A educação para desaprender que somos um só povo

Os dados do Ibope mostram que se nem tudo está como antes, o que muda é a intensidade.

Jair Bolsonaro, o tosco,  atingiu 43% entre os entrevistados de nível superior, ante apenas 14% de Haddad.

Entre os que têm até a 4ª série do ensino fundamental, Haddad, o professor,  chega a 34%, ante 17%  de Bolsonaro.

Fica, assim, claro, que o que deveria ser o grupamento mais elitizado do eleitorado, aquele que rejeitaria propostas primárias e demagógicas de resolver “na bala” os problemas do Brasil é, justamente, o que mais adere à insânia.

É a classe média que tão cantada foi durante os governos de Lula e Dilma que progrediu materialmente, mas degradou-se intelectualmente e abandonou, em nome daquela ilusão de meritocracia e de segurança, da ideia de uma só nação, algo tão simples de compreender quanto o verso de Tom Jobim: “é impossível ser feliz sozinho”.

Escrevi, há dois anos, no livro-coletânea Golpe 16, que “na visão ideológica que se irradia do topo em direção à base social, sucesso  é sempre de natureza  pessoal – conquistado por talento, mérito, concurso, esforço, formação educacional etc –, enquanto o fracasso tem origem coletiva ou estatal: o povo [lembram do velho “zé povinho?] ou o governo brasileiro são as razões das dificuldades econômicas dessa gente, de sua falta de condições para atingir seus objetivos ou das vicissitudes de suas relações com mundo real, como na questão da segurança: ou “sobra” pobre, ou falta polícia…”

Da elite, mesmo, nada a esperar. Não será quem que vai transformar o país que ela própria moldou, à sua imagem e conveniência e que deu nisso aí que estamos vendo. Este grupo, hoje já tão terceirizado a seus prestadores de serviços gerenciais, cheios de MBAs e desprovido de qualquer refinamento intelectual, está se lixando se vai colocar no comando formal do país um despreparado, cercado de aventureiros e de autoritários, marcado por ideias racistas, misóginas, escravocratas.

Mas a classe média, como em tantas vezes na história, vai, em boa parte, com ela, levada pelo ímã do “senso comum”, algo próximo à idiotia, construído pela mídia, por um sistema de comunicação selvagem que fornece munição para suas guerrilhas de redes sociais e whatsapp que, como mostra hoje reportagem em O Globo, entrou em polvorosa, distribuindo aos milhões mensagens em que só pessoas imbecilizadas poderiam crer, como a “mamadeira de bico fálico” que o governo petista teria distribuído nas creches.

Vamos escapar, no segundo turno, de termos um país dirigido por gente obtusa e raivosa, mas não fácil.

E nos, letrados e em alguma coisa cultos, devemos, por isso, agradecer ao nosso povão. É que ele, tolo, iludível, enganável, desprezível segundo o pensamento de quem estudou mas não aprendeu, pensa em coisas “abstratas” feito comer, ter água, mandar os filhos à escola e outras “bobagens”que os donos do Brasil sempre lhes negaram..

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