Sete anos depois, Bolsonaro serviu-se do prato da vingança

Todos leram sobre a exoneração de  José Olímpio Augusto Morelli, que atuava em um cargo de comissão na Diretoria de Proteção Ambiental (Dipro), o servidor do Ibama que multou o então deputado Jair Bolsonaro em 2012, por pesca irregular em uma área de proteção ambiental no Rio de Janeiro, em Angra dos Reis.

O que caso se trata de uma vingança fermentada há anos pelo hoje presidente da República, com indícios mais que suficientes para que o Ministerio Público abra uma apuração de responsabilidades contra Jair Bolsonaro, que há sete anos cultiva, de forma obsessiva esta perseguição.

Aos fatos: em janeiro de 2012, flagrado pescando em um barco em área de preservação permanente da Estação Ecológica de Tamoios, Jair Bolsonaro foi autuado por José Olímpio, no exercício regular de suas funções de fiscal ambiental.

A primeira reação de Bolsonaro, foi atacar o fiscal e entrar com um mandado de segurança na Justiça Federal para obter autorização para a prática de pesca. Está em O Globo, de maio de 2013 que ele assumiu, conscientemente, a infração:

— Esse pessoal do Ibama é arbitrário. Eu estava só com uma varinha de pescar, não usava arrastão, nem arpão. Isso que eles fazem é um absurdo. Na região há cerca de 15 mil pescadores humildes sendo impedidos de trabalhar. Eu mesmo só estava pegando umas cocorocas. Podia comprar um pescado na peixaria, mas queria aproveitar meu lazer. Tenho casa lá. Simples, não é como a de outros colegas. Além disso, não havia placas no local. Apesar de eu saber que lá não era permitido pescar, pois fiz um requerimento de informações ao Ministério da Pesca, achei um absurdo a proibição.

Depois, como acontece com muitos infratores foi o “não fui eu” de praxe, porque a data da autuação era de dois dias depois, quando tinha viajado a Brasilia – como registra a Folha:

Em defesa protocolada no Ibama em 22 de março, Bolsonaro afirmou que estava decolando do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, na hora da autuação.
“Não se pode acreditar que alguém que estivesse no local descrito na autuação às 11h pudesse se deslocar em tão pouco tempo para o local de embarque, considerando ainda a antecedência exigida pelas companhias aéreas”, escreveu o deputado.

E prometeu, como vingança, em plena Comissão do Meio-Ambiente da Câmara (transcrição aqui) apresentar um projeto para impedir que os fiscais ambientais fossem proibidos de ter porte de arma.

Prometeu e cumpriu: em junho de 2013, apresentou o projeto de lei 5720/13, revogando a autorização para que os fiscais de caça portassem armas. Ou seja, que entrem na mata, abordem caçadores clandestinos de espingarda  Winchester 44 (o mesmo calibre de um revólver “Magnum”) munidos apenas de um bloquinho de multas e uma caneta BIC.

Bolsonaro não foi inocentado do crime ambiental pelo STF; a denúncia foi rejeitada pelo princípio da insignificância do crime, pois não havia com ele pescado significativo, segundo o voto de Cármem Lúcia, seguido por Gilmar Mendes e Teori Zavascki.

No ano passado, já eleito presidente, em dezembro, teve a multa anulada, numa decisão que está sendo investigada pelo Ministério Público.

São sete anos, tempo mais que suficiente para que não se diga que Bolsonaro está “abalado” com a ação de um fiscal. Mas tempo suficiente também para que se veja que existe uma perseguição deliberada, fria, abusiva de alguém que “jurou vingança” a um servidor público.

Coisa de bandido e, pior, um exemplo que vai nos custar muito, à medida em que um servidor público, para evitar vingança de gente assim vai fechar os olhos quando crimes estiverem sendo cometidos por deputados e empresário  porque sabe que, um dia, poderão pagar um preço pesado pela ousadia.

Melhor deixar destruir.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email

23 respostas

  1. Nosso presidente é um excremento em forma de ser humano. Difícil se achar alguém tão desprezível quanto esse verme. Só um país de doentes elege isso.

    1. Aquele menino que deu um cascudo na cabeça dele depois da discussão do jogo de bola de gude que se cuide.

  2. A ignorância do bozo não tem limites, nem os puxas sacos deste idiota.
    Um presente que a globo deu ao país.
    Destruiu o país e lhe deu golpistas e torturadores de pinga.

      1. Mesmo os países mais pacíficos e civilizados possuem exércitos para matarem em caso de necessidade.

        Contraditório? Sim, e muito.

        Necessário? Idem, questão de sobrevivência.

  3. Rancoroso e vingativo obsessivo , mostrando seu caráter maldoso e índole ruim. Em suma, um péssimo ser humano,vergonha da raça.
    E o pior é que esse espécimen defeituoso, foi eleito presidente pela maioria do povo, que certamente também possui a mesma tendência para o mal.

    1. Stalin, Mussolini, Idi Amin Dada, Hitler, Strossner e Pinochet tinham o mesmo “cérebro” desse psicopata.

      1. Talvez Idi Amin. Cuidado com suas fontes de informação. Há seriados de propaganda americana que dizem: “O caminho da tirania: Como Gadafi se tornou um déspota assassino”. E assim vão tentando destruir a imagem de quem eles querem demonizar, colocando-os ao lado de quem é de fato um demônio, como Hitler. A demonização de Stalin começou imediatamente após o fim da segunda grande guerra, comandada por Randolph Hearst, o famoso Cidadão Kane de Orson Welles, que usou para isso até fotografias falsificadas. O último capítulo, depois de Fidel e de Bashar al-Assad, é “Como Maduro se tornou um déspota assassino”.

  4. Um canalha como esse não pode estar sendo presidente do Brasil. E tão canalha ou mais(?) que ele são Cármem Lúcia e Gilmar Mendes, que livraram a barra dele antes de o suposto delírio (bebedeira) coletivo eleger essa “coisa” para a Presidência da República, se é que (também), além das manipulações diversas na campanha, não houve fraude na totalização dos votos da eleição pela maquininha caixa-preta do TSE.

    E aí ? Haverá alguma consequência ? Qual o resultado prático de “com indícios mais que suficientes para que o Ministério Público abra uma apuração de responsabilidades contra Jair Bolsonaro, que há sete anos cultiva, de forma obsessiva esta perseguição.” ? … . . . …

  5. Do jeito que as coisas vão, não vamos mais comemorar o fim da II Guerra Mundial. Passaremos a comemorar o seu início, babando de alegria pelos milhões de mortos que ela produziu. Céus, de onde vem tanta ignorância?

  6. Quando se imagina que esse facínora já fez tudo de ruim e de errado que se pode esperar de um canalha, eis que ele faz questão de ostentar mais uma podridão de caráter!
    Nos anos 1980, li uma notícia segundo a qual um policial (sueco, se não me engano) teria abordado e autuafo um motorista em alta velocidade e somente após a autuação, o policial teria reconhecido o motorista infrator: seu próprio rei.
    Constrangido e desnorteado, o policial teria se dirigido ao rei muito mais para pedir desculpas do que para entregar o auto, quando teria sido cumprimentado pelo rei pelo cumprimento isento e imparcial de seu dever.
    Um rei teve uma postura que enaltece qualquer servidor e o reconhece como cidadão.
    Agora, um reles mequetrefe e notório va-ga-bun-do, por três décadas parasitando o serviço público, utiliza-se do mais alto posto do serviço público brasileiro para perseguir um servidor que simplesmente cumpriu com o seu dever.
    Esse caráter de bolsonaro já estava consolidado há muito tempo e era xe todos conhecido.
    Mesmo assim, houve quem me perguntasse por que eu não votava no Bolsonaro.
    Ora, razões para não votar nele nunca me faltaram. E muitas mais surgem a cada dia.
    Tenho a consciência de que não ajudei a por esse merda na Presidência e de que até comprei desafetos para impedi-lo, mas aí está o resultado da inconsequência de muitos!

  7. Simples: o Cap JB apequenou-se mais ainda. Quanto ao servidor demitido, peça reparação na Lei.

  8. Atitude típica de um psicopata. Ou seria de um paranóico? De qualquer forma, um sujeito desclassificado. Um verme.

  9. Esta é a forma de agir dos covardes e prepotentes. E a coxinhada burra que o elegeu, dirá o quê?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.