2021: mais do mesmo, por quanto tempo?

Bem que gostaria de que estivessem certos os 58% que acham que 2021 será um ano de vida melhor para os brasileiros.

Ou, pelo menos, que não demorasse muito tempo a impressão de que estão errados.

Não é bom agouro começar o ano vendo câmaras frigoríficas sendo reinstaladas diante de hospitais em Manaus, para manter à espera dos enterros o muitos mortos pela Covid-19.

Muito menos ver o presidente do Conselho de Secretários Estaduais de Segurança Pública dizer que as pessoas só levarão a sério as orientações de afastamento social quando faltarem vagas nas UTI e os moribundos se amontoarem nos corredores dos hospitais.

O epidemiologista Gonzalo Vecina, presidente da Anvisa no governo FHC) dá o retrato cru do que será o ano, isso se tudo der certo, num país onde o governo esmera-se em que nada dê certo:

2021 continuará o ano de 2020. A pandemia não acabará com a aplicação da vacina, pois não serão todos vacinados em um passe de mágica. Com tudo dando certo, basicamente as vacinas providenciadas pela Fiocruz e pelo Butantã poderão ser suficientes para cobrir toda a população indicada até o fim de 2021. Trata-se de vacinar todos acima de 18 anos, exceto grávidas e alguns portadores de problemas alérgicos. Algo como 160 milhões de brasileiros. E durante o período de vacinação, casos e mortes pela Covid-19 continuarão a ocorrer, impondo todas as atuais restrições sanitárias.

Não há nenhum exagero, mas sim uma grande dose em prever-se que tenhamos mais 50 mil mortes. É o que nos prevê a Universidade de Washington até o início de abril.

Até o início de abril, o que quer dizer que, com uma dose de sorte, estaremos ainda nos início da vacinação, mais adiantada apenas em São Paulo onde há, até agora, o suficiente para imunizar, com duas aplicações, algo como 15% da população.

Como se não bastasse, ainda tivemos, no último dia de 2020 – e, ao que parece, casos de circulação local, não de viajantes, apenas – a identificação da presença aqui da nova cepa de coronavírus que fez quase dobrarem os casos de contágio na Inglaterra, de novembro até o fim do ano.

Precisaremos, mesmo, de muita sorte para que 2021 não siga, por muitos meses, a trilha sombria do 2020 que não acabou.

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