16 meses? Há dez anos, o Brasil vacinava três vezes mais rápido

Não, não é o tamanho da população brasileira a justificativa para a extensa previsão de um ano e 4 meses feita Ministério da Saúde para que o programa de vacinação contra a Covid 19 alcance toda a população.

Há dez anos, a “Estratégia Nacional de Vacinação Contra o Vírus Influenza Pandêmico (H1N1)” – na íntegra aqui – previa a vacinação, em pouco mais de dois meses (de 8 de março a 21 de maio de 2010) , de 92 milhões de brasileiros, pouco menos da metade dos 195 milhões que éramos naquele ano.

Se dobrássemos este prazo de 74 dias, para alcançar a todos, pelo fato de tratar-se de uma vacina, agora, de duas doses (a da H1N1 tinha duas doses apenas para crianças) teríamos cerca de 150 dias de vacinação para alcançar toda a população, ou pelo menos a cobertura vacinal de 80% que se estima ser necessária para bloquear a transmissão do vírus.

No entanto, o plano atual prevê 485 dias para alcançar o mesmo.

Será que desaprendemos a aplicar vacinas?

Evidente que não.

O que retarda e limita a vacinação é e será a falta de vacinas disponíveis.

Há dez anos, o Ministério da Saúde adquiriu dos laboratórios Glaxo SmithKline (GSK), Sanofi Pasteur/Butantan e Novartis, um total de 112,9 milhões de doses da vacina e distribuiu 75 milhões de seringas para os Estados, que receberam apoio financeiro para fazer compras próprias e custear as demais despesas da vacinação.

Agora, tudo o que o Ministério da Saúde tem contratado são 100,4 milhões de doses da Astrazêneca/ Oxford importadas até julho de 2021 e em torno de 110 milhões de doses de produção nacional entre agosto a dezembro do ano que vem. Tudo isso, por enquanto, é suposição, porque não há uma dose sequer aqui, exceto a dos testes aplicados em voluntários.

Os 42 milhões de doses da CoxaxFacility , via OMS, não têm sequer previsões genéricas de data. O resto são “memorandos de intenção”, sem vincular as partes, com vários laboratórios e mesmo as tão faladas 70 milhões de doses da Pfeizer, a que já está sendo aplicada em diversos países, são, quase todas (62 milhões) para entrega no segundo semestre do próximo ano.

A verdade é desanimadora, como afirma Marco Krieger, vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, responsável pela futura produção da vacina da Astrazêneca,

Em janeiro vamos ter pouca vacina, em fevereiro e março podemos ter um maior número. Lá por maio e junho vamos ter 10% a 20% por cento da população vacinada e só vamos chegar a 30% a 40% por cento da população vacinada na metade no ano que vem. E até lá, tem que proteger os vulneráveis e conscientizar a população para manter o alerta ligado.”

Isso, claro, sem contar a eventual necessidade de revacinação, porque não há certeza sobre o tempo de imunidade que elas conferem, o que só se saberá adiante, depois que houver um acompanhamento de quem se vacinou.

Este é o “finalzinho” da pandemia aqui, mais um ano de dor, sobressaltos e cabresto puxado na economia.

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