Sachsida deu saudades de minha mãe

Meninas, mocinhas, mulheres, você deviam preparar os ouvidos para aguentar o que vão ouvir o novo ministro de Minas Energia, Adolpho Sachsida, dizer como você, mesmo sendo capazes, responsáveis, boas trabalhadoras não vão receber promoções de seus chefes porque… são mulheres.

Não é só a tristeza de reconhecer que, no século 21, isso ainda aconteça; é seja feita a defesa de que deve ser assim a lógica empresarial.

Como também defende que é ruim a licença maternidade de seis meses, porque “sai caro” e dificulta a promoção feminina, porque “você não vai querer ficar seis meses sem o seu gerente”.

Se você for mulher e negra, ganha um “brinde” de Sachsida: segundo ele, é muito difícil falar em “carga negativa” para um negro “depois de 200 anos (nem contas o imbecil consegue fazer) da abolição. Japoneses, italianos e alemães é que sofrem, diz ele.

Sachsida tem coerência: afinal, era um discípulo de Olavo de Carvalho.

O que é incoerente é o Brasil ter gente com esta mentalidade no ministério da República.

Penso no que milhões de mulheres passaram e passam para trabalhar, serem boas profissionais, educarem os filhos (por vezes sem a ajuda dos pais), como minha própria mãe e sinto repugnância de um tipo assim, que coloca até a maternidade submissa à “eficiência de mercado”.

Mas é bem típicos de quem se amamentou, como ele, no seio do Estado e, assim que tem a chance sai para vender a maior joia da Mãe Pátria, a Petrobras.

O único consolo é que a Dona Néia -que trabalhava o dia inteiro como professora pública e ainda fazia os filhos rodarem mimeógrafo com exercícios – se ainda estivesse por aqui, faria o que o país vai fazer com um tipo destes: por para correr.

 

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