A “live” de Bolsonaro e a estratégia que ela segue

Começa a se tornar palpável a impressão de que Jair Bolsonaro não empenhará toda as sua forças na aprovação da reforma da Previdência.

A busca por conflitos e polêmicas dos últimos dias é o inverso do que se esperaria de um presidente que estivesse dedicado a envolver as forças políticas necessárias a ter dois terços dos votos na Câmara dos Deputados.

Suas declarações de que a reforma é uma necessidade soam burocráticas e formais, mais interessadas em se apresentar como promotor de uma igualdade que não acontecerá do que em convencer que a Previdência reformada traria uma retomada econômica, o que é duvidoso, aliás.

Também aponta neste sentido o sumiço de Paulo Guedes, o “Queiroz da Fazenda”, que vai a um ou outro convescote de executivos, mas que não entra na polêmica.

Bolsonaro está, nitidamente, tentando reagrupar suas hostes. Em sua live de hoje, uma dezena de temas, rasamente “populares”, com uma abertura destinada a “esclarecer” seu arroubo autoritário com as Forças Armadas – aliás, colocando dois generais a fazem o papel de “múmias paralíticas” (salve, Agildo Ribeiro!) ao seu lado – e depois com um pot-pourri de assuntos que iam desde o aumento da validade das carteiras de motoristas às bananas do Vale da Ribeira, passando ela industria de multas dos “pardais” de velocidade nas estradas.

Tudo é produzido de maneira tosca, com som deficiente e imagem pobre, e não é por acaso.

Criam-se “memes”, não se discute ou se convida a discutir problemas nem se busca o convencimento. Não vai à TV, como o aconselharam, porque nem mesmo ela é seu meio: seu meio são as redes sociais e o Fla-Flu que elas engendram.

É o firehosing em ação, uma técnica de marketing que roubou o nome das mangueiras de incêndio: esguicha com tanta força e com tanto movimento que é impossível se desviar dela.

Bolsonaro recua para seu “núcleo duro”, os milhões de fanáticos que a manipulação da mídia, durante anos, construiu em nosso país.

Se isso lhe dará a maioria necessária no Congresso para aprovar a Previdência, não sei. Também não críamos que onda avassaladora de fanatismo fosse suficiente pela fazer o golpe do impeachment, e foi.

Bolsonaro pode perder votações no Congresso, isso não lhe é essencial. Essencial é o magnetismo que exerce sobre a estupidez nacional que ele representa.

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27 respostas

  1. Mas há algo de que ele não conseguirá fugir: da AGENDA da direita. No fundo ele não se importa com ela, pode-se dizer até que não gosta dela, porque sua capacidade intelectual impede até mesmo que a compreenda. A agenda de Bolsonaro é a estupidez, a misoginia, a homofobia. Ele só alcança até aí e,
    incrivelmente, foi suficiente para chegar à presidência.

    1. O plano foi muito bem feito. Lula virou um mito, e para combatê-lo, resolveram fabricar um mito artificial com penetração popular através de vários expedientes, inclusive através de igrejas evangélicas comandadas por mercenários. A matéria prima para a fabricação deste “mito anti-Lula” foi de péssima qualidade, mas a natureza radicalíssima era perfeita para que ele viesse a, quando eleito, entregar o ouro ao bandido, e tudo o mais que pudesse entregar. Apelaram para a desmoralização chula dos adversários porque isso deleitava os ignorantes de classe média, já que para eles contra a pultaria não há quem possa. Esconderam o gajo de qualquer debate sério, de qualquer maior exposição, com a única desculpa positiva possível para isso: Estar hospitalizado, o que ainda por cima lhe renderia votos de solidariedade por ser vítima. A história completa dessa eleição não poderá deixar de ser minuciosamente escrita por alguém muito competente.

  2. Mas há algo de que ele não conseguirá fugir: da AGENDA da direita. No fundo ele não se importa com ela, pode-se dizer até que não gosta dela, porque sua capacidade intelectual impede até mesmo que a compreenda. A agenda de Bolsonaro é a estupidez, a misoginia, a homofobia. Ele só alcança até aí e,
    incrivelmente, foi suficiente para chegar à presidência.

  3. Por fim,menciona-se os AUTORES INTELECTUAIS,se é que dá para chamar disso,o bando de FANÁTICOS,com tendências MALFEITORAS,que o elegeram.Inclua-se nesse BANDO,o outro BANDO,que não foi votar,anulou ou votou em branco.Convém sempre,ressaltar,que os reis o foram na história,pela CUMPLICIDADE DE SEUS SÚDITOS.

  4. Agregue-se ao meu comentário,os MILHÕES DE CAFAJESTES,que indagados,sustentam que NÃO SE METEM EM POLÍTICA.

  5. como é muito início de governo (e quanta história já temos pra contar e lamentar…) ele ainda consegue apoio até para sua posição de magistrado fake diante do vídeo q parece saído do cafofo do Calígula. Voltou fácil ao pique da campanha. Mas esse tipo de coisa tende a cansar caso ele não emplaque rápido algum sucesso especialmente na economia. Pra se manter no poder (caso não seja defenestrado antes) ele não tem alternativa a não ser dar o q a turma da deep throat quer (mudaram algumas caras no legislativo mas não a lógica de funcionamento do lugar). É isso ou vai ser q nem o Collor

  6. Um energúmeno que a trinta anos recebe dos cofres públicos sem dar nada em troca. Foi esse infeliz que a maioria dos votantes escolheu, alguém que não trabalha, só finge que faz alguma coisa, enquanto passa o tempo no Congresso em Brasília. Um especialista em matar tempo coçando o saco.

  7. Sinceramente, quero 4 anos do Bostonauro.
    Desde que o moderadíssimo PT foi golpeado só me vem a lembrança o “Velho Briza”.
    Brizola poria o dedo na cara dos Istaduszunidos e seus sócios, na dos ricos e das altas cúpulas do funcionalismo e militares. Todos bem “treinadinhos” pelo Depto. de Estado e Depto. de Justiça gringos.
    E nada podemos esperar dos brasileiros que atuam nas ou pelas multinacionais, eles estão caladinhos, caladinhos. Ou perdem o raro emprego!
    Que M…, hein?

    1. Eu também quero 4 anos de bozo porque isto só vai desmoralizar mais ainda as elites, a direita e os militares. Quando há uma crise tão profunda como a que nós, brasileiros, estamos é necessário que haja uma definição o mais clara possível dos limites e contornos e das características de todos os protagonistas da tragédia. As peças teatrais na Grécia tinham um coro, neutro, todos vestidos iguais e com máscaras, que ficava no fundo do palco e que ajudava a plateia a entender o que se passava em cena. Era uma espécie de subconsciente que definia os entornos das paixões representadas. O tempo do mandato poderá definir com clareza a insustentabilidade das elites, sua inaptidão para governar e o necessário deslocamento do poder em direção ao povo, como aliás, está no artigo primeiro da constituição e é cláusula pétrea.

  8. Essencial é o magnetismo que exerce sobre a estupidez nacional que ele representa.

    e representa com gosto e orgulho!

      1. Eheheh… saiu aqui na TV local entrevista com irmãos do maluco presidencial… não lembro da cidade, mas pelo menos um deles mora no Vale do Ribeira. Acho que parte da infância dele foi lá, também.

  9. Prezados Fernando Brito e leitores deste Tijolaço,

    Mais uma vez peço-lhes para não ficarem na superfície nem se deixarem pautar pelos golpistas, vistam eles togas, fardas verde-oliva, coletes ou terno e gravata, como os procuradores lavajateiros. Na verdade esses criminosos encastelados e enquistados no aparato repressor do Estado Brasileiro nada mais são do que operadores da verdadeira inteligência que comanda o golpe de Estado, o desmonte, a destruição e o entreguismo do Brasil e de suas riquezas e setores estratégicos, que são o Deep State estadunidense, finança transnacional e oligarquias. Mesmo as técnicas de guerra híbrida total, usadas à larga desde 2013, não foram concebidas por esses vira-latas e entreguistas de Pindorama. Sem o apoio e comando do Deep State estadunidense e daquele Estado terrorista e sionista do Oriente Médio, essas vacas fardadas, esses togados e esses de colete, terno e gravata das ORCRIMs judiciárias não seriam capazes sequer de vigiar o que entra e sai pelas fronteiras do Brasil.

    Em vez de ficar discutindo vídeo pornográfico reproduzido pelo Bozo, os blogueiros e jornalistas que se dizem “progressistas” deveriam procurar saber quem são os “atores” daquela perversão rasteira (crime tipificado pela legislação brasileira em vigor), quem filmou (afinal o vídeo foi feito bem de perto e não por alguém que estava distante, no meio da rua). Se investigarem para valer, descobrirão que a armação é tão grosseira quanto a da “esfakeada” em Juiz de Fora, que o Duplo Expresso desmascarou no mesmo dia e que um documentário de quase 1h reduziu a páo, há cerca de um mês.

    Os generais que ladeiam o Bozo não são “múmias paralíticas”; o que se vê é a tentativa mais explícita de “enquadramento” deste tenente chinfrim, expulso das fileiras do exército por organizar motins, ameaçar explodir quartéis e planejar atentado terrorista para explodir adutora da CEDAE que abastece o Rio de Janeiro, já nos idos de 1987. A patente de capitão lhe foi concedida para que ele tivesse o soldo melhorado e para que deixasse as fileiras do exército sem que fosse expulso. Os generais golpistas,vira-latas e entreguistas que hoje ocupam o governo foram, em grande parte, colegas do ex-tenente terrorista e sabem que ele tem apoio da “tigrada”. O coleguismo os torna cúmplices do clã miliciano-criminoso que ajudaram a empoderar; mas esses generais sabem que pouco ou nada vale o comando formal, se a “tigrada” é fiel ao ex-terrorista. É por isso que vemos, desde janeiro, esse generalato fazer parceria com o PIG/PPV e com vastas parcelas do sistema judiciário visando tirar todo o prestígio do clã Bozo, sem contudo defenestrá-lo do Planalto, pois isso implicaria o ônus desses generais terem de assumir como seu o golpe de Estado e esse governo que desmonta, destrói, retira direitos, massacra e oprime os pobres, os trabalhadores e os excluídos e entrega as riquezas brasileiras aos verdadeiros comandantes do golpe de Estado, que são o Deep State estadunidense, a finança transnacional e as oligarquias.

  10. Há uma contradição fundamental que permeia todo este governo(?). É o fato dele ter arraigada natureza ditatorial e tentar sustentar que tem aceitável natureza democrática. As borbulhas de truculência autoritária e estupidez ideológica vão o tempo todo subindo à superfície, e eles têm que ficar o tempo todo tentando espocá-las ou escondê-las.

  11. O som e imagem de baixa qualidade também cumprem a função de tornar os arquivos de vídeo mais “leves”, para serem disseminados, via ZapZap, para a “base eleitoral”…

  12. Reforçando um comentário postado, um boa questão: será que o tal vídeo do golden shower teria sido fabricado? Quem filmou? Alguém patrocinou? Como foi filmado? Onde foi precisamente? Horário? Algum transeunte viu? Quem são os atores? Por quê não foram presos por atentado ao pudor? A ideia foi um tiro que saiu pela culatra tamanha a repercussão negativa da divulgação, mas há muita coisa a esclarecer. Tudo no Brasil de hoje é possível.

  13. Imagino como deve se sentir um general sentado ao lado de um tenente falando tanta bobagem e tendo que ficar calado.

  14. Tenho observado um “fenômeno curioso” nas publicações do facebook dos meus “amigos” bolsominions: postam coisas apoiando e exaltando o “mito” e, logo em seguida, postam contra a reforma da previdência, mas sem mencionar o dito cujo.

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