A chance perdida de Aras

A prevalecer o entendimento corporativo de nada pode ser feito em relação a Rodrigo Janot pelo fato de, confessadamente, ter entrado na sala dos ministros do Supremo Tribunal Federal armado de pistola, tê-la tirado da cintura, engatilhado e mantido a arma junto ao seu próprio corpo, embora não tivesse dado o “tiro na cara” de Gilmar Mendes, ficamos assim: o juiz pode julgar armado, o promotor pode acusar armado e o advogado de defesa, claro, pode apresentar suas alegações sustentado por uma .45.

O paradoxo, claro, dispensa explicações, mas é o que estamos vivendo, neste momento.

Pode-se – e a meu ver – deve-se questionar as ações do ministro Alexandre de Moraes , mas não agir seria deixar um potencial assassino de posse de meios para “resolver” a bala divergências jurídicas.

E, claro, naturalizar a possibilidade de que, em qualquer comarca do interior, promotores, advogados e juízes vivam em potencial situação de duelo a chumbo, não a palavras.

Na frase simples que disse há anos o Chico Buarque, coisas que “vão dar merda” não podem ser aceitas.

Aí está, porém, o grande desdobramento deste caso.

O novo procurador geral da República perdeu a chance de começar a sanear a atuação do Ministério Público.

Ainda que, como indica cogite-se (ainda uma cogitação, claro) abrir uma sindicância administrativa no Conselho Nacional do Ministério Público, fazê-lo quatro ou cinco dias depois perde todo o impacto que deveria ter como sinalização de que há limites para o furor do MP.

Quem invadiu armado um tribunal não foi um particular, um cidadão ensandecido, mas alguém que chegou e estava ali em razão do cargo que ocupava, alguém que se valeu das prerrogativas da função para perpetrar um crime.

Augusto Aras tinha a obrigação, diante de um fato público desta gravidade, de convocar extraordinariamente o Conselho do MP e, ele próprio , tomar medidas em seu lugar, ad referendum, ou instar o corregedor do órgão a fazê-lo.

Mas não fez e sinalizou, para quem quiser ver, que o Ministério Público segue desgovernado e que cada procurador pode fazer o que quiser, com a certeza da impunidade.

E isso vai dar…

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20 respostas

  1. O Ministério Público Federal perdeu todo e qualquer respeito que um dia já teve. Hoje é um circo de horrores e o mais chocante é que até mesmo os procuradores éticos, sérios e comprometidos com a função que exercem se acovardam e não protestam, na contramão do VERGONHOSO CORPORATIVISMO, que iguala todos na podridão.

  2. A COVARDIA,O CARÁTER DO STF A NULIDADE DE SEUS MEMBROS ESTÁ EXPLÍCITA EM ACEITAREM A ASSESSORIA DE UM MILITAR A PRESIDÊNCIA DA CASA.
    QUANTO A ESSE ARAS;É MAIS UM CANALHA E LOGO CHEGA FUX.

    1. Sim, absurda essa assessoria de um general a um ministro (presidente) do STF.
      Ainda mais considerando-se quantos e quão preparados existem juristas, com vivência substancial do Direito.
      E a respeito da outra consideração:
      O simples fato de ter sido escolhido por Jair Bolsonaro já diz muito sobre o tal Aras.

  3. O atual pgr foi indicado pelo “presidente”. Por isso, para ele vale o dito: De onde nada se espera, nada sai.

  4. Os antecedentes desse Aras ,não o recomendam,assim ele era o procurador perfeito para a quadrilha de delinquentes que hoje massacra este país.
    A dodge foi escolhida pelo traíra ladrão ,deu no que deu,este terá que fazer o papel que o miliciasno lhe encomendou.
    E a massa que será a vítima do puterío da “justiça” ?,… é a massa que apoiou todo isso..

  5. Golpistas e/ou traidores devem muito, muito ao Janot. Então, tá diboa!
    Foi só uma arminha, Brito…

  6. Acho que Alexandre de Moraes está certo.
    A Justiça tem que começar a agir com rigor neste país, DENTRO DA LEI, doa a quem doer.
    Principalmente no que diz respeito às iniciativas do STF no que diz respeito à democracia e ao Estado de Direito.
    Não ter feito isso desde 2016 deu merda, como previu Chico Buarque.
    Passa da hora de consertar a cagada.

  7. Poderia ser criada a lei Janot.
    Em todos os tribunais judiciários: reuniões, julgamentos, bate papo no cafezinho, amigo secreto e etc… Deveria ser obrigatório todo mundo andar armado.
    Dessa maneira, provavelmente a sociedade usufruiria de uma faxina ética e moral através da violência.
    Por enquanto a sociedade tem recebido apenas violência desses tribunais, devido produzirem somente INJUSTIÇA no Brasil.

  8. Caro Fernando Brito e leitores do Tijolaço,

    Algum de vocês já pensou que o criminoso Rodrigo Janot (não por essa bravata de que “estava com um trabuco na cintura para matar Gilmar Mendes” e com ele tenha adentrado dependências do STF, mas por crimes anteriores, com fartura de provas, como cooperação internacional ilegal com o DOJ e outros departamentos e agências de espionagem e investigação dos EUA, sem falar das ilegalidades rotineiras da Fraude a Jato) esteja fazendo um jogo combinado com o novo PGR e com o Totóffoli, a fim de que os covardes e canalhas togados dessa “suprema côrte” tenham mais tempo de fazer maracutaias, de modo a impedir a anulação de processos e condenações lavajateiras, a qual enseje a libertação do Presidente Lula e outros líderes do PT, condenados de forma ilegal? De lambuja, RJ usa a bravata da “arma na cintura” para turbinar a venda do livro que está lançando, colecionando autógrafos das maltas e matilhas bozonaristas e lavajatistas descerebradas e/ou cegadas pelo ódio, como se verificou quando meganhas da PF tietaram o ex-PGR, pedindo autógrafos e fazendo-lhe bajulações?

    Raciocinem: um PGR que estivesse mesmo a fim de matar um ministro do STF e tivesse coragem para isso, dispondo de uma arma, com acesso livre às dependências do STF, deixaria de fazê-lo por “intervenção divina” ou por um “surto de consciência” que sobre ele tenha se abatido antes de consumar o assassinato do desafeto? Outra questão: sendo operador do Direito, Rodrigo Janot sabia que ele mesmo se enquadrava em situação análoga a DE Gilmar Mendes, a quem ele queria impedir de julgar casos referentes a Eike Batista e mesmo de exercer a função de ministro do STF; é fato comprovado que a filha de RJ advogava para a OAS, investigada na Fraude a Jato. Então que “honra” o janota queria “lavar”, ao cometer o assassinato do desafeto com cadeira no STF?

    Por fim a questão mais incongruente: se o criminoso boquirroto, Rodrigo Janot, fez o que bravateou em entrevista para lançar um livro, entrando armado nas dependências do STF, com o objetivo de matar Gilmar Mendes, por que não se preocupou em guardar a arma que usaria no cometimento de crime em local diferente da residência dele? Algum de vocês conhece episódio semelhante, em que um servidor de alto escalão do sistema judiciário tenha declarado à mídia ter entrado armado numa repartição pública, visando assassinar um desafeto, e quando dessa entrevista ainda mantivesse arma do crime em sua residência, para facilmente ser encontrada por policiais federais lavajateiros e bajuladores desse mesmo servido do judiciário que confessou à imprensa um quase-assassinato?

    Convido o editor do blog e os leitores a analisarem criticamente e denunciarem mais essa patranha de RJ e comparsas dele na ORCRIM Fraude a Jato. Não se esqueçam de que há táticas e estratégias de guerra híbrida nesse episódio

  9. Há tempos e acho que o MPF deveria ser extinto. Todos demitidos sem aproveitamento em qualquer outro órgão público.
    Exceção para os da farsa a jato que deveriam ser processados, condenados e presos(se possível, fuzilados em praça pública) pela desgraça que provocaram neste país.
    Este pessoal não pode sair ileso de jeito nenhum.

  10. Todo mundo sabe que o Ministério Público é de um corporativismo sem precedentes além de se achar superior a tudo e a todos.

  11. na verdade se fosse um cidadão comum que, por desatino, tivesse feito o mesmo que o ex-PGR já estaria devidamente enjaulado. Como é um membro da classe superior da República do Auxílio Moradia isso não vai dar em nada, por mais que existam rixas entre MP e judiciário. No frigir dos ovos são tudo farinha do mesmo saco e se o judiciário tentar fazer algo o MP mostra-lhe os fundilhos. O corporativismo em que estão mergulhados faz com que perdoem-se mutuamente os pecados.

  12. Sim, vai dar merda. Ou melhor, mais merda do que já existe no país. Quanto à frase:
    “…E, claro, naturalizar a possibilidade de que, em qualquer comarca do
    interior, promotores, advogados e juízes vivam em potencial situação de
    duelo a chumbo, não a palavras”…desconfio que isso aconteça normalmente em diversos pontos remotos do Brasil. Não é novidade que, para boa parte da população desta imensa Bruzundanga, a vida diária seja um verdadeiro faroeste. Inclusive nos aspectos jurídicos.

  13. Não vai dar… já deu e continua dando MERDA. O país está sujo como poleiro de galinheiro, fedendo a corruptos togados !!!

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