Saiba quem é o único beneficiário do “indulto-ataque” à Lava Jato

amorelindo

Ricardo Balthazar, repórter da Folha, presta hoje um grande serviço ao jornalismo

, hoje, satisfazendo a curiosidade que expressei ontem e quem é o único preso e condenado que poderia ser beneficiado pelo indulto assinado por Michel Temer e tratado por todos como um “ataque à Operação Lava Jato”.

“Dos 22 condenados da Lava Jato que estão presos, o único que tinha alguma possibilidade de ser beneficiado era o ex-deputado Luiz Argôlo, que foi investigado num caso lateral e já cumpriu mais de 20% da pena.”

Luiz Argôlo, Luiz Argôlo…Quem é mesmo Luiz Argolo? Não lembrou?

Pois o Tijolaço ajuda a recordar. João Luiz Argôlo  era um deputado do Solidariedade, depois de ter pertencido ao Dem, com quem Alberto Yousseff dividia as propinas recebidas, alegadamente porque via nele “um político que poderia ter certa expressão em algum momento da sua carreira política. Me inspirava alguma coisa naquele político que eu achava que poderia chegar ao governo da Bahia, ao Senado”, segundo registra o G1.

Talvez você se lembre pelas carinhosas mensagens trocadas com o doleiro, interceptadas pela Polícia:

Argôlo: Você sabe que tenho um carinho por vc e é muito especial.
Youssef: Eu idem.
Argôlo: Queria ter falado isso ontem. Acabei não falando. Te amo.
Youssef: Eu amo você também. Muitoooooooooo<3

Ou seja, um personagem inexpressivo, um ratozinho sem maior importância.

É a possível – possível, não assegurada, porque isso vai ser avaliado pelo juízo de execução de sua pena – clemência com um personagem de terceira ou quarta linha no caso que está nos levando a esta polêmica?

O argumento de que, com a possibilidade de indulto, os envolvidos deixariam de negociar as suas delações premiadas é um contrassenso, diz Balthazar, pois “o que convenceu tantos corruptos a cooperar com a Lava Jato foi a chance de se livrar da cadeia imediatamente, não a promessa de alívio no futuro.”.  Foi este mecanismo – as “alongadas prisões de Curituba”, no dizer de Gilmar Mendes – que levou a delações, verdadeiras ou falsas, dizendo o que se queria ouvir, que fez bicos se abrirem e fazerem o jogo  que convinha aos acusadores, em vários casos.

E o que prometiam os inquisidores? Ora, nada mais que um indulto ou semi-indulto, ao limitar o tempo da condenação e o regime  (aberto ou semi-aberto) da pena remanescente. Ou, até a imunidade total, como foi prometida – e depois cassada – a Joesley Batista e à turma da JBS!

O ótimo artigo de Ricardo Balthazar só não está totalmente correto em seu final:

Pode-se discutir se os benefícios concedidos por Temer são excessivos, e caberá ao Supremo decidir se eles desrespeitam a Constituição. Mas a ideia de que o indulto é uma ameaça à Lava Jato não tem sentido. 

Tem sim, Balthazar, tem o sentido político de servir-se da desmoralização e suspeita que há com um presidente fraco e metido em esquemas espúrios como combustível para o punitivismo e, sobretudo, para os apetites  de poder para os moralistas do “auxílio-moradia”.

Politicagem vergonhosa, portanto.

 

contrib1

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