Um monstro no poder

Não houve exagero aqui em dizer que Jair Bolsonaro é um homem sem condições morais de exercer a Presidência da República.

Não se revela apenas um arbitrário, revela-se um sádico, alguém incapaz de ter respeito a seres humanos.

A declaração de que sabe minúcias do desaparecimento do pai do presidente da Ordem dos Advogados, Felipe Santa Cruz, que tinha apenas dois anos de idade quando Fernando Santa Cruz foi preso ilegalmente e desapareceu para sempre nos porões da ditadura, é coisa de sádico monstruoso.

“Se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Conto pra ele.”

Vai contar, Jair Bolsonaro, vai contar.

Porque haverá uma interpelação judicial para que o senhor dê conta de suas palavras.

Este cidadão que enxovalha a Presidência da República, merecia mais de um filho cuja morte do pai vira objeto deste tipo de ameaça.

É uma abjeção, que foi até onde está porque abjeções menos caricatas o permitiram uma jornada impune, desde os planos de explodir bombas em quartéis para obter aumento de soldo.

Impune sempre, crê que será impune para sempre.

Mas Felipe é um homem do Direito e saberá conter o ímpeto da bofetada que mereceria quem diz coisas como essa e procurará os tribunais.

Resta saber se ainda há, nos tribunais, pessoas dignas e corajosas para dizer ao reizinho que ele não é o dono do país e que não pode brincar com sentimentos tão sofridos como esse.

Ao menos por terem instalado um monstro no mais alto posto da República.

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