US$ 1 dólar por dose. A picaretagem previsível da vacina

A bomba do dia, com nomes e sobrenomes, veio à noite, com a reportagem de Constança Rezende sobre o pedido de “acrescentar US$ 1 dólar por dose” de vacinas a serem compradas pelo Brasil, pleito feito pessoalmente pelo diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias ao representante de uma certa Davati Medical Supply, no Texas, nos EUA, cuja sede é mostrada na foto do post.

O alvo do pedido foi o ex-PM Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que se apresenta como negociador do representante da Davati no Brasil trabalhando para Cristiano Alberto Hossri Carvalho, que estaria oferecendo vacinas da Astrazêneca que nega ter oferecido vacinas ao Brasil fora dos contatos diretos com o governo brasileiro. A Davati fazia sondagens com outros compradores no Brasil, como o Consórcio de Municípios do Paraná, que enviou, no dia 9 de março, uma “Carta de Intenções” para a Astrazêneca, propondo comprar 2 milhões de doses (num contrato que poderia ir a 17 milhões) e identificando a Davati como vendedora. A carta menciona que a origem seria a Índia: portanto, o negócio seria com o Serum Institute, que vende as vacinas Astrazêneca de forma independente.

Constança transcreve detalhes do encontro entre Dominguetti e Roberto Dias, um indicado de Ricardo Barros nomeado para o cargo ainda na gestão de Luiz Mandetta:

“Eu falei que nós tínhamos a vacina, que a empresa era uma empresa forte, a Davati. E aí ele falou: ‘Olha, para trabalhar dentro do ministério, tem que compor com o grupo’. E eu falei: ‘Mas como compor com o grupo? Que composição que seria essa?'”, contou.
“Aí ele me disse que não avançava dentro do ministério se a gente não composse com o grupo, que existe um grupo que só trabalhava dentro do ministério, se a gente conseguisse algo a mais tinha que majorar o valor da vacina, que a vacina teria que ter um valor diferente do que a proposta que a gente estava propondo”, afirmou à Folha o representante da empresa.
Dominguetti deu mais detalhes: ​”A eu falei que não tinha como, não fazia, mesmo porque a vacina vinha lá de fora e que eles não faziam, não operavam daquela forma. Ele me disse: ‘Pensa direitinho, se você quiser vender vacina no ministério tem que ser dessa forma”.
A Folha perguntou então qual seria essa ‘forma’. “Acrescentar 1 dólar”, respondeu. Segundo ele, US$ 1 por dose. “E, olha, foi uma coisa estranha porque não estava só eu, estavam ele [Dias] e mais dois. Era um militar do Exército e um empresário lá de Brasília”, ressaltou Dominguetti.

A sessão de amanhã da CPI deve chamar todos a depor, pedir as gravações em vídeo do encontro no restaurante, no dia 25 de fevereiro, pedir o rastreamento do celular de Dias naquela data.

Este blog não se arrepende de ter dito, semana passada, que se abriu a caixa de esgotos e que baratas apareceriam por todo lado. Cuidado com isso, porque não é honestidade nem censo cívico que move esta gente. Mas, sim, de fato, é que e com bandidos que se sabe o que bandidos fizeram.

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