A coalisão de Bolsonaro e o partido único de si mesmo.

Embora seja terrível estarmos num tempo em que se tem de dar razão a Reinaldo Azevedo, ele está (quase) coberto dela em seu artigo de hoje na Folha no qual diz que Bolsonaro “decidiu lotear o Executivo entre três legendas”.

Dividirão o poder o Partido da Polícia, liderado pelo indemissível Sergio Moro; o Partido de Chicago, comandado pelo não menos indispensável Paulo Guedes, e o Partido da Caserna, composto pelo generalato da reserva.

Quase certo, porque ele deixou de incluir um quarto núcleo, sua própria extensão, o PF, o partido dos filhos, que se movimentam como superministros, também ou mais ainda, e com poucos pudores de falar pelo futuro Planalto e que tem como agregado, ao menos, o patético Ministro das Relações Exteriores.

São estes os agentes políticos essenciais do futuro governo.

Os políticos, vão ter claro, sua tigelinha. Mas no quintal e com restos, que não recusarão decerto, mas que não garante a fidelidade senão enquanto os assombra o medo de ficarem na rua.

Da mesma forma, a corporação dos juízes e seus periféricos terá sua cota de ração provida por Moro, que irá atirar-lhes os cadáveres – mortos por morte moral – dos inimigos políticos deste governo e, também, dos aliados inservíveis, que proverão a dose de “imparcialidade” que a hipocrisia lhes exige.

Falta apenas ver o que acontecerá ao Brasil, este detalhe.

Privatismo enfurecido versus militares ansiosos por abocanhar o controle das estatais. Estes querendo investimentos e aqueles a venda veloz do resto do nosso patrimônio. Moralistas versus uma súcia de ratos políticos. Todos os cleros –  baixos, médios e altos – reduzidos a nada ou quase nada na política ante a seita dos bolsonarianos e sua pauta destrutiva, bélica e fundamentalista. O Brasil moderno, urbano, com pretensões cosmopolitas versus aquela pauta dos anos 50. Mercados em festa, a produção em ruínas, talvez até com problemas nos setores vigorosos, como o agronegócio, em razão das burradas diplomáticas.

A salada de contradições vai grande, maior do que sempre foi em nosso país, mas agora sem a mediação da política. E, sem esta intermediação, tudo se resume ao rei.

Embora não (tão) formalmente, Bolsonaro nos conduz – ou quer conduzir – para o regime do partido único: Brasil (ele) acima de todos; Deus (ele também) acima de todos.

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13 respostas

  1. Resultado até agora do golpe continuado:
    Um mentecapto no comando da nação sustentado pela força bruta de mentecaptos militares, um judiciário inexistente, uma mídia desesperadamente conivente, um congresso desmoralizado e um país em frangalhos, motivo de chacota e de aversão do mundo civilizado.
    Quem poderia ter revertido essa situação permanece num cárcere de Curitiba vítima do mais sórdido processo que se tem conhecimento, enquanto um boçal bate continência para subalternos do império a que servem.
    O maior preso político que já tivemos e que esperamos não se transforme em mártir.
    #LulaLivre

  2. O colunista que semeou o ódio contra o PT e contra os petistas, por ressentimento e vingança, que depois disso se tornou tucano de carteirinha – quando recebeu como prêmio a edição de uma revista, “Primeira Leitura”, que nem mesmo os sabujos do tucanato e os governos amigos e patrocinadores conseguiram segurar – depara-se há dois anos, com a estupidez das maltas e matilhas que cevou por mais de um a década, tendo como auxiliares luxuosos gente como Diogo Mainardi, Felipe Moura Brasil, Rodrigo Constantino, Mário Sabino e quejandos; não é coincidência que RA tenha se tornado um crítico da Fraude a Jato quando essa ORCRIM institucional bateu às portas dele, fazendo com ele o que até então reserva apenas aos petistas. Tanto RA como DM foram pegos com as calças na mão e tiveram reveladas as suas relações incestuosas com os tucanos, que lhes pagavam gordas comissões para usarem suas colunas como arma de guerra contra o PT, contra os Ex-Presidentes Lula e Dilma, contra os petistas. Alguns blogs, desde 2013, já haviam publicado manuscritos com o nome de RA, mostrando que esse “jornalista” era o destinatário de algumas “comi$$ões”. Como a Fraude a Jato, até 2016, só mirava os petistas, RA continuava sendo o líder do anti-petismo patológico e emburrecedor que inculcou em grande parcela da classe média brasileira. Mas como a parcialidade da ORCRIM lavajateira ficou escancarada demais, alguns tucanos e seus apoiadores foram lançados ao mar (mortos polìticamente, mas com garantia da impunidade no âmbito criminal-penal); essa “onda compensatória” tornou Aécio Neves e José Serra – para citar dois exemplos – cadáveres políticos insepultos; e junto com esses tucanos de alta plumagem foram arrastados RA e DM.

    Do exposto acima percebe-se que não foi por altruísmo, muito menos honestidade intelectual, que o criador do termo “petralhas” passou a ser crítico da ORCRIM Fraude Jato e do Estado Policial. Nem mesmo o domínio da língua portuguesa e a clareza dos textos são capazes de redimir RA da canalhice do mau-caratismo que são a essência de sua personalidade deformada, preconceituosa, rancorosa e vingativa. O articulista RA, não sei por que razões, esqueceu-se de citar um 4º partido ou gangue do bolsonarismo: o PIF, partido dos imbecis fundamentalistas.

    1. Grande texto. Nunca devemos nos esquecer dos canalhas (todos) que atiraram o país nisto que aí está.

    2. É isso mesmo. Reinaldo Azevedo e os citados são uns fascistas infelizes que exalam ódio pelos poros. Exultam com o sofrimento dos mais fracos. Solidariedade não é com eles. Fazem parte daquela turma (junto com a Globo, Pan, é bom que se diga) que espalhou a intolerância na vida brasileira. Fazem parte de uma elite que odeia ter nascido no Brasil. RA tem um programa diário na BandnewsFm às 18horas. Quando posso eu o sintonizo para ouvi-lo. Agora deu para chamar a direita de “chucra”, “burra”, etc. Tenta se mostrar imparcial. Se diz “ex-esquerdista”, como se isso fosse um passaporte para ser canalha. Aliás, os “ex-esquerdistas” são os piores. São os mais intolerantes. Tornam-se “capitães-do-mato”, ex-escravos que perseguiam seus irmãos de raça.

  3. Daqui um ano, não se encontra mais um eleitor desse traste. Também não se encontra mais o próprio país, que provavelmente estará reduzido a um buraco e a catinga.

    1. Bem provável. Lembro da campanha eleitoral do Collor (o caçador de marajás) e do apoio esfuziante da Globo e da classe média (inclusive parentes, amigos e conhecidos…). Depois quando o governo do mesmo foi para o ralo (junto com o dinheiro de uma porção de gente, inclusive parentes, amigos e conhecidos…) ninguém mais tinha votado nele e nem queria tocar nesse assunto…Pelo andar da carruagem teremos a versão atualizada (e piorada) do mesmo tipo de evento….

  4. Reinaldo Azevedo sempre foi porta voz da velha guarda tucana.
    Será que o PSDB gostaria de aderir ao governo Bolsonaro?
    São golpistas. Nada a estranhar se o fizerem.

  5. Talvez a sanha de um (dos) rapaz(es) em se tornar um novo G Bush Junior provoque uma efemeridade à esta insanidade. Né não?

  6. e ele de fato fará mesmo o que quiser, assim como antes fez o tal de Moro. Pq do outro lado, no contraponto não há absolutamente nada

  7. Reinaldinho fez um bem bolado com a sigla desses partidos e ficou PCC: Polícia, Chicago e Caserna. Mas faltou incluir os evangélicos.

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