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A grande ilusão da “centro-direita”

A Folha publica uma análise em que o rompimento do MDB e do DEM com o “centrão”seria um passo para a viabilização da candidatura de João Doria Jr. à presidência.

É claro que o fato de Jair Bolsonaro, aparentemente, ter perdido a chance de exercer algum controle sobre a pauta do Legislativo é ruim para suas pretensões de continuidade, sobretudo diante da certeza de uma profunda e longa crise econômica.

Mas não há pesquisa, por imprecisas que sejam tão afastadas das eleições, que injetem qualquer esperança para um nome alternativo de direita.

Nem Sérgio Moro, entronizado como santo justiceiro durante tantos anos e tantas vozes, ao ponto de nem sequer poder criticar suas decisões sob pena de ser chamado de “defensor de corruptos” consegue chegar perto do controle absoluto que Bolsonaro exerce neste campo.

Os moristas, em boa parte, viraram bolsonaristas e não parece que venham a deixar de sê-lo, porque o que lhes atraía em Moro não era, afinal, o “anticorrupção”, mas o emprego do autoritarismo e a obtusidade sectária do cargo, algo que Bolsonaro tem e ele não mais.

Luciano Huck gastou-se na “ameaça” de candidatura e perdeu o charme de novidade que podia ostentar tempos atrás.

Dória não passa, em nenhum levantamento, de 4 ou 5%, o que não o deixa em situação muito diferente da que viveu Geraldo Alckmin em sua última aventura como candidato. Bolsonaro atingiu em cheio seu eleitorado paulista e sua capacidade de inspirar confiança (e alianças) entre as forças políticas é próxima de zero, pelo mata-pau que se revelou para os figurões do tucanato.

Mandetta, que deve à estupidez de Bolsonaro o milagre de ter deixado de ser um ministro da Saúde apenas mediano e ganho simpatia pelo que teve de suportar estreou no cenário sucessório com perto de 5% – muito para quem era um desconhecido há seis meses e pouco para quem poderia surgir em meio à pandemia mortal que atravessamos.

Na esquerda, Ciro está onde estava – nos 10% ou pouco menos – e repete a estratégia de oferecer-se como o antipetista, acumulando desconfianças dos dois lados do espectro político e, portanto, não crescendo para nenhum deles. A plataforma nacionalista faz a direita torcer o nariz e o contínuos ataques a Lula gera caretas na esquerda.

Flávio Dino e Guilherme Boulos parecem ainda de calças curtas no jogo de gente grande.

Por mais que se fale em “renovação” na esquerda, não existe hoje uma alternativa viável a Lula se este não continuar impedido de se candidatar por questões judiciais. Do contrário, a alternativa Haddad é quase obrigatória para o PT, por trazer o recall do enfrentamento com Jair Bolsonaro.

Pois, salvo alguma intercorrência política imprevisível – e estamos cheios de imprevisibilidades neste governo de desgraças e escândalos – a eleição de 2020 vai se tornar plebiscitária: ele, sim ou ele, não.

E o centro direita terá de escolher o lado.

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13 respostas

  1. O bozo caiu na mão do centrão por pura inaptidão e burrice, entregou a corda em volta do pescoço para eles. Óbvio que vão preferir mais 4 anos com essa desgraça, a besta fera finalmente está sob controle.

    1. O bozo caiu na mão do centrão porque era inevitável. Estava escrito nas estrelas. Mas com os militares a perderem cada vez mais a aura de mistério e a fama de durões, nada mais vai poder ajudá-lo a retomar o caminho da ditadura sonhada pelo Olavo-SteveBannon. Parece que a coisa vai terminar no poleiro de patos da Fiesp e da Febraban.

  2. Fazer esta conta da centro-direita separando Ciro Gomes parece equivocado. Ciro Gomes é tão de esquerda quanto o infiltrado Cabo Anselmo em 64 e o velhaco FHC em 1994. Ciro Gomes é tão de esquerda quanto José Serra, Roberto Freire e outros infames exquerdistas como Carlos Lacerda.

    A conta dos canalhas golpistas da centro direita inclui o oferecido Ciro Gomes. E seu triste papel de pistoleiro político contratado da direita já é mais do que claro: ele o pratica há bem mais que dois anos, quando foi para Paris para servir a Bolsonaro. Só não vê quem não quer ou quem anda com fé e acha que a fé não costuma faiar.

    1. Ciro se ofereceu até pra ter Maia em sua chapa para presidência. Centro direita é boa vontade. Aliás, Ciro parece ser bem morista já que lhe oferece crédito por suas manipulações lavajatistas que levaram à condenação sem provas do ex presidente Lula. E com ele vai levando para a vala o PDT de Brizola.
      Adendo,: Acabo de ler uma reportagem dando conta da ideia do Maia de ” modernizar o SUS. Onde modernizar significa inserir a iniciativa privada no jogo. Esse é o cara que o Ciro quer na sua chapa.

  3. ” e a centro-direita terá de escolher o lado “.
    Otimista, Brito? A gente já sabe, de cinco séculos de Brasil, pra que lado essa gente cai, de que lado a corda arrebenta.
    Se a esquerda vencer as eleições vai ser por méritos próprios, sozinha, sem ajuda da direita (aqui não tem centro-direita, tem direita e extrema direita). Pena que o Ciro seja tão vaidoso e cego e persista nesse discurso obtuso. Se ele reconhecesse a importância do Lula, poderia negociar um acordo que melhorasse a possibilidade dele, na próxima ou na eleição seguinte. Mas prefere fingir que o mal todo do Brasil é o Lula, e esquece dos bancos, da Globo, das nossas grande e pequena burguesias, sinhozinhos que não largam o chicote, mesmo depois de 132 anos da abolição…

  4. Se for contra o Haddad, alguém tem dúvida de que a direita ganha? Um candidato a presidente que se recusa a ser candidato a prefeito de SP porque sabe que vai tomar uma lavada?
    Acho muito difícil pro Ciro. Mas pro Haddad é totalmente impossível.
    Nas minhas andanças pelo país ainda não tive a oportunidade de conhecer um único eleitor ex-antipetista. Será que o PT acredita no surgimento desta criatura exótica?

  5. Só um detalhe escapa ao grande analista Fernando Brito: Impedir o bozo de ser candidato em 2022 é até mais fácil que impedir Lula em 2018.

  6. Nada, nenhum outro caminho, poderá restabelecer a normalidade democrática e o equilíbrio político civilizado no país – Sem que reste provada e anunciada aos berros por toda parte a inocência absoluta do ex-presidente Lula, não haverá qualquer perspectiva de desenvolvimento independente para o Brasil. Vê-se que certa esquerda é tão louquinha para jogar mesmo com dados viciados, que até vem com a mesma parola de “o que passou, passou, vamos olhar o futuro”. Não há futuro possível que se possa erguer sobre o cadáver da soberania popular. E Lula é a soberania popular. Foi ela que foi conspurcada quando jogaram lama sobre ele. Quem quiser que faça seus outros PPS, mas saia do caminho dos progressistas e se junte ao centrão, que é seu lugar.

  7. Nada, nenhum outro caminho, poderá restabelecer a normalidade democrática e o equilíbrio político civilizado no país – Sem que reste provada e anunciada aos berros por toda parte a inocência absoluta do ex-presidente Lula, não haverá qualquer perspectiva de desenvolvimento independente para o Brasil. Vê-se que certa esquerda é tão louquinha para jogar mesmo com dados viciados, que até vem com a mesma parola de “o que passou, passou, vamos olhar o futuro”. Não há futuro possível que se possa erguer sobre o cadáver da soberania popular. E Lula é a soberania popular. Foi ela que foi conspurcada quando jogaram lama sobre ele. Quem quiser que faça seus outros PPS, mas saia do caminho dos progressistas e se junte ao centrão, que é seu lugar.

  8. Tenho defendido que é preciso pensar nas ideias, nos projetos e planos. A militância, por consequência o eleitorado, tem que perceber claramente o que nos diferencia.Então discutir os candidatos será mais fácil.

  9. Fernando, discordo que Moro tem menos chances que Bolsonaro de ser o candidato preferencial da direita.
    Num país em que tantas pessoas formam sua opinião exclusivamente através do que veicula a “grande” mídia, Moro será um candidato fortíssimo em 2022. A Globo está fechada com ele, e a imensa maioria dos demais meios de comunicação oligopolistas farão o mesmo. Além disso, ele terá muito dinheiro proveniente do mercado.
    Moro é o inimigo a ser batido. Pode crer.

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