Sim, precisa desenhar como nossa elite aderiu ao fascismo

Aí em cima está a razão do meu amor invejoso aos cartunistas.

O Bennet, na Folha, resume o que se vem tentando dizer aqui desde sexta-feira, com menos sucesso.

A elite econômica brasileira aderiu e vem sustentando a ideia (e a prática) de que a saída para o problema econômico do Brasil é a exclusão social, na forma de perda de direitos trabalhistas e sociais.

Assumiu como sua a formulação presidencial de que é melhor empregos (poucos e vis) sen direitos do que o que seria direitos sem empregos.

O que implica, necessariamente, numa regressão democrática, porque é preciso forçar e fraudar para que os sentimentos de frustração popular não encontrem na política o vetor capaz de opor-se a esta iniquidade.

Para isso, é preciso demonizá-la a cada hora e minuto, dizer que todos são iguais, todos são corruptos e que, claro, a corrupção é a fonte seminal de todas as carências nacional, muito embora, agora que ela “acabou”, fujam de explicar como não temos o maná dos céus caindo sobre o Brasil.

Não, sustentam que para acabar com a corrupção nas obras e nos serviços públicos é preciso acabar…com as obras e serviços públicos.

Sucateá-los, fazer com que se degradem ao tempo as obras e à incúria e míngua os serviços, para que possam ser repassados – os que puderem – aos investidores.

Como são medíocres, incapazes e incapazes de entender o Brasil como um país e um povo, mas apenas como um grande entreposto por onde se drenam trabalho e riquezas na natureza – e aí vai também o agronegócio – o único defeito que veem no aprofundamento da pobreza da população é a criminalidade violenta.

Mas destes, polícia e milícia fazem aptos a controlar. Nem que seja à base de campos de concentração, formais e informais.

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14 respostas

  1. Fernando Brito você escreveu exatamente o que penso há muitos anos sobre essa classe dominante do Brasil, que não se pode chamar de elite, pois para isso teriam que pensar o Brasil coisa que nunca fizeram. Eles são vampiros, parasitas que só vêem o país como uma oportunidade para saquearem tudo o que puderem e pularem fora. Gente vil, não passam de predadores das riquezas nacionais aí incluído o povo brasileiro.

  2. Esse pensamento vale p cada prefeitura
    Sucatear espaços publicos e depois conceder estes espaços a iniciativa privada p q ela faça p q eles como governantes administradores ou gerentezinhos de merda o q queiram ser deveriam fazer.

  3. Marcelo Zero em Viomundo: “O “centro político” do Brasil, na realidade um bolsonarismo envergonhado, é extremamente hipócrita.

    Constrange-se com as menores barbáries ideológicas, culturais, políticas e gramaticais de gente como Alvim, Weintraub, Damares e o

    próprio Bolsonaro, mas não sente o menor pudor em apoiar entusiasticamente a grande barbárie de atirar dezenas de milhões de

    brasileiros no lodaçal hediondo da miséria, da desigualdade, da desesperança e do abandono do Estado mínimo.”

    https://www.viomundo.com.br/politica/marcelo-zero-nosso-hitler-e-a-agenda-de-guedes-que-o-estadao-e-centro-politico-hipocritamente-apoiam.html

  4. Perfeito, Brito. Foi na veia. Um dia isso acaba (estaremos ainda vivos?), mas provavelmente com algum acontecimento vindo de fora do país, porque aqui o povo não tem culhões ou tônus para qualquer reação (esqueça Lula, pt…, já eram). Acaba porque a direita é estéril e não tem ou terá nada para entregar. Eles só sabem se locupletar entre si numa ação entre amigos, um beneficiando o outro, pois esta é a própria definição de direita.
    Aliás, que indicadores estão ótimos no cartum que você tanto admirou?

    1. Lula está vivo e é a presença viva da esperança de retorno das conquistas pós-1930 do povo brasileiro. Esta direita que supostamente só sabe se locupletar está a trabalhar para uma direita maior, internacional, que nem rosto tem e que se diverte com as trapalhadas de seus operários, que no fundo estão trabalhando muito bem e mostrando excelentes resultados. Dizer que esqueçam Lula é dizer esqueçam Brizola, esqueçam Getúlio Vargas, esqueçam Ulisses Guimarães, esqueçam Juscelino, esqueçam Jango. É tentar fazer um trabalho que a extrema direita até agora não conseguiu, apesar de gastar bilhões e bilhões de dólares e de incinerar a cada dia todo e qualquer sinal de brasilidade e humanismo. Não haverá futuro para a liberdade e para a democracia, se não houver no presente uma referência viva de justiça social e soberania.

    2. Lula está vivo e é a presença viva da esperança de retorno das conquistas pós-1930 do povo brasileiro. Esta direita que supostamente só sabe se locupletar está a trabalhar para uma direita maior, internacional, que nem rosto tem e que se diverte com as trapalhadas de seus operários, que no fundo estão trabalhando muito bem e mostrando excelentes resultados. Dizer que esqueçam Lula é dizer esqueçam Brizola, esqueçam Getúlio Vargas, esqueçam Ulisses Guimarães, esqueçam Juscelino, esqueçam Jango. É tentar fazer um trabalho que a extrema direita até agora não conseguiu, apesar de gastar bilhões e bilhões de dólares e de incinerar a cada dia todo e qualquer sinal de brasilidade e humanismo. Não haverá futuro para a liberdade e para a democracia, se não houver no presente uma referência viva de justiça social e soberania.

        1. Lula é um animal político. As circunstâncias mudaram. Se ele está propondo isso deve ter uma razão forte. O PT não é um partido fácil, tem várias linhas e uma democracia interna, como mostra o costume das prévias. Pelo jeito ele vê um problema de timing nas prévias. Isso não quer dizer necessariamente, como diz esse vídeo, que ele seja um cacique sequestrando o partido. Acho que outros partidos nem prévias fazem? Como é o processo dos outros partidos?

  5. Parece que a classe mérdia (com honrosas exceções) não enxerga que as mazelas da violência a atinge porque são verdadeiros escudos das elites. É o celular roubado, é o carro roubado, é o assalto à mão armada, é tiro e morte durante assalto, é casa invadida, sem falar nos escorchantes 27% no salário, IPVA, IPTU, e os embutidos nos alimento, nos planos de saúde, nos remédios e combustíveis (ou alguém acha que botijão aumenta e passagem aérea não aumenta). Os ricos, os verdadeiramente ricos estão se lixando pra tudo isso daí, talkey? Um cara com renda mensal de 500 à um milhão vai se preocupar com essas ninharias?

  6. O setor economia é apenas um detalhe do plano geral de destruição do país. Para os que se instalaram no poder, nada que o Brasil logrou construir depois da Revolução de 1930 tem valor – e deve ser destruído. O plano de destruição das conquistas pós-30 inclui a divulgação de uma filosofia supostamente conservadora, com promessas de retorno a um tempo em que os negros sabiam qual era seu lugar na senzala e se mediam pelas arrobas que pesavam. No plano global, a última tentativa de salvação a qualquer custo do capitalismo financeiro selvagem é apelar para o fascismo e travestí-lo de caminho de volta a um passado glorioso onde tudo funcionava às mil maravilhas: Os escravos eram obedientes, os pobres imploravam para trabalhar nas fazendas sem qualquer direito social e os homens de bem, pais de clãs superiores, tinham poder total sobre seus filhos fiéis. Lá no hemisfério norte moravam os inatingíveis príncipes do mundo, aos quais era devida total reverência e obediência. Os negócios eram tratados com os compadres coronéis na sala onde era proibido a entrada de mulheres. Havia exceções, vez por outra uma mulher era declarada coronel de saias. Este ideal de sociedade, onde a elite conservadora se considera fiel servidora da elite financeira internacional, o Brasil já viveu e deixou para trás com a Revolução de 1930. Ele é o espelho redivivo da República Velha. De certo modo, neste processo de relocação neocolonial do país, vivemos nada menos que uma tentativa de retorno à República Velha, endossada por barões paulistas.

  7. Sobre corrupção e “favores” na Privada… Iniciativa local ou gringa:
    Muitos sabem e viveram isso em suas empresas, mas não escrevem.
    1-Envio de $ para fora. Na minha vivência 2 funcionários faziam esse serviço. Eles levavam de 100 a 200 mil dólares para fora de 2 em 2 meses.
    2-Propina mensal para executivo (s) responsável da área.
    3-Descontos adicionais obtidos em negociações ficavam na mão do negociador, normalmente um diretor ou o próprio dono.
    4-Cálculos dos custos de demissão lesando trabalhadores ficavam na mão do chefe do setor. A diretoria sabia e se apropriava.
    5-Favores e brindes para clientes incluíam emprego e/ou estágios na empresa ou noutro cliente, passeios, viagens, contratação de meninas de programa e toda sorte de “ajuda” para conquistar e manter esse cliente.

    Coisas mais pesadas nunca assisti, apenas ouvi falar…
    Empresas e empresários limpinhos…

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