Quem deveria voltar às aulas são os dirigentes da Educação

Nada surpreendente o resultado do Datafolha que aponta serem contrários à reabertura das escolas nada menos que três quartos dos paulistanos – e, creio, dos brasileiros em geral.

É a atitude óbvia de quem preza a vida e a saúde de suas família durante uma pandemia que somou, no dia de hoje, um milhão de mortos no planeta.

Mesmo que o risco, em determinados lugares, seja baixo, existe e não deve ser negligenciado.

O que surpreende – embora nem tanto quanto a mediocridade reinante, que erigiu os shoppings como aquilo que não podia parar, é que os dirigentes da educação, sete meses depois de iniciadas as restrições presenciais, ainda não tenham nem estabelecido medidas mitigadoras do prejuízo sofrido por milhões de crianças e adolescentes nem algo consistente para recuperarmos as perdas, assim que as condições sanitárias permitirem.

Ninguém considerou tão importante ter aulas virtuais quanto ter compras virtuais.

Não houve uma proposta ou iniciativa para usar o sistema de comunicações de TV aberta do país – com cobertura virtualmente universal – para isso. Nenhuma ação para transformar os produtores de conteúdo, de vídeo, de dramaturgia para empregarem seus talentos na transformação de aulas em apresentações atrativas à garotada.

Não há, sequer, um plano para que 2021 supra as carências de 2020 sem deixar de oferecer seu próprio conteúdo curricular.

Com um grande esforço, é verdade, poderia ser aproveitada a necessidade de “dois anos em um” para implementar em grande escala o horário escolar integral.

Falta criatividade porque falta, sobretudo, compromisso e fé na educação pública, como ficou evidente na entrevista “me inclua fora desta” do ministro da Educação.

Mas não é só nele que se marca o descompromisso. É também na elite, inclusive a pedagógica, que salta aos olhos a mesquinhez de que a escola é sinônimo de educação.

É, sim, em grande parte, e me lembro do quanto sofremos com Brizola e Darcy Ribeiro com o discurso de que os Cieps eram faraônicos e que a educação dependia essencialmente só de um projeto pedagógico que, até debaixo da sombra de uma mangueira, daria conta do desafio de educar.

Não, não dá conta e a escola é essencial, mas não a única ferramenta.

Mas nenhuma ferramenta basta quando não se dá à obra o valor que ela possui e nossa elite acha que pode fazer com a educação como faz com o shopping: deixar para depois.

O hiato na Educação, porém, não se preenche mais, seja porque não foi reduzido, seja porque não se pensa em como compensá-lo. Num país onde se sai da escola aos 15, 16 anos, significa que sair-se-á um ano antes, o que leva muito mais que 12 meses para recuperar.

 

 

 

 

 

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