A guerra na direita é para ver quem é o candidato do ódio

Não tem mais centro-direita no Brasil.

Essa é a impressão que fica dos movimentos dos dois principais candidatos da direita, Jair Bolsonaro e Geraldo Alackmin depois de “resolvida” a indicação de seus candidatos a vice.

Bolsonaro, depois de suas viagens espaciais por estações lunáticas e delírios imperiais, escolheu o General Hamilton Mourão, numa escolha que a ele soma bem pouco e, infelizmente, é terrível para o Exército Brasileiro, seja porque o general será o ordenança do ex-capitão, seja porque estimula atos de indesejável indisciplina como os que o próprio Mourão protagonizou.

Que Bolsonaro possa ser o “Rambo” de cadetes e aspirantes, ávidos pelo sonho de serem um “top gun” juvenil e sedentos por exercer aos 20 e poucos anos o mando que as divisas de oficial lhes dará, é compreensível. Maturidade, armas e poder costumam mesmo ser um coquetel inebriante. E sempre há, como em qualquer lugar, boçais, para ficar na palavra com que o próprio Mourão descreve parte de seus agora correligionários.

Mas que oficiais generais, ciosos de suas missões, capazes de compreender o que é uma força de Defesa para um país gigante como o nosso certamente franzem as sobrancelhas sob o quepe quando vêem uma situação destas, francamente desestimuladora da hierarquia e da disciplina essenciais à vida militar. Sem falar, é claro, na visão estratégica das Forças Armadas a caminho de ser  virada pelo avesso, porque será inevitável que se as envolva ainda mais nas questões de segurança e se deixe de lado o conceito de terem núcleos de vanguarda tecnológica, porque são eles que, hoje, atuam no ponto central da Defesa: a capacidade de dissuassão de aventuras expansionistas sobre nosso território.

Não subestimem os nosso generais achando que eles pensam que é o número de fuzis que vence batalhas.

Já Geraldo Alckmin, depois de um flerte mal-sucedido com um empresário liberal, Josué Alencar, escolheu a senadora Ana Amélia, a “mulher do relho” que, numa frase magistral, Janio de Freitas definiu hoje, na Folha, como a “versão nunca
fardada de Jair Bolsonaro”, em termos políticos.

O movimento é autoexplicativo. O candidato do PSDB investe sobre a porção direitista do eleitorado do Sul do país, onde Bolsonaro nada de braçada e ele perde até mesmo para Álvaro Dias, o dissidente tucano do tal “Podemos”. Um alvo, convenhamos, bem modesto para “gastar” um cartucho do calibre de uma vice-presidência.

Bolsonaro e Alckmin, como se vê, estão disputando nacos da mesma carne e é difícil achar que, neste puxa-repuxa, as mandíbulas do ex-capitão sejam mais fracas que as de Alckmin.

Nenhum dos dois, em suas composições políticas, conseguiu ameaçar o território onde viceja a candidatura Lula: os mais pobres, o Nordeste e as periferias. Notadamente a Alckmin falta gás nestes terrenos e suas escolhas não o ajudam.

Além do mais não é preciso ser g~enio do marketing para saber que a onda da direita jpa teve melhores dias.

Mas o PSDB não pode reclamar: foi ele que levou àquilo que se apontou na primeira linha deste texto, a extinção de uma centro-direita no país, quando estimulou e executou o golpismo feroz que agora o leva a ter de ser, como disse em carta, hoje, o ex-presidente Lula:  um prato da extrema-direita onde virou o recheio, o escondidinho de tucano.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email

16 respostas

  1. Uma dupla que veio para restaurar o pelourinho em praça pública. A mulher do relho e o homem do silício.

  2. Bolsonazi/Hamiltão X Santo/Amelião do Relho, uma “briga de foice no escuro”, tudo para um mísero vice campeão.

  3. “Escondidinho de tucano” inclusive é crime ambiental. Mas é o que eles conseguem fazer.

  4. Posso estar enganado, mas acho que centro-direita já não existia há um bom tempo – era puro “embromation”.

    A novidade é que agora existe um pólo que não hesita em mostrar seu fascismo, então a turma do social-darwinismo (o “SD” da sigla PSDB) está correndo atrás do prejuízo.

  5. Santo – Guilhotina nele
    Ana do Relho – Guilhotina nela
    Boçalnaro – Guilhotina nele
    Mourão – Guilhotina nele

  6. General batendo continência para militar de patente inferior? Duvido! Taí um vice que nem chegará a ser decorativo. Bolsonaro será posto fora antes mesmo de assumir (caso eleito) -> portas abertas para o golpe militar com endosso eleitoral.

    1. Primeiro – não se diz “batendo continência” se diz PRESTANDO CONTINÊNCIA.
      Segundo – não tem nada de patente, porque não estão em uma instituição militar.

  7. Agora entendi por que o general Mourão colocou os tanques em frente ao STF para que não dessem o habeas corpus a Lula!! Mais evidente não poderia ficar!! Sem Lula na disputa Bolsonaro e ele teriam mais chances!!

    1. Se isto que você diz é verdade (tanques na porta do STF) então estamos perto de um golpe de estado e o Lula subirá a rarmpa do palácio com o apoio dos militares. Francamente não entendi esta.

  8. Não tem mais centro-direita no Brasil… Nem centro-esquerda, felizmente (neste caso, do campo progressista), porque se, mesmo depois de tudo isso que o País tem passado, ainda sobrar espaço para conversinhas de nhém-nhém-nhém, vou querer, como, acredito, muitos, o meu voto de volta… Agora, é o preto no branco, o que vale, valerá é/será o sim ou o não, o certo ou errado, o bom ou o ruim, que muitos, tantos tentam simploriamente, no pior sentido, estigmatizar como maniqueísmo, sendo “apenas” a (definição da) verdade (do povo, espera-se), pura e simples. Ou, como se diz mais popularmente, agora é a hora da verdade. Estou ansioso mesmo é para que chegue logo o começo do horário político nas TVs e radios, para ver como se comportarão cada qual das coalizões, cada partido, em níveis nacional e estadual (PI). Será no dia 31 de agosto ? É isso ? Quero ver Lula lá, agitando o povo, pondo em loucura a direita execrável, seja por sua aparição direta em vídeo, seja por mensagens escritas, seja de que jeito for, será Lula de novo, com a força viva do povo, que muito o ama e admira.

  9. Não quero aqui desmerecer nenhum candidato e seus vices, mas u q se se observa é uma descrença total nesta turma: Alkimin e Ana Amélia, Bolsonaro com o General , Ciro com “Katia Abreu”, Marina das pererecas verdes com Eduardo Jorge, Outro lá do Paraná com não sei quem. Tamos bem né?? Parecem uma turma de perdidos numa noite escura. Esta turma ai podem desistir. Com esta turma de ruins de votos o Lula será eleito no primeiro turno sem fazer campanha nenhuma. Com uns adversários ruins como estes, até eu me elejo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.