Pseudoquarentena é mais uma loucura da falta de governo

Se o caro amigo e a distinta amiga leitora quiser ver como é simples esta questão de exigir-se ou não certificado de vacinação contra a Covid, há um argumento irrespondível.

É só ir na página da Anvisa e baixar a extensa lista de 125 países ou territórios autônomos que exigem, para que um brasileiro possa ingressar neles, um certificado idêntico, só que de febre amarela.

Que se saiba, isso nunca foi um drama nem motivo de um presidente da República insurgir-se contra esta afrontado “direito de ir e vir” e a “liberdade de escolha” de cidadãos brasileiros.

Nem se vê protestos contra a exigência de dezenas de países – os da Europa e os Estados Unidos entre eles – de um certificado de vacinação contra o coronavírus. Não se diz, sobre nenhum deles, que tenham “fechado o espaço aéreo”.

Mesmo países onde o turismo representa grande parte do PIB, como a Espanha, onde a atividade responde por quase 15% do PIB, têm exigências semelhante e até mais duras quando se trata de brasileiros.

Deveria, portanto, ser uma questão prosaica a adoção da exigência de apresentar prova de vacinação para entrar no Brasil, sobretudo quando se aproximam eventos de aglomeração , como as festas de Ano Novo e o Carnaval.

Mas não é porque tudo serve para Jair Bolsonaro sustentar a sua estúpida “guerra ideológica” e manter acesos os grupos ferozes que se reúnem em torno de seu nome. Para eles, liberdade é um valor meramente pessoal, nunca social: seja nas armas, seja em vacinas e medicamentos, seja nas relações de trabalho (como na sua recente defesa do trabalho análogo à escravidão). Só vale um suposto “interesse coletivo” nas questões de ordem “moral”.

O resultado prático é que estados e municípios vão ter de “vigiar” uma quarentena não se sabe de quem. Quem sabe orientar os guardas municipais a pararem qualquer um com “cara de gringo” e pedir os papéis? Impraticável e ridículo.

Como já se escreveu aqui, é isso que leva as autoridades estaduais e municipais a uma “bateção de cabeça” em matéria de medidas sanitárias que nem é preventiva, nem é eficaz.

Esta situação do Rio de Janeiro, onde se interdita ao tráfego de veículos e se restringe o transporte coletivo até a Praia de Copacabana para a queima de fogos, mas com o prefeito Eduardo Paes dizendo que “é claro que vai haver aglomeração” de pessoas chega ao ridículo e, tomara que não, pode ir até a cenas de confusão, com as pessoas se amontoando para usar os ônibus raros na madrugada, já que o Metrô, como se anuncia, fechará às 23 horas.

Parece coisa de maluco. E é.

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