Vacina ‘empresarial’ é marquetagem macabra

Só não é totalmente inacreditável a notícia da Folha de que Empresas buscam governo por aval para comprar 33 milhões de doses da vacina de Oxford por uma única razão: o Brasil tem um governo que não apenas é omisso quanto à vacinação como é contra vacinar sua população. E, portanto, socorre-se da paralisia para isso.

Pois, afinal, se a Astrazêneca tem esta quantidade para vender a um grupo de empresas, porque não a tem para vender ao governo brasileiro?

A iniciativa, tal como a da compra de vacinas pelas clínicas privadas de vacinação, tem toda a cara de ‘marquetagem’, porém.

A Astrazêneca está sendo ameaçada com processos judiciais por atrasar as entregas já contratadas e pagas com diversos governos do mundo, entre eles o da Itália.

Imaginem o que seria para ela retardar a entrega para governos e entregar vacinas aos milhões a um grupo de grandes empresas para vacinar seus empregados (claro que não por humanidade, mas pelo interesse em que possam trabalhar sem restrições) e dar uma parte ao governo brasileiro para “ajudá-lo” na sua óbvia incompetência em promover a vacinação.

Esta “privatização da vacina”, além da abjeção que representa condicionar a entrega de vacinas a um preço mais vantajoso e da exibição da incompetência governamental, é puro e nojento marketing empresarial e um sinal de que estas empresas, que choram a cântaros a tal “carga tributária” têm dinheiro para pagar mais impostos e sustentarem – e não com doações hipócritas – um sistema público de saúde que seja universal.

É, portanto, claro que a empresa não confirmará esta notícia.

Vai ser um tiro a sair pela culatra, porque da notícia transborda a ideia que, para aumentar seus lucros, são capazes de querer 100% de vacina em seus empregados e que o resto do país se dane ou lamba os beiços por estar ganhando migalhas.

PS. A propósito das dificuldades de entrega da Astrazêneca, transcrevo a notícia de hoje do jornal inglês The Guardian: “A União Europeia se reunirá com executivos da AstraZeneca hoje para buscar mais esclarecimentos sobre por que eles anunciaram inesperadamente um grande corte no fornecimento de vacina para o bloco, relata a Reuters.A AstraZeneca, que desenvolveu sua tentativa com a Universidade de Oxford, disse à UE na sexta-feira que não poderia cumprir as metas de fornecimento acordadas até o final de março, com um funcionário da UE dizendo à Reuters que isso significava um corte de 60% para 31 milhões de doses.A farmacêutica anglo-sueca recebeu um pagamento adiantado de € 336 milhões da UE, disse um segundo funcionário da UE à Reuters quando o bloco de 27 países fechou um acordo de fornecimento com a AstraZeneca em agosto para pelo menos 300 milhões de doses – o primeiro assinado pelo UE para garantir vacinas.

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