As balas viraram panfleto eleitoral

Tomara que esteja enganado, mas creio que o morticínio de hoje no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, é apenas o primeiro de vários que vamos assistir no Rio de Janeiro até as eleições.

400 policiais, quatro aeronaves e de 10 veículos blindados; cinco mortos e informações de que há vários outros mais, com imagens que circulam de cadáveres sendo levados em caçambas de Kombis da comunidade. A Defensoria Pública diz que pode chegar a 20 o número de mortes.

O Morro do Alemão é ocupado, volta e meia, em operações policiais, várias delas realizadas as muitas intervenções militares, depois das quais, em tese, a região teria ficado sobre controle da “lei e da ordem”.

A última delas, em 2020, deixou 13 mortos.

É obvio que nada disso funcionou e nem funciona e novos bunkers criminosos se instalam por lá.

Não há investigação policial e nenhum planejamento para que os criminosos sejam detidos em seus deslocamentos, sem causar perigo para as dezenas de milhares de pessoas que ficam sob a as linhas de tiro. E para a própria proteção dos policiais, que também se tornam alvos fáceis.

A ordem do Supremo Tribunal Federal é formalmente cumprida: o Ministério Público é avisado minutos antes e, claro, nem está por lá quando a ação acontece.

Se são praticamente inúteis em reprimir o crime, estas operações são excelentes para a promoção de governantes que usam a morte como panfleto eleitoral.

Inocentes mortos são sempre “dano colateral”, se não puderem ser vítimas de “balas perdidas”, mesmo quando a mortandade alcança proporções ucranianas.

Todos, não importa quem sejam, viram “CPFs cancelados”, no jargão mórbido de quem engana as pessoas amedrontadas de que segurança pública se alcança assim, dizendo que quem protesta contra chacinas é “protetor de bandidos”.

O “puro espírito cristão” do governador é simbolizado pela cruz das sepulturas.

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