Brincando no precipício

No universo da informação há um pouco da regra dos duelos dos filmes de faroeste: “sacar primeiro” acaba sendo um imensa vantagem, mesmo que a rapidez possa trazer algum risco à pontaria.

Está acontecendo isso neste caso da pandemia e com possíveis consequências trágicas, à medida em que a lentidão em perceber tendências imobiliza a sociedade e a deixa inerme diante do avanço da doença.

Perdemos, não há duvidas, a primeira chance de despertar na população o cuidado e a atitude necessárias para diminuir a expansão da epidemia ainda ao início.

Repetimos o erro que, neste blog, já se apontava em Donald Trump, “orientador” de nosso presidente, muito antes de se tornar uma pandemia, transformar o novo coronavírus em uma disputa política.

Estamos perdendo a segunda chance, a de convencer as pessoas da necessidade de usarmos a única arma que temos, a do isolamento, nem que seja por medo da doença e da morte.

Há dois meses atrás, quando os EUA tinham 6 mil casos, mesmo o mais pessimista não ousaria falar nos atuais 1,5 milhão de contagiados que têm hoje, apenas 60 dias depois.

A explosão de casos no Brasil não está por acontecer, está acontecendo e não se dá a ela o aspecto terrível que ela tem.

O número diário de novos casos, consideradas as últimas quatro semanas subiu de 5,5 mil para 8,5 mil, daí para 11 mil e, ao que tudo indica, irá para perto de 15 mil esta semana. Por dia!

E estamos mais preocupados com cloroquinas e que tais, em recusar a ideia de um bloqueio mais severo nas metrópoles, além de bobagens como liberar o funcionamento de manicures e academias de ginástica.

Talvez – e espero – isso mude um pouco hoje e amanhã, com os números que teremos ao final do dia.

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9 respostas

  1. O poço em que estamos metidos é tão fundo que um youtuber sem nenhuma formação política ou intelectual que apenas conseguiu admitir o próprio analfabetismo político passou a ser a última esperança da democracia. Ótimo que tenha aberto os olhos, mas, pelo amor de Deus!, a esquerda vai precisar que alguém assim seja seu mentor no universo da comunicação digital mesmo tendo em suas fileiras pessoas muito mais qualificadas que ele entre jornalistas, intelectuais, professores, políticos, etc? Não estou aqui abominando Felipe Neto pelo seu passado de analfabeto político que influenciou outros milhões de analfabetos políticos, estou abominando é que estejam depositando nele uma quantidade enorme de fichas.

    1. Seria ingenuidade esperar q ele se torne um apoiador da esquerda. Mas, se tratando de comunicação ele deve ter muito o q ensinar à esquerda em termos de mídas digitais, ainda q existam grandes jornalistas, intelectuais, professores etc etc. Quem tem 10 milhões de seguidores no Twiter e 40 milhões no youtuber??? São números q não podem ser ignorados nesse mundo em q ter seguidor vale mais do q ter um título acadêmico.

    2. Quando passar essa crise, ele vai estar apoiando tucanalhas achando que são de esquerda …

  2. Antecipado aqui pelo colega Francisco Assis, Veja publica que o EXÉRCITO brasileiro aumentou a produção de comprimidos de cloroquina, saindo de cerca de 3 mil por semana pra 500 mil semanalmente (um espanto) ..Tal estratégia, segundo alguns críticos, visaria dar a sensação de segurança pra população, fazendo-a imaginar que há proteção eficiente contra o COVID, logo, que ela poderia retomar suas rotinas normalmente
    Pergunta – quem vai pagar pelas mortes causadas, muito provavelmente, pelas arritmias cardíacas tidas nas residências ? Será que no futuro necessitaremos de outra lei de anistia pra pacificar o país ?

    https://veja.abril.com.br/blog/matheus-leitao/exercito-e-a-producao-em-massa-de-cloroquina-ajudaram-a-derrubar-teich/

    1. O Genocida e seus militares delinquentes estão prestes a iniciar um experimento nazista com o pobre povo brasileiro, com o apoio de médicos irresponsáveis e o próprio Conselho Federal de Medicina – CFM -, que baixou norma autorizando o uso da droga para tratar a Covid-19 sem fundamentação científica, ou seja, para fazer o povo de cobaia.

      Até a semana passada o exército fascista de ocupação do Brasil já havia produzido mais de 2 milhões e 250 mil comprimidos da droga. Com 6 comprimidos de 450mg, na prescrição máxima de 2.7 gramas indicada pelo MS, somente essa produção em estoque serviria para “medicar” nada menos que 375 mil pacientes, significando que, para cada 1% de fatalidades causadas pela droga – por arritmias, enfartes, AVCs etc -, seriam 3750 brasileiros assassinados por este bando de genocidas.

      1. Notícia da Folha de São Paulo alerta que já teria iniciado o assédio aos médicos, pela população, para que a cloroquina seja prescrita “precocemente”. O inferno está só começando…

  3. E no lado dos que pregam “economia é vida”, os bancos não parecem muito preocupados com isso:

    “O crédito foi injetado em cooperativas e bancos brasileiros,responsáveis por distribuir os financiamentos. Mas deles só saem com muita dificuldade – ou simplesmente seguem inacessíveis para muitos empresários… Agora cabe aos bancos decidirem que CNPJs vivem e quais morrem na crise econômica causada pela pandemia. E a maioria está condenada à morte: apenas 3,6% do total dos R$ 40 bilhões chegou aos micro e pequenos empresários”.

    https://theintercept.com/2020/05/18/bancos-emprestimos-crise-coronavirus/

  4. Os canais mais populares de televisão em seus noticiários sobre a pandemia – e também sobre os demais problemas envolvendo o governo – deixam entrever de maneira nítida a inibição e a autocensura geradas pelo medo, e fazem o possível para dar ao país um ar de normalidade que transparece como absurdo. É o patético aliado ao terrível.

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