade, num assunto de tamanha seriedade.

contrib1

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12 respostas

  1. putz grila! eu não aguento mais… todas as madrugadas, quando me desligo do real para os sonhos, eu penso, não vou mais ler jornais…. mas no dia seguinte tó eu de frente do Tijolaço, do GGN, do Nocaute, do The Intercept (nunca tinha pensado que um dia eu daria crédito a qualquer norteamericano que seja, pois tenho medo desta gente, são extremamente violentos e sem civilidade, mas o Intercept parece até que é nossa gente), do Viomundo, do DCM, do Ninja e por aí vai… E fico o dia inteiro pensando nas notícias ruins que leio… o que me aliviou foi a caravana do presidente Lula, ela me energizou, me deu forças. Viva Lula!

  2. A molecagem tomou conta dos poderes da república. O EMEPE precisa ser dissolvido.
    O ESSETEEFE com o golpe só tem ministros nanicos.
    Quem fala alto manda no pais.
    A velha mídia – a casa grande – grita e os servos obedecem.

  3. “Não foi prá isso que fizemos o golpe”: O MP americano, a NSA e a CIA vão acabar “jogando a toalha”, o MP tupiniquim não resiste aos holofotes e às tentaçõe$$$$…

  4. A TAL DE DELAÇÃO PREMIADA(mais uma da Dilma) É A CHAVE QUE ABRE O COFRE À CORJA DOS SEM-VERGONHAS, E ÓBVIO NÃO ME REFIRO AOS ACUSADOS.

  5. O que realmente fica claro é que existe uma guerra entre facções criminosas, a empresarial, a judicial, a policial e de quebra aquela famosa mediática, capitaneada pela Globo.

  6. Otário o RJ provou que é, ao aceitar um convite para um arrego num boteco e ser fotografado a soldo de um sítio da direita. A deixa pro momento certo para o registro do otário escondido atrás de um par de óculos escuros foi a saída do terceiro personagem à mesa. Essa foi a senha. Se não é um perfeito otário, é um bandido muito do descarado.

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