A tragicomédia brasileira

Não falta material para ridicularizar este governo: qualquer um pode diariamente encontrar a piada pronta do sr. Jair Bolsonaro.

Mas, sinceramente, desanima – e muito – ver de novo o nosso país reduzido ao “n’est pas serieux” que se atribui, aliás equivocadamente, a Charles de Gaulle, então presidente da França.

Estamos rindo de termos um presidente ignorante, sabujo ao ponto de querer mandar o filho, dublê de cowboy trumpista, ser embaixador nos EUA, enquanto o nosso país vira chacota internacional, completamente isolado nos fóruns multilaterais, alinhado ao Bahrein e à monarquia saudita.

Estamos seguindo, sôfregos, a lenta exposição do belo trabalho de um jornalista norte-americano sobre algo que toda a imprensa brasileira sabe há quase cinco anos: que a Lava Jato tornou-se um centro de conspiração política, destruindo empresas e política e alavancando projetos de poder com a promiscuidade dos órgãos judiciais.

Estamos discutindo se devemos ter uma “nova esquerda”, que defenda o mesmo que a velha direita, embora com mais modos e linguagem polida.

O país caindo pelas tabelas, as calçadas se enchendo de indigentes e o discurso segue o mesmo – ainda hoje repetido pelo general Augusto Heleno: o de que medidas econômicas só depois de totalmente aprovada a reforma da Previdência.

A falência de empresas, o fechamento de fábricas, o corte de gastos e investimentos públicos são, todos, quase comemorados pelo jornal, como se fossem a afirmação de uma “seleção natural” onde só os fortes sobrevivem.

Estão no poder há mais de três anos – quase cinco, se contarmos Joaquim Levy – e não há luz, só túnel.

É, em quase tudo, um pesadelo do qual só serve de consolo sabermos que dele vamos acordar.

 

 

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email

14 respostas

  1. Li agora no Estadão o post “Bolsonaro : O Brasil precisa de quimioterapia”. Pode até ser capitão. Agora o senhor precisa é de uma lobotomia. Isso sim.

  2. Foi uma aposta equivocada da imprensa e do judiciário. Esculhambaram o país, e agora não sabem o que fazer. Os mais pobres pagam a conta, pois são também sem vozes. Lamentável e triste!!

  3. Foi uma aposta equivocada da imprensa e do judiciário. Esculhambaram o país, e agora não sabem o que fazer. Os mais pobres pagam a conta, pois são também sem vozes. Lamentável e triste!!

  4. “Nosso país”? “Ah, isto não te pertence mais”, diria a humorista, dessa vez falando sério. Melhor seria chamar de “território” e, mais precisamente, de “território deles”. Pois colonia não é pais, como diz a enciclopédia: “Em política, chama-se colónia ou colônia a um território ocupado e administrado por um grupo de indivíduos com poder militar, ou por representantes do governo de um país a que esse território não pertencia (metrópole)“.

    Há melhor definição para o Brazil atual? Em que a única diferença de séculos atrás é a de que não é mais necessário importar escravos, pois o território já os tem de sobra, ao ponto em que os donos lá fora e seus lacaios civis e militares aqui dentro, muito incomodados com isso, já falam e agem abertamente para exterminar grande parte deles para retomar a paz social da casa grande.

  5. Nunca o dito popular “Seria cômico, se não fosse trágico” foi tão apropriado para descrever uma situação como a que o Brasil vive hoje. Não só trágico, mas também humilhante.
    E para piorar, a maioria da população foi conivente com as práticas que resultaram na destruição da Democracia e do Estado de Direito, alguns por ignorância política, mas a maior parte por má índole, por terem curtido o clima de ódio que a elite despudorada, a grande mídia (inteira sem ética jornalística), os políticos e empresários corruptos, o crime organizado e os fascistas alimentaram contra o PT e a esquerda. Gente frustrada, que ao ver alguém sendo linchado, corre para ajudar, para poder descarregar seu ódio contra alguém, sem qualquer preocupação em entender se a vítima é culpada ou não. Devem pensar: “se tanta gente está linchando, mesmo que a vítima seja inocente, eu estarei justificado”.

  6. Um primeiro passo seria passarmos a discutir propostas em vez de nomes. Esquecermos a fulanização da política.

  7. Gostaria de compartilhar da esperança do blogueiro mas creio que teremos mais uma “noite tenebrosa” que durará 20 anos! Quando o povo voltar à condição de miserabilidade pré-PT talvez acordem!

  8. Vamos acordar só pra dormir de novo. Logo isso aí passa… vamos voltar a viver dignamente… e aí a ideologia da direita e do “self made man” volta e derrubamos novamente o progresso. Essa é a sina eterna do Brasil que pode ser explorado quase que infinitamente.

  9. Essas palhaçadas da família Bozo são diversionismos para as pessoas se ocuparem de futilidades, enquanto o país é destruído a um ponto de “não retorno”.

  10. Caro Fernando Brito:
    Em 18 de março de 2019, o senhor Bolsonaro estava em um jantar nos estados Unidos e lá o presidente do Brasil que não passa de um vassalo do presidente americano e que para a maioria dos brasileiros não passa de um vaníloquo e vaníssimo, disse a pérola abaixo, demonstrando o seu niilismo em relação ao Brasil :
    “Bolsonaro diz que chegou para desconstruir, e não para construir
    Em seu jantar com representantes da extrema-direita nos Estados Unidos, Jair Bolsonaro admitiu que chegou ao poder para levar adiante um projeto de demolição e de destruição nacional. “O Brasil não é um terreno aberto onde nós iremos construir coisas para o nosso povo. Nós temos que desconstruir muita coisa”
    Esse senhor que demonstra a sua ignorância sempre que diz alguma coisa e tendo realmente como objetivo da sua política tornar o nosso país uma colônia dos EEUU e que considera como “gurus “ seguindo-os como um cão de caça, ou um vira-lata de segunda categoria, o presidente americano ou um outro fascista mor que fez a campanha de Trump pelas redes sociais e que orientou também a de Bolsonaro, pelas redes sociais, o senhor Steve Bannon, ex-diretor executivo do site de extrema direita americana – o famigerado Breitbart News.
    Em 2013 o senhor Steve Bannon disse a frase que o senhor Bolsonaro está seguindo ao pé da letra com o intuito de agradar a Trump a Steve Bannon visando a destruição do nosso país:
    O texto abaixo foi extraído do livro : A MORTE DA VERDADE, de Michiko Kakutani, Ed. Intrínseca, pag. 172.
    “Lênin queria destruir o Estado, e esse também é o mau objetivo. Quero acabar com tudo e destruir todo o establishment de hoje em dia”. “O bilionário conservador Robert Mercer, acredita que quanto menos governança melhor”
    Onde será que está o centro de comando da nossa política? Tenho certeza que não está no Brasil.

  11. Eu não reconheço J. Bolsonaro como legítimo presidente do Brasil:

    – Lula foi afastado das eleições por um processo totalmente viciado, o que os blogs progressistas já denunciavam, agora está sendo comprovado pelos vazamentos do TIB

    – foram divulgadas mentiras pela internet, com financiamento ilegal, e tais mentiras afetaram o resultado da eleição, já sem Lula como candidato

    – TSE não tomou nenhuma ação efetiva para mitigar a propagação das mentiras (fake news)

    – TSE não tomou nenhuma ação efetiva para minimizar o estrago causado pela propagação das fake news

    – TSE não tomou nenhuma ação efetiva para punir os responsáveis pela divulgação das fake news

  12. Não posso dizer que sejamos um povo sem brio, pois vi a força das manifestações pela educação e contra a previdência. Sei que as pessoas cansam, tem de lutar pela sobrevivência, vendendo o almoço para pagar o jantar. Penso, no entanto, que é preciso um estudo aprofundado do porquê deixamos chegar nisso que está aí.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.