A morte a mil

Faz tempo, já mostrei aqui que o novo coronavírus brasileiro tira meio expediente nas estatísticas durante o final de semana, embora não se acanhe de continuar infectando e matando.

E os números deste final de semana mostram que a marca das mil mortes diárias está para cair esta semana, basta fazer as contas.

Segunda passada, dia 11, a contagem das mortes registradas no domingo foi de 396. Hoje, de 674.

Na terça, dia 12, de volta aos “dias úteis”, foram 881. Mantida a proporção de aumento (70%), seriam inacreditáveis quase 1.500 mortes.

Ainda que a proporção nos seja mais gentil, é muito provável que passemos das mil mortes em um só dia, portanto.

E o que estamos fazendo?

Nos apressando para que um general, conhecido por punir soldados amarrando-os a carroças e fazendo-as puxar em um quartel, leve ao presidente um protocolo para a pataquada da cloroquina?

Usando a capacidade logística do país para entregar 6% dos respiradores prometidos?

Berrando para que as pessoas saiam do isolamento social e transformem mil em dois mil mortos?

Vivendo o lobby para nomear ministro um bucéfalo que diz que diz que isso é “uma porra de um viruzinho” e que acha que o voto das mulheres estraga a democracia?

Já não precisamos de psiquiatras, precisamos é de veterinários e de domadores de bestas.

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7 respostas

  1. Precisamos de alguém como Fidel Castro, alguém que convença a tropa de que o Brasil é de todos.

  2. Estão farejando nos Estados Unidos que o secretário de estado Mike Pompeo teria ordenado a um funcionário público seu subordinado que levasse seu cachorro a passear. Se isso for provado, ele será defenestrado por uso de recursos públicos para proveito pessoal, e já vai tarde, o resto do mundo vai aplaudir. Aqui no Brasil um chefete qualquer pensa que é senhor de escravos. E isolamento social deve incluir assistência e renda mínima desburocratizada para quem é pobre.

  3. Um dos principais problemas de se tornar um profeta da tragédia, é que consciente ou inconscientemente acaba-se torcendo pela desgraça, só para depois proclamar: “eu não disse ?”.
    Nunca pensei que o Tijolaço, um espaço onde a política tem sempre uma análise de nível tão alto, fosse se tornar um programa do Datena em termos de pandemia.
    Não se trata mais de informar nem alertar, porque creio que todos os leitores do site são bem informados. Também não é questão de cobrar medidas, porque nenhum destes leitores tem poder para isto, quem tem não lê os artigos e mesmo se lê-se não mudaria nada, isto é claro.
    Tornou-se então apenas um exercício sadomasoquista e mórbido de ficar prevendo quando chegaremos a mil, duas mil, dez mil mortes. Como eu não tenho intenção de vivenciar tortura inútil, abro mão também dos artigos políticos e deixo por um tempo de visitar o Tijolaço.
    Volto quando terminar essa fase terrível.

  4. Ora, ora! Veterinários…
    É isso daí! Veterinários são, por prática e ciência, excelentes epidemiologistas!
    Médicos, aqui na terrinha, salvo raríssimas exceções, raramente fazem prevenção!
    Um país em guerra, e que aos finais de semana pára de coletar informações sobre o inimigo viral! Coisa de doido!
    Enfim, a lição será profunda, dolorosa e pungente!
    Um país sem ciência é presa fácil da mentira!
    Pobre Brasil!

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